domingo, 20 de dezembro de 2015

A drenagem


Logo após o início da última sessão passei a sentir efeitos nada agradáveis, muito mal estar, fraqueza, respiração ofegante, falta de ar, uma situação diferente e pesada.
Participei de apenas uma reunião na segunda feira, e não consegui cumprir minha agenda de compromissos nos dias seguintes. Fui ao trabalho, mas não conseguia ficar muito tempo, e na quinta feira os sintomas começaram a se agravar. Sexta sábado domingo sentindo muita fadiga, respiração curta ofegante e sem condições sequer caminhar 30 metros. À noite dormia bem e procurava entender meu corpo, puxava forte a respiração, não sentia dores, conseguia respirar bem, deitado, dormia de todos os lados, sem nenhum desconforto. Entendi que algo estava errado, mas não conseguia saber exatamente o que poderia ser.
Na segunda feira percebi o aumento dos problemas e marcamos a consulta com a médica no dia seguinte.
As notícias não eram boas, a médica pediu um raio X para verificar a quantidade de liquido na pleura, uma vez que no exame cínico ela detectou um aumento da quantidade.
Fomos atrás de uma clínica de imagens para fazer o raio X de emergência, e as respostas foram, OK temos vaga para daqui a uma semana, quatro dias, e assim por diante. Felizmente a médica conseguiu uma vaga no mesmo dia e lá fomos nós.
O resultado foi um aumento do liquido na parte inferior esquerda da pleura, e a recomendação foi a de fazer uma drenagem.
O problema é que teríamos que consultar um medico especializado o que nesta época do ano (Natal) não seria fácil.
Falamos então com nosso médico cirurgião e ele imediatamente se propôs a fazer a tal drenagem no mesmo dia, e lá fomos nós.
O procedimento é muito simples, anestesia local, o médico coloca uma agulha entre as costelas e suga o líquido. Durante o procedimento no hospital nosso médico Dr Marciano, deu uma aula do procedimento a um residente, que acompanhei sem entender muitas das coisas que ele falava, foi muito interessante aprender algo sobre drenagem, mas não era exatamente meu foco.
Consegui observar que o líquido era amarelado, não tinha pus nem sangue, mas nada que fosse animador.
Este material foi enviado para análise que vai demorar 15 dias.
O líquido e uma consequência e não a causa do problema, que pode ser;
1- Uma gripe ou uma pneumonia mal curada, e de fato tive um princípio de pneumonia há alguns meses atrás.
2- Uma tuberculose.
3- Uma rescidiva da doença em algum órgão que provoca a produção deste líquido na pleura.

Serão então 15 dias de expectativa, até que tenhamos o resultado, e o que estou pensando?
Nada, absolutamente nada, não sou de sofrer na véspera, tenho fé em Deus e espero Nele o que Ele determinar, tenho orado muito pedindo pelo melhor e sei que assim será, seja este melhor o que for.
Agora é passar o Natal e o Ano Novo com a família, curtir estes momentos, aproveitar a melhora na saúde e viver, viver sempre, com fé e determinação.
Continuo conversando com meu corpo à noite, pedindo a ele que proceda assim, uma vez que acredito que a cura vem de “dentro para fora”, que aprendi com minha terapeuta Roberta.

Vamos em frente com muita fé e alegria.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Fraqueza extrema


Terceira sessão de quimioterapia e as consequências são muito ruins, três dias depois do início da quimio oral e da injetável o corpo deu sinais de fraqueza. Muito mal estar, fadiga e principalmente no terceiro e quarto dias o corpo não reage, por mais que tente não consigo buscar forças para lutar.
Sinto uma espécie de falta de ar, a respiração fica muito curta, e isto me deixa preocupado, pensando nas causas desta respiração, será um aumento do liquido na pleura? Ou apenas a consequência da quimioterapia?
Ontem fui visitar meu pai no hospital, uma viagem de 10km mas para mim foi como se fosse um trajeto de 500 km, cheguei no hospital sem fôlego, e ao retornar para casa precisei ficar alguns minutos no carro recuperando o fôlego novamente. 
Tentei diversas vezes reagir, lutar, mas, não consegui, fiz de tudo para não entrar em pânico uma vez que não percebo melhora dia após dia. Acordei um pouco melhor hoje, mas logo depois do café senti novamente a fadiga e a fraqueza. Esforcei-me muito para manter a normalidade, sai para algumas compras e retornei muito cansado mas me sentindo um pouco mais fortalecido.
Percebo uma mínima melhora enquanto estou escrevendo e por isto continuo na expectativa de melhorar logo, vamos aguardar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Adoramos dar notícias boas


Fomos à médica para a consulta de rotina e sequência das sessões de quimioterapia.
Os exames apontaram uma diminuição do índice de CA baixando de 367 para 330, os nódulos no pulmão estão estáveis, sem aumento, e o líquido na pleura diminuiu do lado esquerdo e aumentou no lado direito.
Com relação ao CA e nódulos as notícias são mornas ou seja, a baixa do índice não tem grande significado uma vez que está dentro do esperado, e os nódulos não necessariamente estão relacionados à doença, assim nenhuma novidade. Quanto ao líquido na pleura também pode não estar ligado à doença, mas vamos monitorando e na próxima consulta veremos se será feito um raio X ou uma nova tomografia, até lá atenção e cuidados.
As boas noticias são em relação ao peso que estou conseguindo aumentar aos poucos, porém a fadiga continua intensa,  tenho tido sensações de mal estar, cansaço muito forte e constante, porém dentro de uma suportabilidade.
Mantenho meu ritmo de trabalho, ministrei aulas de pós graduação, dentro de meus limites, continuo trabalhando meio período e me dedicando a estudar e escrever os artigos do Doutorado, sempre respeitando meus limites.
Viajamos a Maringá de carro no final de semana e suportei muito bem a maratona de participar de um casamento do filho de um grande amigo, das cerimônias, da igreja e da recepção mesmo muito tarde da noite. Fui e voltei dirigindo sem problemas, mas ao chegar em casa senti o efeito da fadiga.
Sinto-me bem, mesmo com a grande fadiga, mas melhor do que nas últimas sessões o que me leva a um estado de animação e de esperanças maiores a cada dia.
Vamos em frente sempre.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O último resultado


As últimas semanas foram muito sacrificantes, fadiga extrema, falta de fôlego constante, mal estar, desarranjo, uma constância de sentimentos nada agradáveis.
Muitas vezes pensei em desistir, não reagir, senti novamente medo ao dormir, medo de não acordar, os passos seguiam lentos, cada passo era uma dificuldade muito grande, caminhar uma quadra requeria um esforço imenso, no trabalho precisei levar um documento a uma quadra de minha sala, e ao chegar precisei sentar e recuperar o fôlego. Fiquei por alguns minutos sem poder falar apenas recuperando o fôlego.
No final de semana fomos à praia, queria mudar de ares, estava animado com a possível companhia de nosso filho e nora, o que infelizmente acabou não acontecendo. Programamos um almoço em um restaurante indicado pela nossa filha, e fomos lá, ambiente agradável, porém o local é em um pé de montanha, uma subida íngreme de cerca de 50 metros, mas para mim, foi um suplício. Consegui subir devagar, almoçamos bem e após o almoço precisei descansar antes de enfrentar a volta mesmo na descida.
Durante estes últimos dias a fraqueza e fadiga continuavam, e eu tentava de todas as formas me manter aceso, vibrante, mas a dificuldade era e é extrema.
Recebi um convite para ministrar para uma turma de pós graduação e resolvi aceitar, no que a Bellinha discordou e chegamos a discutir, precisava seguir em frente e aceitei o desafio de atuar em sala de aula, mesmo com  todas as minhas limitações.
Mas este sentimento de fraqueza, dor e incapacidade não pode ser eterno, e neste momento vou falar um pouco de espiritualidade, talvez você não acredite em um ser superior, eu creio e tenho muita fé em Deus, e graças a Ele e Maria estou aqui, e hoje, graças a Ele acordei muito melhor. Fomos colher o sangue para a nova sessão de quimioterapia daqui a pouco, e recebemos o resultado do exame de CA que era de 642,00 e caiu para 376,30. Longe ainda de um resultado ideal (até 35) mas, caminhando para chegar lá.
Fé, esperança e garra, vamos em frente aguardando a melhora e a cura total, com a graça de Deus.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Um ano depois

Ontem fez um ano da cirurgia que arrancou o câncer do corpo do meu pai. Lembro muito bem daquela data. Era o dia D. Dia em que saberíamos se teríamos ou não chance de lutar.
Se o câncer fosse retirado, poderíamos lutar. Se não fosse o tratamento seria paliativo, sem chances de cura.
Estávamos reunidos. Vimos o pai sendo levado pela segunda vez. Lembranças da primeira cirurgia eram inevitáveis. E se acontecesse tudo de novo?
Quatro horas se passaram e nada. Cinco....
Fomos chamados para o centro cirúrgico.
"Dr Marciano quer falar com vocês".
O coração parou.
Será que ele nos daria uma noticia ruim assim, na sala de espera?
Agoniados aguardamos.....
Alguns minutos que pareceram eternidade se passaram e nada do Dr aparecer.
De repente uma enfermeira disse: "O Dr mandou avisar que ele vai tirar tudo".
Foi um momento de muita emoção.
O clima de apreensão foi substituído por euforia.
Pedimos hambúrgueres. Comemoramos.
O fim da cirurgia só aconteceu muitas horas depois. A mãe pode ir até a UTI. Ver que ele estava bem.
Óbvio que ninguém dormiu.
Mas tivemos a certeza que Deus havia nos presenteado naquele dia. Foi o dia em que meu pai renasceu.
Será comemorado para sempre.

domingo, 8 de novembro de 2015

A fadiga fase III ou seria fase X, fase Y fase Z?


Esta fadiga me persegue, não tem jeito, sai deste corpo que não te pertence.....
Mas tem sido difícil, a sensação é de ter acordado após ter sido atropelado, dores no corpo, sensação de cansaço, mal estar, falta de força para caminhar meia quadra, erguer a mochila para por no carro é uma tarefa pesada e penosa, mas não impossível, cada passo a frente é uma vitória, uma luta terrível entre sua vontade e sua reação física. Na terça feira após o feriado quando passei muito mal cheguei a cogitar a possibilidade de pedir para ser internado estava realmente muito mal, mas decidi aguardar o dia seguinte.
Mais uma vez senti medo de dormir, e de não acordar no dia seguinte, orei muito pedindo a Deus que me desse forças para seguir minha vida.
No dia seguinte tinha aula à noite e precisava estar recuperado, e a dúvida era enorme.
Naquela noite dormi muito mal, rolava na cama sentia frio, calor, e pensava muito, muito mesmo. Decidi então assumir minha situação daquela forma, percebi que estava olhando muito para a terra e pouco para as estrelas, precisava mesmo sem forças encarar o céu, que brilha à noite mesmo que muitas vezes não possamos perceber por conta das nuvens. Assim me vi olhando para o céu e vendo as nuvens sendo carregadas, deixei de olhar o chão e procurei erguer minha vida novamente, encarando os desafios que me foram propostos.
Acordei bem disposto, sentindo ainda os efeitos da fadiga, mas relativamente bem. Fui para a Faculdade, participei de reuniões pela manhã e à tarde fiquei no sofá recuperando as energias para a aula da noite.
Ao sair de casa preveni a Bellinha que caso passasse mal alguém iria ligar para ela para me buscar, chegando na Faculdade avisei a Coordenação de que caso ocorresse algo era para ligar para casa que estava tudo acertado, e lá fui eu para a sala de aula.
Ao iniciar, me senti forte, e aos poucos fui me sentindo mais e mais renovado, fazer algo que se gosta é mais do que prazeroso, é essencial para a preservação da vida, e assim me senti na sala de aula, refeito mais espiritualmente do que fisicamente, até porque muitas vezes sentei para passar algum exercício e cumprir minha tarefa.
Cheguei em casa exausto mas feliz por ter conseguido vencer mais este desafio, não de ministrar uma aula, mas de ter renovado minha vida.

sábado, 31 de outubro de 2015

Ah a fadiga, fadiga, fadiga........


Na sessão de quimioterapia senti os efeitos imediatamente, enquanto fazia a sessão senti muito cansaço, dormi muito tempo, e ao acordar senti a fadiga.
Tomo agora a quimio oral em conjunto com a injetável, assim os efeitos são “duplos”.
Fomos para casa, minha cunhada que mora nos USA estava conosco, e ao chegar não conseguia me movimentar muito, sentia meu corpo enfraquecido, mas contava que poderia me recuperar ao longo da semana.
No dia seguinte os efeitos foram aumentando, muita fraqueza, mal estar, e a sensação de entrega, falta de reação, não consigo me concentrar, ler e-mails é difícil, mas sempre procurando buscar forças onde não existissem.
Os efeitos porém não diminuíram, ao contrário foram piorando a cada dia, me esforcei muito para participar de algumas reuniões, e ao chegar em casa sentia a respiração muito curta, algumas vezes até com dificuldade de encher os pulmões, mas procurava repousar muito, recuperar as forças sempre que possível.
Na quarta feira uma noticia terrível, o falecimento de uma prima, e mesmo debilitado resolvi dar um abraço aos primos e a tia, o que me enfraqueceu ainda mais.
Uma tarde estava em casa e decidi repousar no quarto, e simplesmente não conseguia me levantar do sofá, o que me causou uma enorme frustração, ao tentar levantar senti uma forte tontura, achei que iria desmaiar, e tive que me sentar rapidamente.
A sensação é terrível, por mais que você lute o corpo simplesmente não reage não responde aos seus pedidos de súplica por uma reação, um sinal de vida e de recuperação.
Mas não me entreguei, continuei participando das reuniões, mesmo com muita fraqueza, fui gravar a segunda aula do curso de Matemática Financeira, e a exemplo da gravação da semana anterior, ao retornar para casa, simplesmente estava acabado, exausto, com dificuldades de respiração, porém feliz por ter conseguido gravar a aula e produzir, mesmo que pouco durante a semana.
Esta tem sido uma batalha muito difícil,  sensação de incapacidade de reação me deixa muito angustiado, sentir o mal estar, náuseas, falta de sensibilidade no paladar não são tão ruins como a fadiga, e a cada amanhecer parece que vou melhorar, mas não é esta a realidade.
Vamos aguardar o final da quimioterapia oral e ver se as condições físicas melhoram.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O último resultado do CA19-9


Para continuar o tratamento precisávamos saber o resultado do CA, cujo normal é até 35, e meu último exame estava acima de 1.300.
A expectativa de receber o resultado é sempre enorme e angustiante, o valor deste resultado representa a expectativa de sobrevida, se aumentou o índice a possibilidade de sobrevivência é menor, e  pode ser mínima, se diminuiu e dependendo de quanto dimiuiu pode significar uma melhora temporária ou parcial, o vencimento de uma batalha, e não da guerra.
A abertura do e-mail com o resultado é um momento que preciso estar preparado, e fiz isto, deveria receber na sexta feira, nada chegou no e-mail e não insisti para a resposta. Na segunda fui colher o sangue para os demais exames e solicitei os resultados do CA.
Estava preparado para tudo, no domingo na missa pedi muito a Deus pelo melhor, seja o que fosse, não entrei em desespero nem angústia, confio Nele e fosse o que fosse acontecer sei que seria pelo melhor.
Finalmente chegou o resultado... 631!!!!! Um índice ainda muito alto, mas metade do valor anterior.
O que isto significa?
Na consulta a médica nos passou que foi uma vitória, até porque os demais exames foram muito bons, hemoglobina, plaquetas etc, e ganhei um pouco de peso.
Não ganhamos a guerra ainda, mas esta batalha pode significar o início de uma vitória contra um inimigo poderoso, que também não se entrega.
Reiniciamos a quimioterapia injetável e oral, e as consequencias foram inevitáveis, muito mal estar, náusea, fadiga, cansaço, enfim o organismo reagiu rapidamente e negativamente, passei muito mal no final da tarde e à noite, mas acordei bem melhor e confiante.
Vamos em frente passo a passo.

sábado, 24 de outubro de 2015

Gravação da aula


O dia conspirava contra, acordei disposto, mas como acontece algumas vezes, logo após o café da manhã passei muito mal, não conseguia respirar normalmente, indisposição, uma espécie de náusea, e falta de ar.
Pensei comigo, vou desmarcar a gravação e faço outro dia quando estiver melhor, mas como detesto procrastinação, decidi enfrentar a situação, aguardei alguns minutos, sentei, tomei folego, senti uma pequena melhora e resolvi ir em frente.
Ao meu lado minha fiel escudeira, guardiã e cuidadora a Bellinha, pedi a ela me acompanhar caso tivesse algum problema.
Saímos de casa, e chegamos ao estúdio do Mário Mendonça que nos recebeu como sempre com entusiasmo e alegria.
Novamente tomei fôlego, recuperei as energias enquanto a Meg fazia a maquiagem e fui medindo minhas forças, pensando se não conseguir gravar toda a aula (uma hora de aula gravada), vou até o meu limite.
Começamos a gravação, levei uma calculadora antiga da década de 60, uma vez que a aula era sobre matemática financeira, de modo a quebrar o gelo junto aos alunos, e aos poucos fui me entusiasmando. A gravação de uma hora aula demanda pelo menos duas horas de trabalho, tudo correndo muito bem, mas neste caso demoramos quase três horas.
Fiz a gravação sentado, não conseguiria fazer em pé como gosto, circulando agitando os braços, mas mesmo sentado mantive o entusiasmo e a energia.
Ao final o Mário me perguntou como estava, ao que respondi, exausto mas, renovado, fazer o que se ama é o máximo, fazer com entusiasmo e alegria é o que vale a vida, assim eu me senti com vida e energia, entregue de corpo e alma a uma atividade que me dá muito prazer.
O dia passou com as consequências do ato, ou seja, uma exaustão enorme, respiração curta, cansaço mas, sem nenhum mal estar, uma sensação de alegria interior por ter produzido algo que possa ser útil para as pessoas.
Semana que vem vou gravar a segunda aula, assim aproveito o final de semana para me recuperar, ganhar energia, força, uma vez que a chama continua acesa.
Vamos que vamos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resiliência, resignação e reação


Nas últimas semana fiz a quimioterapia por infusão e oral, assim a “pancada” foi em dobro, tomei durante 2 semanas a quimio oral, iniciando no dia da quimioterapia injetada, e as reações foram as piores desde o início deste tratamento.
Senti um mal estar, uma espécie de ressaca, com um detalhe, a sensação começava pela manhã durava o dia todo, e não terminava.
Dias e dias sentindo este mal estar, além da fadiga, muito forte sempre, náusea, indisposição, diarréia em alguns momentos, e a perda de peso.
Isto enfraqueceu o físico e o psíquico, me senti fraco fisicamente em muitos momentos, e senti que minhas forças para lutar haviam desaparecido. Não conseguia mais ter a garra de antes, tentava lutar comigo mesmo, mas simplesmente não conseguia, a falta de condição física me empurrava para uma entrega, uma falta de animo, não conseguia manter o foco, mesmo tentando lutar me faltavam forças.
Mais uma vez fiz uma prova comigo mesmo, em um dia desta semana pela manhã fiz uma apresentação para um grupo de gestores de RH sobre os cursos que estou trabalhando, uma apresentação de 20 minutos, ininterruptos, e durante a apresentação me senti bem entusiasmado, eloquente, e percebi que este é o Sergio que deveria estar no comando novamente.
Ao encerrar sentei e pedi um copo com água e respondi as questões atendendo as pessoas ali mesmo.
Voltei para casa exausto, procurei descansar e recuperar a parte física, pode parecer algo estranho para uma pessoa comum, fazer uma palestra de 20 minutos, é apenas o início de uma de minhas aulas, nos bons tempos, mas no meu caso foi um esforço extraordinário,  mas para mim, necessário.
À noite em casa, após trabalhar um período a tarde comecei a refletir sobre esta situação, não posso me entregar, não posso me deixar levar pela fraqueza, pela falta de vontade, pela incapacidade física, minha força de vontade precisa ser maior do que tudo, mesmo sem a energia física que tinha.
Ao deitar pensei muito, demorei a pegar no sono, batalhei muito comigo mesmo buscando forças na alma para voltar a lutar e continuar lutando.
Não está sendo fácil, quando éramos jovens falávamos que deveríamos matar um leão por dia, e é assim que eu devo proceder matar um leão por dia, fera esta que está para me devorar, e se eu não fizer nada ela vai acabar comigo.
Não consigo lutar com as mesmas forças de antes, mas enquanto eu puder irei em frente superando minhas fraquezas a cada dia.

domingo, 11 de outubro de 2015

Os últimos resultados e a decisão de seguir em frente


O resultado do último exame de CA foi péssimo, mil trezentos e qualquer coisa. No início não sabia muito o que fazer, me senti perdido, sem rumo mesmo, inseguro, o que pode acontecer?
Tudo, ou nada, recomeçamos as sessões de quimioterapia, e as reações estão sendo mais difíceis mal estar constante, não é uma náusea, é uma sensação de mal estar geral, uma espécie de ressaca, falta de força física, levantar da cadeira e ir a qualquer lugar é difícil, sacrificante, mas preciso.
Na última consulta com o médico cirurgião, pessoa que confiamos muito, as palavras dele foram, “o procedimento é este mesmo”... “o problema voltou no pulmão, entretanto possivelmente quando surgiu no pâncreas o problema estava no sangue e não no pâncreas”....”não há o que fazer”.
O procedimento é este mesmo, segundo nosso médico e vamos em frente.
A sensação é ruim,  sem saída, a frase não há o que fazer é de difícil intepretação, ou assimilação.
Mas não há como negar que a vida está aí para ser vivida e em sua plenitude assim tomei uma decisão que estava procrastinada há tempos.
Eu sei que preciso fazer o doutorado, como trabalho na área de educação, a titulação e a produção científica são obrigatórios, um Professor precisa de produção científica, (livros, artigos) e este ano lancei um livro e enviei um artigo para publicação, mas na minha cabeça não é o suficiente.
Precisava reagir, reascender a chama e me empurrar para frente e finalmente decidi fazer o doutorado, preparei os documentos e fiz a inscrição.
Agora estou aguardando a aprovação, que deve vir nos próximos 30 dias, e já estou trabalhando na tese que irei defender.
É um novo projeto de vida, um novo desafio, com prazo de entrega, ou seja, serão dois anos de muito trabalho na tese, mas principalmente um incentivo para continuar a luta pela vida, pelo crescimento, e pelo ressurgimento de uma chama que estava se apagando, eu estava com muitas duvidas sobre meu futuro, mas se eu não agir, quem fará por mim?
Vamos em frente, sempre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

As boas e as más notícias


Primeiro as boas novas, estou desenvolvendo um trabalho em uma faculdade, e participava de uma reunião com minha equipe, e ao final da reunião voltei à minha sala e fui buscar um documento na impressora que fica no meio da grande sala, quando um colega de trabalho me disse: "você não deve e não precisa fazer isto, quando tiver que pegar algo na impressora me peça que eu com o maior prazer irei buscar".
Confesso que me emocionei, pois não esperava uma atitude destas de uma pessoa que conheci há pouco tempo e que mal tive a oportunidade de conversar no ambiente de trabalho, pois atuamos em departamento diferentes. A preocupação dele comigo, a oferta de me ajudar,  mesmo uma atitude como esta que não exige um grande esforço físico, mas a preocupação que eu devo me preservar, não gastar energias com atitudes como esta me fez ficar muito emocionado, e agradecido por saber que tenho não apenas um colega de trabalho mas um amigo. Muito obrigado mesmo.
Outra colega de trabalho e amiga, também manifestou sua grande preocupação comigo ao me ver chegar ao trabalho ofegante, depois de andar 100 metros, situação esta normal para mim nesta atual conjuntura. Ao me ver me ofereceu um copo de água e está sempre perguntando como estou se preciso de algo, enfim demonstra claramente uma preocupação comigo e a vontade de ajudar, fico emocionado a cada manifestação destas e agradecido por ter amigos como estes, além é claro de todas as outras pessoas que tem demonstrado seu carinho e preocupação comigo, emocionado fico feliz e agradecido.

As más noticias
Antes de reiniciar as sessões de quimioterapia colhi o sangue para o fatídico exame de CA, e quando estava na faculdade chegou o resultado, nada agradável.
Confesso que me preparei para receber a notícia, fosse qual fosse, não esperava nada, mantinha a calma e a tranquilidade, e ao ver o numero confesso que de início me assustei, o índice passou para 1.300, sendo o normal até 33.
Já estava em 300 e tanto, e passar para 1.300 é muito, mas muito alto.
Não consegui chorar, apenas desabei na cadeira, tive um “branco” mental, e por alguns minutos fiquei ali estático, inerte, sem reação, sem rumo.
Passei para a Carol e a Bellinha o resultado talvez buscando um apoio remoto uma orientação pois não conseguia pensar em nada.
Parei novamente pensei em tudo, todas as possibilidades e decidi não me desesperar, pensar em algo “racional”, se isto é possível, buscar alternativas; refazer o exame? Falar com a médica? Pedir uma outra opinião? Nem sei mais o que fazer.
Fiz de tudo, passei para a médica o resultado, marcamos a consulta com o cirurgião e pensamos em refazer o exame no laboratório que sempre fizemos.
A resposta da médica foi no mínimo evasiva, “o índice de CA reflete o aumento do tumor.” E só.... 
Vamos agora seguir em frente, e seja o que Deus quiser, continuo com fé e confiança, mesmo enfraquecido fisicamente e mentalmente como estou agora, mas com o propósito de seguir adiante.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

E a guerra apenas teve uma trégua, as batalhas recomeçam;


Após a “última” sessão de quimioterapia precisávamos fazer os exames para ver como estava a situação no geral.
A possibilidade de encerrar as sessões de quimioterapia me parecia possível, porem não uma certeza absoluta, uma vez que mesmo depois de 15 dias após a ultima sessão passei muito mal, fadiga extrema, mal estar sensação de enjôo muitas vezes, não sinto o sabor dos alimentos, e estes sintomas me preocupam, pois demonstram que meu organismo não está reagindo como eu gostaria. Outro fator é o peso, perdi mais um quilo e não consigo recuperar, mesmo tendo uma  alimentação normal, sem exageros, mas mesmo me alimentando bem o peso não se altera. 
O exame de imagem mostrou os mesmos pontos no pulmão, pelo menos na nossa leiga leitura, e nada mais de anormal, o resultado do CA demorou para sair, e quando saiu veio a surpresa desagradável, havia aumentado, passando a 251, estava em 130, foi um aumento razoável.
Consulta agendada lá fomos nós, confesso que fui de coração e mente “limpas” não fiz pre julgamentos, não entrei em pânico, estava “calmo” aguardando a interpretação da médica e o que viria a seguir.
Passei varias noites mal dormidas, sem medo, sem desespero, mas preocupado, tudo poderia ocorrer, uma visão otimista, uma visão realista de nossa parte, mas principalmente eu precisava do parecer da médica para seguir adiante.
Na pré consulta minha pressao estava muito baixa, baixa temperatura e havia perdido mais um quilo desde a última consulta.
Na consulta ela foi metódica e aparentemente tranquila, analisou os resultados, não me pareceu preocupada com os pontos no pulmao, porém apontou duas novidades, a primeira que estava com a imunidade muito baixa, o que me deixou fraco, com uma fadiga extrema, e a outra novidade, esta sim bombastica, é que eu estou com um líquido na pleura, um espaco entre o pulmão e a “carcaça ” do corpo. A feição da medica ao olhar o exame de imagem me deixou preocupado. Mesmo ela tendo argumentado que o líquido não era uma grande quantidade, que não valeria a pena fazer uma punção “neste momento”, mas que precisaríamos combater a doença rapidamente.   
Novamente mantive a calma, talvez mais resignação do que calma, e continuei com a mente “limpa” sem pensar nada de bom ou de ruim. Não estava feliz com o resultado, obviamente, mas procurei me manter em paz.
Com todas estas informações passaremos a um reinício das batalhas, teremos 15 dias de “folga” a quimioterapia irá recomecar depois destes 15 dias para que eu possa me recuperar, neste meio tempo vou procurar me alimentar com produtos que aumentem a imunidade os glóbulos vermelhos, e principalmente me fortalecer espiritualmente para as novas batalhas, novas sessões, novas consequências como fadiga, mal estar, enjôo, etc.
Novas batalhas, novas lutas e sei que não será fácil, minha energia está sendo exaurida a cada batalha, procuro me fortalecer, principalmente pelo espírito para que o corpo reaja e se fortaleça.
Vamos em frente com fé em Deus e Maria.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Os exames de imagem


Ontem ao entrar na clínica para a tomografia fui acometido de uma sensação estranha, fiz várias tomografias, mas nunca havia sentido a sensação que tive. Aquela máquina parecia um monstro me engolindo, você fica deitado em uma maca, e o aparelho passa sobre você com um barulho alto de uma roda girando, vai e volta, diversas vezes e de quando em quando uma gravação pede: respire fundo. e segure.... Logo em seguida, ...pode respirar.....
Foram cerca de 20 minutos de passa e repassa, a última "passada" eles injetam o contraste, e desta vez rompeu a veia causando dor e desconforto. Mas a sensação de estar sendo engolido pela máquina continuava, não conseguia mudar o pensamento, me via sendo destroçado pela máquina, amassado, espremido, sem chance de me soltar e sair dali. Minha vontade era de sair correndo, mas além de estar com sonda, preso a máquina vestia um "pijama" da clínica que mais parecia um uniforme de presidiário. Findo o exame saí meio tonto, já não estava bem antes do exame, me recompus e sentado na sala de espera rezei pedindo que este fosse um exame que me desse boas notícias. Vamos ver, esta espera realmente está me sufocando, não durmo direito à noite na expectativa dos resultados, principalmente o CA porém tenho mais alguns dias de angústia e dúvidas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

As incertezas após a última sessão

Fizemos a última sessão de quimioterapia em uma quinta feira, sem grandes novidades, ou seja, o mesmo mal estar, a mesma fadiga, náuseas, diarréia, enfim, nada de novo.
Os sintomas se arrastaram por duas semanas, uma antes da sessão e durante a semana da sessão. 
Esta “última sessão” não necessariamente será a última, vai depender dos exames, do índice de CA e os de imagem solicitados pelos médicos, os exames de imagem irão mostrar se os 
nódulos nos pulmões aumentaram ou não. Caso tenham aumentado devemos manter o tratamento, com novas sessões, significando novos sintomas desagradáveis, e principalmente, que o mal 
não foi curado.
As emoções são muitas, naquela noite não consegui dormir, passei a noite toda acordado, e já havia decidido não ter em meu quarto um relógio, assim não teria a noção do passar do 
tempo. Mas naquela noite sentia o tempo passar muito devagar, ouvia os poucos ruídos vindo da rua, um carro que passava um alarme que disparava, e aos poucos os pássaros cantando 
anunciando um novo dia que estava chegando, e eu ali aceso, ligado, pensando.
Não é uma situação fácil, se os exames apontarem um aumento nos nódulos, começamos uma nova batalha, difícil, sofrida, mas não é o sofrimento que me preocupa, e sim a questão do 
futuro, o que acontecerá?
Esperança, fé, confiança, sim continuo com todas estas firmes e fortes, porém até o momento da avaliação médica fica a grande dúvida o que acontecerá? Como irei enfrentar esta nova 
fase? De que forma poderei me manter vivo e saudável? Vou conseguir?
Tenho muita fé que sim, e acredito que estamos lutando por uma boa causa, que poderei viver e ver meus netos, poderei ver meus filhos felizes e realizados, poderei ficar mais velho 
ainda ao lado da minha amada, este é o meu desejo, porém não depende de mim, e sim Dele, e com fé Nele que me mantenho lutando e aguardando seus desígnios.
Tenho mais uns dias para saber os resultados e descobrir o que me aguarda, assim procuro manter a calma e a serenidade, com fé e confiança.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O último ciclo da quimioterapia. O que virá depois??

Hoje fomos ao médico para dar início ao último ciclo de quimioterapias. Serão três sessões agora a cada 5ª feira.
As duas últimas semanas não foram fáceis, tive muita náusea, indisposição, fadiga, falta de orientação, no escritório percebi que o famoso pilar estava mais ágil, balançando de quando em quando, e aí parei para analisar a situação.
Após a radioterapia eu tinha a esperança firme de que  o tratamento havia acabado, é claro que a pessoa com problemas de saúde deseja a cura total, tanto é que na consulta com o Dr. Marciano cheguei a perguntar quando iríamos tirar o catater, e lembro muito bem a cara de "pastel" dele ao receber minha pergunta.
Ele me passou que deveríamos seguir adiante com a quimioterapia, e depois de 6 meses ver o que aconteceria.
No fundo de minha alma eu queria ouvir que estava curado, desconsiderei a real gravidade do meu problema, que deveria ter me levado à morte em setembro de 2014, voltei  me sentir o "super homem" do  início de um livro que estamos escrevendo. Superei minha fé, acreditei mais em mim do que em qualquer outro fato real, e principalmente nos desígnios de Deus.
Desejava poder parar com o sofrimento das sessões de quimioterapia, das "picadinhas" de agulha para coleta de sangue, da introdução da agulha no peito onde está o catater para a quimioterapia, dos exames de imagem, com contraste, e novas picadas, do desconforto de passar por máquinas imensas que parecem que vão te derreter, te engolir, te mandar a outra dimensão sem volta.
Logo após a consulta chorei muito sozinho, porém parei para pensar e lembrei de algo muito importante, quem decide a hora certa não é o Sérgio, a Bellinha, quem quer que seja, quem decide a hora certa é Ele, Deus, e se eu devo continuar, é por alguma razão que só Ele sabe, e eu saberei também.
E realmente ao longo das sessões e dos exames verificamos um aumento nos nódulos dos pulmões que devem ser tratados com a quimioterapia, ao longo do tratamento alguns já estavam necrosados, assim Deus me mostrou suas razões, eu entendi e pedi perdão pela minha soberba.
Talvez esta fase seja a mais difícil para mim, pela sobrecarga de medicamentos, afinal a quimioterapia prejudica células ruins e células boas, debilitando o organismo do paciente, mas mesmo com maior sofrimento estou ciente que devo seguir adiante e aguardar pela frase final da cura total, que com  fé em Deus e Maria virá, no tempo DELE.

sábado, 22 de agosto de 2015

Quase no último ciclo!!!


Segunda deveria iniciar o último ciclo da quimioterapia, e para evitar as surpresas da última vez, quando ficamos até as 16:00hs para concluir a sessão, fomos fazer o exame de sangue na sexta feira, assim ao chegarmos a consulta iríamos com os resultados e iniciaríamos a sessão em seguida.
Durante as duas últimas semanas senti que o corpo deu sinais de cansaço maior do que das outras vezes, a fadiga foi muito forte, náuseas constantes, enjôo, mal estar, enfim sensações desagradáveis que me fizeram passar os últimos dias entregue e preocupado.
Decidimos passar o final de semana na praia, deixamos Curitiba e fomos ao litoral com tempo, sem pressa, porém ao chegarmos para atravessar a balsa, fomos pegos por uma manifestação dos pescadores, e a travessia estava parada. Isto desde as duas horas da tarde. Como não sabíamos tínhamos de tomar uma decisão; ou voltávamos a Curitiba ou aguardavamos. Decidimos aguardar e ver no que dava. Voltar a Curitiba significava rodar 120 km, e se decidíssemos ir a praia pela outra estrada seriam mais 120 km, assim nossa opção foi aguardar.
Por precaução tinha comprado água, balas, e duas barrinhas de banana com chocolate, a água foi quase toda, os dois tubinhos de bala também, uma das barras idem, e depois de duas longas horas conseguimos atravessar a balsa.
Por mais que ficar sentado sem nada para fazer, esta experiencia me desgastou bastante, cheguei em casa extremamente cansado, com a respiração curta, com fome, apesar das balinhas, e ansioso por comer algo e descansar.
Fomos jantar e acabamos comendo frutos do mar mas a comida estava pesada, gordurosa, e acabou pesando no estômago. Ao chegar em casa mal consegui ler meus e-mails, não conseguia me concentrar na TV, e fiquei muito feliz pelo convite da Bellinha para irmos dormir, isto por volta de 22:30hs.
A noite não foi agradável, dormimos mal, mas acordei pela manhã revigorado, quase inteiro.
Entendo que minhas atividades nas duas últimas semanas foram um pouco além da conta, participei de eventos, trabalhei mais do que havia combinado com a empresa, mas estava me sentindo confiante, entretanto pelas reações tive a certeza que preciso me cuidar mais, não exagerar, pois o corpo paga o preço do exagero.
É possível que a expectativa de fazer o “último” ciclo, possa ter me induzido a querer estar bem logo, o que de fato não ocorreu, e só vai ocorrer se todas as condições forem favoráveis, se o corpo de fato reagir como deveria, e se o paciente tomar os cuidados devidos.
As sensações destas duas últimas semanas foram muito mais brandas do que as do início do tratamento, porém as consequências foram maiores, a fadiga, a exaustão o mal estar realmente “pegaram”.
E o que fazer nesta hora?
O que deve ser feito, lutar, reagir, não se entregar, aprendi ao longo dos tratamentos que passei, um deles com relação com o Reiki que a cura deve ocorrer de “dentro para fora” ou seja, o seu corpo deve querer a cura, você deve comandar seu corpo de modo que ele, seu corpo, reaja internamente querendo a cura, agindo de dentro para fora, expulsando o mal, curando.
Fiz e faço este exercício constantemente e esta semana fiz e refiz diversas vezes. Confesso que não é fácil, você empurrar a si mesmo ladeira acima, sem forças, e olhar a ladeira e vê-la interminável, não é fácil, mas e se eu não fizer quem fará por mim?
Comande sua vontade, faça, aconteça, não se entregue jamais, mesmo que possa parecer interminável, inacabável, e que pareça que você não tem forças para isto, você tem, se quiser, você consegue, se assim o desejar, desta forma, deseje, atue, faça acontecer.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quase lá!


Em poucos dias inicio o último ciclo da quimioterapia, serão mais três sessões, antes dos novos e decisivos exames de imagem. Esta sessão é a mais crucial uma vez que estes exames irão demonstrar meu estado de saúde, a evolução ou não nos nódulos do pulmão, mesmo sendo milimétricos, preocupam. Existem opiniões a considerar dos médicos, a Dra. Mônica fala que estes nódulos podem ser da rádio terapia, do resultado da quimioterapia, uma vez que muitos estão necrosados, isto pode significar que a quimioterapia fez seus efeitos esperados, entretanto o Dr. Marciano, como sempre foi mais conservador, disse tambem que pode ser o efeito da radioterapia, da quimioterapia, e que estes nódulos tem a necrose, etc etc.
Mas mesmo assim o maior interessado, ou seja EU, preciso pensar e entender bem o que está acontecendo e, principalmente, o que pode acontecer.
Obviamente que a frase que eu mais anseio ouvir neste mundo e “você está de alta”, mas sei que esta frase vai depender de uma série de situações, e dos resultados destes decisivos exames.
Como qualquer pessoa na minha situação precisa pensar em todas as possibilidades, tenho muita fé, passamos por muita coisa, superamos muitos obstáculos imensos, e estou aqui, gracas ao apoio de todos, porém o futuro é incerto, e a Deus pertence.
Mas a perspectiva futura, confesso, me assusta, estamos bem, graças a Deus, conseguimos ajustar muitas coisas em relação a vida financeira futura, mas mesmo assim muitas coisas ainda estão indefinidas, e preciso me preparar para o que está por vir.
Uma possibilidade é que deva continuar o tratamento, uma vez que ainda precisamos combater os nódulos existentes, outra e que poderemos fazer o acompanhamento a cada período, sem a necessidade de novas quimioterapias. O que seria a melhor das situações; outras possibilidades? Sinceramente não sei, não consigo imaginar muita coisa alem disto, ou talvez não queira imaginar nada alem disto, não por medo, mas sim por ter fé na cura total, no milagre da cura total.
Mesmo assim o futuro me preocupa e muito.
O que fazer então?
Sinceramente não sei, tento olhar da melhor maneira possível, aceitar os desígnios de Deus e seguir em frente, muitas pessoas me falam que a razão por eu estar vivo é que estou atendendo um propósito de Deus, que existe uma razão maior para minha vida, o que eu acredito, e explico porque.
Quando descobrimos a doença éramos uma família “normal”, vivendo cada um sua vida, tendo as preocupações normais com cada um de nós, porém sentia que não éramos tão unidos como somos agora. Eu me dedicava cada vez mais ao trabalho, deixando todos de lado, preocupado comigo mesmo, e com a descoberta da doença nos reencontramos, nos vimos vivendo uns para os outros, e pelos outros, o trabalho deixou de ser o mais importante para ser apenas importante, reencontrei Deus, Maria e a fé, que eu sempre tive, mas talvez, como todas as outras coisas, estava “adormecida”.
Valorizamos os amigos, os verdadeiros amigos, e descobrimos como temos amigos, e parentes amigos. Não apenas primos, tios, irmãos, mas entes queridos que vinham me ver, acompanhavam a evolução ou mesmo a involução do meu estado de saúde. Passamos juntos por crises como a segunda cirurgia, a hemorragia, as estadas na UTI, as longas estadas no hospital, e as pequenas vitórias, como quando consegui pela primeira vez caminhar na calçada por “imensos” 20 metros.
Sair da cama para receber amigos, mesmo com muita dificuldade, era para cada um de nós uma vitória, almoçar e jantar de modo quase normal, era uma vitória, e a primeira vez que pude saborear um churrasco então, percebia a alegria no olhar dos meus entes queridos, ao me ver saboreando algo que sempre foi tão prazeroso para mim.
Mesmo que não sentisse o sabor apurado dos alimentos, apenas a tentativa era vista como uma vitória não para mim, mas para todos nós.
Hoje ainda não sinto o sabor pleno dos alimentos, ainda tenho fadiga, náusea, diarréia, e oro a Deus para que isto um dia passe, mas não depende de mim e sim Dele, e aceito Sua vontade.
Tenho muita fé que meu dia de “alta” virá, quando? Não sei, e nem podemos afirmar que virá, mas seja o que for o que estiver para vir, vamos em frente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Fadiga larga do meu pé!


Última sessão de quimioterapia do penúltimo ciclo, rotina normal do dia da quimioterapia.
Como faço a sessão às segundas feiras, nosso dia comeca cedo, com a coleta de sangue para os exames de plaquetas etc, café da manhã e seguimos para a clínica uma vez que a consulta e por volta de 10:00hs.
Aguardamos o horário da consulta, fomos atendidos pela médica, e eu questionei se poderia viajar no final do ano.
Em 1974 fui estudande de intercâmbio nos USA, morando no Estado de Missouri por 6 meses, e eu e meus antigos colegas de escola estamos nos organizando para reencontrar a turma,
Éramos em cerca de 120 jovens na faixa de 17 anos, vivemos boas aventuras, principalmente eu vindo da América Latina e vivenciando o “american way of life”.
Imagino reencontrar esta galera depois de 41 anos, todos barrigudos, carecas, enfrentando as agruras naturais da velhice, mas agradecendo a Deus por estarmos vivos.
Pois bem pedi a ela se poderia me organizar para a viagem, e ela pediu para aguardar mais um pouco, precisamos estar seguros que poderei enfrentar uma viagem desgastante de pelo menos 8 horas de vôo, mais viagens internas longas e em um país diferente, sem o apoio e o acompanhamento dos médicos que estão me assistindo.
Na verdade eu queria verificar esta possibilidade, e tenho fé em Deus que poderei fazer esta viagem.
Entretanto o dia não foi como esperado, os resultados dos exames não ficaram prontos no momento da consulta, assim tivemos que aguardar o envio pelo laboratório, o que ocorreu próximo ao meio dia.
Exames em ordem, vamos à sessão. A clínica fica afastada da cidade, sem muitos recursos, como restaurantes próximos, a não ser em um shopping, porém sair ir ao shopping e voltar não teríamos tempo para a sessão, assim pedimos um sanduíche na clínica e fomos à sessão.
Até a preparação do medicamento, e início do processo conseguimos concluir a sessão por volta de 16:00hs.
Não imaginava que ficar sem o almoço, comer muito tarde, me faria o que fez.
Cheguei em casa por volta de 16:00hs, já muito cansado, e os dias seguintes foram cada vez piores. Muita fadiga, mal estar, sensação de instabilidade física, como se tivesse com labirintite, e isto ocorreu por pelo menos três dias.
Hoje 4 dias depois, estou me sentindo melhor, fraco ainda, mas sentindo a força voltar aos poucos.
O que preocupa ainda é a perda de peso, nesta semana voltei a perder 2 kilos, o que parece muito pouco, mas no meu caso significa muito.
Com todo este turbilhão de sensacoes, me sinto fortalecido principalmente na parte espiritual, a parte física debilita, enfraquece, causa mal estar, mas por outro lado obriga você a lutar a jamais se entregar.
Somente aqueles que passam por este processo podem compreender o que é sentir mal estar uma semana seguida, fraqueza, tontura, náusea, e não apenas durante um período de uma ou duas horas, mas de uma semana. Fico abismado com pessoas que ao sentirem uma dor de cabeca correm ao médico e chegam na empresa no dia seguinte com um atestado.
Por diversas vezes saí da quimioterapia e fui ao trabalho, por “teimosia” em permanecer vivo, e produtivo.
Muitas vezes sinto que o pilar do prédio onde trabalho balança, se movimenta, o que de fato não ocorre, porém eu continuo ali firme e forte segurando o pilar para que ele não se movimente.
Este é o sentido da vida, jamais entregar-se, jamais deixar de ter fé e crer que tudo estará ocorrendo pelo melhor, seja este melhor o que seja, mas no que depender de minhas atitudes não me entregarei, porque sei que Deus e Maria estão comigo.

domingo, 26 de julho de 2015

O início de tudo


Aos 58 anos me sentia o “super homem”, trabalho, muito trabalho, viajava muito pela empresa, quase toda a semana, e por uma questão de cultura da mesma, muitas viagens eram feitas de carro a São Paulo, desgastantes, e com agendas cheias. Estava ainda escrevendo dois livros, preparando aulas para a Universidade Positivo, ministrando aulas de pós graduação, gravando aulas de pós na modalidade EaD, correndo com as consultorias, enfim, muito trabalho, deixando de lado a família, os amigos e a saúde.
Meus exames semestrais sempre foram bons, ou seja, dentro dos indices considerados “normais” glicose, colesterol, PSA, etc. Estava com sobre peso, (135 kg) vida sedentária, mas mesmo os exames de coração apontavam a normalidade, apesar de ter feito um “pacto” com o cardiologista que iria mudar de hábitos, caminhar, cuidar da alimentação, mas fazia isto com muito pouca boa vontade.
Mas aí começaram os sintomas, inicialmente má digestão, azia (nunca tive azia em minha vida), a urina estava mais escura, e comecei a me preocupar.
Falei com a Bellinha, e decidimos que iria fazer um check up. Mas entre a decisão e a ação o prazo ia correndo.
Ate que em uma oportunidade, na missa de sétimo dia de minha madrinha, estava presente meu primo que dirige um hospital aqui em Curitiba e a Bellinha foi falar com ele e não pude mais escapar.
Na mesma semana estava lá fazendo uma varredura completa, exames de todo o tipo, coleta de materiais, e a tomografia.
Os exames apontavam o de sempre, ou seja nada de anormal, mas a tomografia, esta sim apontava algo estranho.
A médica que me acompanhava veio falar conosco e passou seu diagnóstico;
“Olha tem alguma coisa, aparentemente no figado, mas não posso afirmar nada”
Diagnóstico altamente inconclusivo, bem de quem esta em cima do muro, preocupante? Sim com certeza, gerando a primeira das grandes ansiedades e inseguranças de minha vida.
Fui encaminhado ao médico do aparelho digestivo, e tome mais exames, nova tomografia, ressonância, e ai a surpresa.
Quando estava fazendo a tomografia pude ver claramente no televisor uma “bola” em meu organismo, questionei a medica que estava fazendo o exame, e obviamente ela não disse nada  conclusivo, “olha seu Sergio quem tem que dizer algo e o médico que faz a avaliacao do exame” ou seja, nada vi nada sei, e se sei não vou te dizer.
Um dos exames solicitados foi o CA que mede o índice de câncer no sangue, e este estava 1500, quando o normal é ate 35.
Este resultado me fez parar e refletir muito, não entrei em desespero, até porque queria ouvir o médico, mesmo considerando que a Bellinha falou com meus primos médicos e é claro eles não afirmaram nada de forma contundente, pediam calma e que fossemos ao médico especialista no aparelho digestivo.
Marquei com o  médico e a Bellinha e a Carol queriam ir junto, eu acabei chegando antes, e comecei a conversa com o médico. Ele viu os exames, leu com calma todos os resultados, enquanto lia me olhava com o canto do olho para ver minhas possíveis reações, e aqueles que me conhecem sabem de minha paciencia e calma.
Antes das duas entrarem esbaforidas no consultorio ele me disse; “você esta com um problema maior, os exames apontam um câncer no pâncreas, você vai enfrentar duras batalhas, bastante sofridas, penosas e longas... prepare-se”.
Respondi a ele que eu já sabia que tinha câncer desde a tomografia e que estava me preparando para esta guerra, neste momento as duas entraram translúcidas, nervosas, mas eu já havia encerrado a conversa ali.
Fomos embora, consternados, sem nos falar muito, e começamos a procurar novos recursos.
A notícia que você tem uma doenca como esta é algo muito forte, mexe com sua estrutura, abala seus sentimentos, mas a partir daquele momento eu optei por lutar pela minha vida, acreditando em Deus e Maria, entregando minha alma a Ele e sua Mãe, e fazendo minha parte neste processo, que eu sabia que seria muito difícil. Não que eu tivesse procurado ler, entender os detalhes desta doença, mas em meu íntimo sabia que estava sendo posto à prova e com muita fé poderia superar tudo, mesmo passando muitas dificuldades.
A partir dai precisei me reorganizar, não conseguia mais escrever, minha saúde estava piorando a cada dia, soube depois que estava com uma compressão em um dos canais que libera a bílis ao estômago, provocando o derramamento desta bílis em meu organismo, ou seja estava ficando amarelo, como quem está com hepatite. O termo é icterícia, olhos amarelos, pele amarelada, perda de apetite, mal estar, desânimo, falta de concentração, entre outros.
Não conseguia escrever meus livros, agendava a gravação das aulas, mas muitas vezes os exames coincidiam, e tive de abrir mão de encerrar meu modulo nas aulas à distância.
No trabalho não conseguia mais viajar, não tinha mais saúde para isto.
Não apenas repensar a vida, mas tomar algumas atitudes foi o mais difícil, conversei muito com minha amiga Marivel, que é psicologa, e ela me fez ver muitas coisas que eu não havia pensado.
E seu eu não conseguir sobreviver? Como fica a Bellinha, como ela vai sobreviver? Os filhos estão encaminhados, mas ela era a minha maior preocupação.
Fui me organizando para deixá-la em condições de sobreviver, economicamente, decidi vender a casa com o terreno que tínhamos ao lado, procurando trocar por um apartamento e mais imóveis de modo que isto irá  gerar uma renda, aliada à aposentadoria e os seguros de vida que tenho, irão proporcionar à Bellinha uma condição de vida adequada.
Esta decisão é realmente muito difícil, você precisa assumir que poderá morrer e em breve. Vender imoveis não é tarefa fácil, trocar por apartamentos é mais difícil ainda, tanto é que demoramos 01 ano para fechar o negocio.
Mas conseguimos e foi possível deixar a Bellinha em condições de sobreviver economicamente.

Pitaco da filha: foi possível acalmar o coração. Mas ela não vai precisar disso. Vocês vão aproveitar tudo juntos.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Novos resultados


Esta semana tive “folga” na quimioterapia, aguardando o resultado do CA. Confesso que a espera não foi fácil, sempre e uma incógnita, tudo pode acontecer, o numero era 135, e talvez a lembranca de abrir o resultado com um número absurdo me assustava.
Recebi o e-mail no celular, a tarde, estava na faculdade, e o arquivo não abriu.
Mais ansiedade, o que poderia significar?
Cheguei em casa, jantamos com calma, tranquilidade (pelo menos aparente) chamei a Bellinha dizendo que queria mostrar algo para ela no computador.
Abri o e-mail, consegui abrir o arquivo e sem olhar para o mesmo enviei para a impressao.
Neste momento meu coracao pulava angustiado, mil coisas passavam pela minha cabeca enquanto a impressora calmamente trabalhava.
Entreguei os papeis para a Bellinha e, a Lei de Murphy falou mais alto, a ultima pagina escancarava o numero 140.
Bom sinal? Mau sinal? Na visão da Bellinha bom sinal, a doença não evoluiu, na minha visão não tão bom assim, ou seja não diminuiu.
Segundo a última informação da medica, o resultado do CA irá indicar o caminho a seguir, como não existe tumor no organismo, apenas os pontos milimétricos nos pulmões, e alguns necrosados, ou seja, indicando que os tumores foram necrosados pela medicação.
Neste caso o caminho a seguir é o de reforçar o medicamento para “atacar” os pontos nos pulmões, vamos aguardar o parecer da médica na próxima segunda feira.
Entendo que é melhor assim do que ficar imaginando mil possibilidades.
A semana que passou não foi fácil, tive muita fadiga, mas em um grau menor do que nas semanas anteriores, sentia uma especie de vertigem nas minhas caminhadas ao trabalho, mesmo que curtas. Em uma reunião ao me levantar vi todo o ambiente girar, mas logo depois parou e eu brinco muito com meu pessoal na faculdade que a viga do prédio vive se movimentando.
Porém o principal problema foi a perda de peso. Ao longo da semana perdi dois quilos, o que poderia ser maravilhoso para muitos, no meu caso e algo complicado, e olha que eu “caprichei” nas comilanças, sem exageros, tenho feito as refeições regularmente, estivemos na fazenda no final de semana e como toda família italiana comemos muito durante todo o final de semana.
Mesmo assim o peso não recupera, mas vamos ver o que a médica diz na próxima consulta. 
Força e fé, vamos em frente com Deus e Maria.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Que o Universo conspire. Amém.

O período de luta e sofrimento está finalmente chegando ao fim. Tenho certeza absoluta de que meu pai vai ter a resposta definitiva que ele merece. A cura. Porque esta doença não veio para o mal. Veio para mudar cada um de nós, para que ele fosse testemunha da fé e da esperança. O pai foi escolhido porque antes mesmo de tudo isso ele já inspirava muitas vidas. Hoje ele conforta tantos corações angustiados sem nem mesmo saber. A garra que ele demonstra na condução de tudo isso tem tocado muita gente.
Se dando aulas ele fazia bem a tantos jovens, mudava suas prospectivas, dava asas a seus sonhos, agora ele atinge mais fundo dentro de cada um, nos dá força, estímulo, fé e esperança.
O pai já mudou a vida de um aluno dele, paciente oncológico, que vivia uma vida sem objetivos, prostrado ao que ele achava ser seu destino, entregue a doença. Nesta época ele era um professor saudável e altivo que não precisava ser preocupar com aquele ser humano.
Mas ele não viu um número. Viu um jovem precisando de um norte. Eu vejo muita gente respondendo no blog que fala sobre isso. Como se sente inspirado.
É muito gratificante ler tudo isso, ver todo este movimento. Por favor não me entendam mal. Óbvio que eu queria que meu pai estivesse bem. Óbvio que eu preferia que ele não tivesse passado por tudo isso. Se eu pudesse eu arrancaria dele agora toda está dor, todo o medo, toda a angústia.
Mas Deus não quis assim. E se Ele, em toda sua sabedoria, assim determinou, eu só posso aguardar, confiar, ter fé e segurar nas mãos de Deus tendo a certeza que tudo acontece pelo melhor. Juntos, caminhando lado a lado, venceremos.

O tratamento


Retomamos as sessões de quimioterapia, encerrando agora o 4º ciclo. A tomografia mostrou um aumento discreto em nódulos no pulmão, e as opiniões são divergentes. A Dra. Mônica diz que  estes pontos aumentaram de tamanho, sendo milimétricos, porem para mim muito preocupantes. Alguns destes pontos apresentam necrose, o que, segundo a médica indica que o medicamento (quimioterapia) está fazendo efeito, ou seja, está eliminando estes pontos.
A dúvida esta em relação ao índice CA que estava em 70 passou a 1061, depois para 100 e chegou a 130, assim vamos fazer novo exame de CA na próxima semana e verificar o que acontece. Se estiver alto, a médica irá alterar o medicamento de modo a atacar diretamente os pontos no pulmão.
Todas estas incertezas me deixam preocupado, perdido mesmo, sem saber o que pensar. Me preocupa o fato de ter muita corisa, e principalmente durante as refeições, uma das possíveis explicações, de acordo com a Dra. Mônica, é uma alergia a alimentação, outros pacientes dela tem os mesmos sintomas, mas com nódulos no pulmão eu fico preocupado.
A preocupação está nas incertezas, alteração do CA, corisa, tive recentemente um princípio de pneumonia, o que pode ter afetado o aumento dos nódulos, mas tudo isto é uma incerteza muito grande, e eu estou no meio deste furacão, sendo literalmente o ator principal e quem recebera todas as consequencias do que vier a ocorrer. Minha fé em Deus e Maria e inabalável, tenho certeza que estou sendo abençoado e estou feliz por estar vivo, relativamente bem, sofrendo as consequencias da quimioterapia, as de sempre, muita fadiga, mal estar, desarranjo intestinal, mas  sei que o que tiver que enfrentar assim o farei por obra e graça de Deus e Maria.
Vamos em frente com fé e determinação, e com muita esperança de chegar a alcançar a graça da cura definitiva. Amém!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A maior lição

Desde a descoberta de uma doença grave, muitos aspectos e situações na vida são repensados. Não só pelo doente mas por todos os que o cercam.
Parece que suas células sofrem uma mutação, uma metamorfose, e isso faz com que sua realidade nunca mais retorne ao estado em que se encontrava antes do diagnóstico.
São lições diárias, pílulas de sentimentos aqui e acolá, que se somam, se multiplicam e se propagam, alterando nosso estado de consciência, nossa visão de mundo, nossos pensamentos e convicções.
Tenho repetido um destes ensinamentos há algum tempo, tendo sido ele uma constante na minha vida. Não se pré-ocupar.
Tempos atrás estive numa palestra do Dr. José Jacyr Leal Jr., no programa Crer-Ser Fraterno.
Ele explanava que quando sua fé é tal que te permite a certeza de estar com as mãos dadas com Deus a todo momento não há o que temer, basta confiar.
Todo o amor, toda a dor, tudo decorre do plano divino que é concebido pelo nosso crescimento, pelo nosso bem.
Assim como um pai educa e diz não aos filhos, Deus nos confere percalços sim. Quem planeja ou deseja perder entes queridos, sofrer acidentes, adoecer? Em sã consciência, ninguém.
Mas se nos confrontamos com estas situações, com certeza, fazia parte do plano concebido para nosso bem.
Assim, todas as vezes que eu recebo uma notícia que parece ser triste ou ruim, eu simplesmente aperto minhas mãos, como o Dr ensinou, e mentalizo a mão de Deus segurando firmemente a minha. Deste modo, simplesmente sigo confiante, tendo a certeza que tudo o que acontecer será pelo melhor.
Não foi sempre assim.....
Quando recebemos o diagnóstico, eu tentava desesperadamente marcar consulta com os médicos de referência em Curitiba.
A primeira ligação que fiz foi desconcertante:
- Oi, preciso de uma consulta urgente para meu pai.
- Posso encaixar daqui uma semana. Mas é CA de quê?
- Pâncreas
- Ahhh, neste caso é grave, tenho consulta para amanhã.
..................................
O raciocínio some, desaparece.
As pernas nem respondem... Vc sente que flutua...
Relembrando aquele momento, hoje entendo perfeitamente aquela sensação: Eu estava sendo carregada no colo e não sabia.
Várias ocasiões posteriores àquela me fizeram pensar o pior.
- Será que ele conseguiria sobreviver à cirurgia?
Dois dias sem dormir.
Sim conseguiu.
- Será que aqueles enjoos, mal estar e fraqueza passariam?
Uma semana de cabeça fervendo.
Sim, deu certo.
- Putz, vai começar a quimio, será que ele vai passar mal?
Três dias nervosa antes de cada aplicação.
Cansaço, menos pior.
- Será que o CA baixou?
Chegava o Natal e não chegava o exame.
Baixou, ok. Algum tempo de paz.
O casamento chegando, incertezas... Será que ele estaria bem?
Nossa, quanto tempo perdido, quanto estômago magoado, quantas noites de insônia...
Se naquela época eu tivesse mais confiança nos desígnios divinos.....
Hoje, os percalços continuam aparecendo.
Nem tudo são flores e sempre temos um motivo ou outro para a adrenalina subir.
O último foi o exame de imagem que informava que os nódulos do pulmão haviam dobrado de tamanho...
Foi numa sexta feira.
Sábado seria a festa do vô.
Se nós tivéssemos nos ocupado previamente da dor e sofrimento que supostamente viriam, não teríamos nos divertido tanto naquela festa tão especial.
Segunda feira chegou, as notícias ruins viraram boas.
O mundo não acabou, estamos aqui, felizes e confiantes em Deus.
Isso me lembra um texto que conheci na infância, que me foi apresentado pela mãe.
Diz assim:
Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do céu, passavam cenas da minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso me aborreceu deveras e perguntei então ao Senhor:

- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor me respondeu:

- Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços do pai.
Conduz nossas vidas, meu Deus.
Confiamos e esperamos em ti.
Sigo de mãos dadas nas Vossas. Essa paz de espírito é impagável.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A ansiedade com o exame CA 19-9


O último exame de CA que indica o índice de câncer no sangue estava em 1.100 aproximadamente, e só faríamos o próximo exame após o terceiro ciclo de quimioterapia. Chegou o momento, colhi o sangue na semana passada e este exame demora cerca de 5 dias para ficar pronto. Na segunda feira posterior fomos à clínica para a consulta e quimioterapia, com os novos exames de plaquetas etc, graças a Deus tudo normal, mas estava muito ansioso com o resultado do CA. Durante a consulta nada do resultado, ocorreu algum problema e não teríamos o resultado pela manhã, quem sabe à tarde. Confesso que passei muitas noites mal dormidas, não pensava nas consequências de um aumento na doença, procurava não pensar no pior, mas o desconforto era muito grande. Com esta falta de resultado não foi possível fazer a quimioterapia, assim mais um dia ou dois de angústia.
No dia seguinte estava em casa, e toca  o telefone, por uma casualidade do destino eu atendi a ligação e do outro lado da linha uma senhora muito simpática mas cheia de “dedos” perguntou se era eu o Sérgio, identificou-se como a bioquímica do laboratório, e que estava com  o resultado do CA em mãos, e queria me explicar algumas coisas.
Atento e muito nervoso ouvia as explicações dela.
Disse que tiveram um problema no resultado do exame de CA, e que repetiram o exame para ter certeza do resultado, além do que iriam refazer o mesmo exame com o sangue colhido ontem. Disse ainda que o índice havia subido e esta foi uma das razões de se fazer novos exames, até aí não havia passado o resultado, e eu não me aguentando perguntei, Dra. qual foi o resultado?
Silêncio que parecia interminavel do outro lado da linha (talvez se passaram apenas alguns segundos) pareceu uma eternidade até que a resposta foi, o índice de CA foi de 101.
Não conseguia pensar com razão, mas sabia que de 1.100 para 101 o índice era fenomenal no lado bom, e depois aos poucos falei a ela que o exame efetuado anteriormente foi feito por outro laboratório e o índice tinha sido de 1.100.
Fui falar com a Bellinha passar a ela a informação, mas antes precisei me acalmar bastante, chorei muito, agradecendo a Deus e Maria por mais esta graça recebida.
Passar de 70 para 101 não significava absolutamente nada, o que foi confirmado com a médica posteriormente, e continuamos com a quimioterapia, normalmente, fechando os outros três ciclos que faltam.
Fé, força Deus e Maria sempre guiando nossas vidas.
O maior desejo que tenho e ouvir a frase você está de alta”, sei que vai demorar, mas as batalhas ficam menos difíceis com estas boas noticias, sei  que o caminho ainda é longo e penoso, mas com fé e a graça de Deus e Maria chegaremos lá.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Seis mãos

Fevereiro de 2014, boas notícias, a Maria Carolina e o Marcos vão se casar e o Marco Antônio e a Luana vem morar em Curitiba, finalmente estaremos todos juntos novamente. Abril de 2014, após alguns exames que deveriam ser um simples check-up,
recebi a pior notícia da minha vida: o Sergio tem câncer na cabeça do pâncreas e 3 a 6 meses de vida. Meu chão sumiu, a nossa vida passou em poucos segundos, como um filme em minha cabeça. E agora o que eu faço?choro, grito, sim, vou chorar muito e depois enfrentar com ele o que vier pela frente e assim foi, liguei para meus irmãos, minha mãe, contei tudo o que estava acontecendo, pedi que rezassem muito para Deus e Maria Passa na Frente, para que o Sergio se curasse e não me deixasse sozinha neste mundo e depois contei aos meus filhos, foi muito difícil contar a eles que o pai deles é meu amor teria tão pouco tempo de vida. Teve revolta, desespero, angústia, ansiedade, mas falei que revolta eu não aceitava, falei que se tivermos que passar por isso, passaremos todos juntos e com muita fé. Bem, passou alguns dias e o Sergio teve que ser operado de emergência para desobstruir o duto onde passa a bílis. Foi muito angustiante, mas passou. Ai veio a quimioterapia, foi muito forte, todas as quartas-feiras era dia de químio, foram 8 sessões, era muito sofrido, passávamos de 6 a 7 horas na Clínica, depois de 2 ou 3 dias vinha a fadiga, o Sérgio enfrentou tudo, fadiga, problemas intestinais, náuseas, muitos medicamentos. Ai chegou novembro, casamento da Carol e do Marcos no dia 08 de novembro e dia 10 de novembro voltamos ao hospital para a cirurgia para a retirada do tumor, essa cirurgia foi de enlouquecer, foram 10 horas de cirurgia, e depois direto a Uti por uns 6 dias, o Sergio enfraqueceu muito, ficou 25 dias sem comer nada, só soro e uma comida líquida que era por sonda. Mas enfrentamos tudo, juntos. De novembro até fevereiro, muita perda de peso, e sempre a fadiga. Fevereiro começamos novamente a químio e a radioterapia, também foi muito sacrificante, mas também passou, mais perda de peso. Agora ele ainda está fazendo químio por causa de uns nódulos muito pequeninos que apareceram no pulmão e também por causa do CA que continuava alto em fevereiro. Quero te dizer Sergio depois de tudo o que passamos juntos e com nossos filhos, genro e nora (que também são nossos filhos) , que depois de 1ano e 3 meses, aqui estamos, caminhando para a tua cura total, quero te dizer, que o meu amor por ti só aumenta, que tudo o que passares eu estarei sempre junto contigo. Quero que me perdoes porque as vezes, perco a paciência, por que tu não queres tomar o suplemento, porque tens que tomar muito remédio,  mas também preciso te dizer que do lado de cá não é nada fácil, ver você tendo fadiga, náuseas, etc. Preciso te dizer que sempre estarei com você, o meu amor por ti é eterno. E que de agora em diante tudo mudará, estaremos mudando de nossa casa para  nosso apartamento, teremos uma nova vida, novos vizinhos, muita criança por perto e estaremos à espera dos nossos netos. Vamos  ser felizes e passaremos por tudo o que está escrito com alegria e muita fé. Deus está no comando e Maria Passa na Frente, sempre resolvendo o que somos incapazes de resolver é assim chegaremos à tua cura completa. Te amo meu amor. Muito obrigada por existires em minha vida. Meus filhos obrigada por tudo. Lembremos sempre que estamos caminhando para a cura. Mais uma vez, te amo Sergio, nunca cansarei de dizer-te TE AMO.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

As relembranças da UTI

Minha filha amada me deu um livro de presente, “Bianca Toledo a história de um milagre”, no livro a autora conta sua trajetória depois do nascimento de seu filho quando a mesma teve uma infecção generalizada, por conta de uma perfuração intestinal, e esta jovem cantora gospel passou quase 60 dias em uma UTI, logo após o nascimento do filho, sem a possibilidade de vê-lo, tocá-lo, e literalmente entre a vida e a morte. Passou por paradas cardíacas, abdômen aberto durante toda a estada na UTI, coma profundo e a recuperação aos poucos, com o travamento dos movimentos, as mãos fechadas pelo tempo excessivo sem movimentos, enfim um sofrimento enorme.
O que eu passei nas duas estadas na UTI nem de perto foi o que ocorreu com esta jovem guerreira, entretanto a lembrança daqueles dias intermináveis em uma cama, refém de meu próprio corpo me levaram aos prantos, durante a leitura do livro, que fiz em um único dia.
Na primeira vez que fui para a UTI ao acordar dei gracas a Deus por estar ali, uma vez que a cirurgia para a retirada do tumor foi muito grande, e a possibilidade de eu ter “ido” era muito grande.
Não estava entubado, respirava normalmente, mas o desconforto era enorme. Sentia dores por todo o corpo, não conseguia me mexer, por mais que tentasse, e qualquer esforço parecia descomunal, por mais que fosse para erguer o braço.
Muita sede, não conseguia articular as palavras, e cada vez que via alguém passar próximo do meu “box” no. 17 pedia um pouco de água, sem ser atendido.
Não tinha a nocao do tempo o que me incomodava mais ainda, sabia apenas que era dia ou noite, e durante a noite os barulhos na UTI são imensos, aparelhos apitando o tempo todo, tanto os que me monitoravam, quanto os dos demais pacientes, percebia nitidamente os momentos de higiene dos pacientes, quando as equipes de enfermagem iam de leito em leito dar banho em cada um de nós, inertes, sem forças, e muitos dos meus “colegas” inconscientes.
Uma senhora próxima ao meu box não articulava as palavras, mas gritava muito o tempo todo, trazendo um clima mais pesado ainda naquele ambiente.
Quando chegava a minha vez, me sentia até feliz, alguém vai mexer meu corpo, vão me fazer virar de lado, fazer a barba, me dar uma gaze molhada com algumas gotas de água para amenizar a sensação terrível de sede.
Eram momentos quase sublimes, que renovavam as forcas para prosseguir. E a hora de visitas então, eram momentos mágicos, onde podia rever minha Bella Amada e meus filhos, nem que fosse por alguns momentos, e como passavam rápido.
Na segunda ida à UTI depois da hemorragia, a experiência foi pior, uma vez que tinham algumas pacientes que relutavam em cada procedimento, e além das reclamacoes dioturnas a própria equipe de enfermagem tinha que ter muita paciência no atendimento.
Como já havia tido a experiencia da primeira “viagem” na UTI, a segunda vez me parecia ser melhor, mas ledo engano, foi mais difícil, porque não sabia exatamente o que havia ocorrido, tinha consciência de que estava na UTI, que havia passado por algo extremamente grave, e que minha condição física me levaria a recuperação, que poderia ser muito lenta.
E de fato foi, fiquei na UTI por mais cinco dias, sem a condição de dominar meu corpo, e esta é a sensação mais difícil, você tenta com todas as tuas forças, mas não consegue mover uma perna, não consegue se virar de lado na cama, esta perdido em um leito sem saber que horas são, se chove se esta calor, enfim é uma sensação muito difícil e precisa de muita determinação e fé para superá-la.
Nao posso me comparar à situação da Bianca Toledo, fui muito agraciado por Deus e Maria por ter passado por poucos dias na UTI, mas certamente o que me fez chorar ao ler o livro foram a sensação de empatia com a experiência da autora, e as lembranças difíceis de ter que passar míseros cinco dias em uma UTI.
Não desejo a ninguém esta “aventura” mas por outro lado fico feliz e agradecido a Deus e Maria por terem me trazido de volta depois de duas cirurgias uma delas que quase me levou embora, e pelos recursos que hoje a medicina possui para salvar vidas.

Encontros

Sabe aquele encontro que estava escrito?
A mãe estava acompanhando o pai em mais uma consulta. Estava fazendo a segunda etapa do 3º ciclo de quimio.
Notou na recepção uma moça chorando muito.
Nessas horas a empatia fala muito alto. Minha mãe já viu aquela cena, e a moça chorosa era eu, a filha dela, um ano atrás.
Óbvio que ela foi falar com a moça.
Acho que assim como minha mãe sentiu necessidade de dar colo, a moça sentiu necessidade de falar. De contar sobre a dor que sentia.
E a história fez um filme passar na cabeça da mãe.
-Sabe, meu pai foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Inoperável. Situação muito difícil. Está fazendo quimio agora, mas estamos sofrendo muito, deseperançosos.
Lágrimas grossas escorriam pelo semblante dela.
Garanto que a mãe reviu aquela cena.
Eu sentada na mesma recepção, chorando, sendo confortada pelo médico maravilhosamente humano que dizia: deixa ela chorar, deixa. As lágrimas grossas descendo sem controle, sem vergonha, expressando a maior dor que eu já havia sentido. E ele lá, com as mãos nos meus ombros, como quem dissesse: estou com você. Vou fazer o melhor.
Ela engoliu... e começou...
- Olha, moça... Deixa eu te contar a nossa história.
E lá foi ela, narrando nosso milagre, como o pai havia conseguido ser operado meses depois do diagnóstico... E a moça foi se enchendo de esperança.
Enquanto ela era confortada, o pai dela passou por uma crise de pressão. Um sufoco que talvez seria demais para ela.
Dali a pouco a moça senta novamente ao lado da mãe. Olhar perdido.
Toma coragem e pergunta:
-Será que a senhora pode ir visitar meu pai?
E lá foi a mãe, encher aquele quarto de esperança, de vida e de alegria.
E, num golpe absoluto de sincronicidade, por estar aberta à oportunidades, acabou descobrindo o segredo daquele paciente para manter a imunidade em alta - geléia real.
O pai estava tendo dificuldade de fazer a terceira etapa de cada ciclo por causa das plaquetas.
A mãe foi altruísta, recebeu sua bênção.
Geléia real para dentro, imunidade em alta, terceiro ciclo da quimio concluído com louvor.
E Deus continua se manifestando em nossas vidas.
Vamos em frente!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O susto


Após a quimioterapia de segunda feira, comecei a me sentir mal, náusea, dor de cabeça, o que nunca havia tido, uma tosse seca, e uma sensação de mal estar diferente.
Na terça feira participei de uma reunião à tarde, mas não conseguia me concentrar, e voltei para casa.
Na quarta à tarde fui ao trabalho, mas comecei a piorar, me sentindo muito fraco e sem disposição.
Foi difícil atravessar a rua, caminhar uma quadra, enfim muita dificuldade em tudo. Chegando em casa verificamos a temperatura que estava 38,1, ou seja uma pequena febre, um possível indicativo de problemas.
Falamos com a médica e fomos ao consultório fazer exames de sangue e consulta. Os exames acusaram uma infecção e o pulmão estava carregado. A médica solicitou um raio X e conforme fosse o resultado o caminho era internação e tratamento com antibióticos fortes no hospital, o que me causou um mal estar.
A febre persistia, assim fomos fazer o raio X que acusou uma pequena infecção pulmonar, porém e graças a Deus e Maria, sem a necessidade de internação.
Tratamento iniciado, antibiótico, medicamento para febre, e à noite correu melhor, transpirei muito mas acordei com mais disposição, com a tosse ainda presente, porém sem dor de cabeca e  com mais ânimo.
Toda e qualquer situação diferente deve ser tratada imediatamente, para evitar a piora e consequências piores, assim continuo me tratando, com a “leoa” Tim no meu encalço, e graças a ela, que estou melhorando.
Agradeço a Deus e Maria pela melhora, e vamos em frente.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

As plaquetas parte III


Voltamos ao consultório para verificar a possibilidade de fazer a quimioterapia, há duas semanas não consigo fazer a bendita quimioterapia em função da baixa imunidade, plaquetas muito baixas e se fizer a quimioterapia os riscos são grandes de uma infecção, uma pneumonia etc.
Mas o resultado de hoje nos deixou felizes, o índice estava acima do mínimo, o que possibilita a quimioterapia.
Brinquei com as meninas da enfermagem que iria inaugurar as poltronas novas automatizadas, com controle remoto, modernas em um novo ambiente, na nova clínica, moderna, confortável.
Mas a reflexão que faço refere-se realmente a esta situação, ficar feliz por poder fazer a quimioterapia não é felicidade plena, é felicidade relativa por estar tendo a possibilidade de continuar o tratamento e não permitir que a doença se alastre, mas em meu íntimo o que eu realmente desejo  e anseio com muita fé é ouvir a seguinte frase;
“Você está de alta”
Tenho muita fé em Deus e Maria que em breve ouvirei esta frase, e aí sim minha felicidade será plena.
Enquanto não ouvir esta frase, continuo a luta ajudado e muitas vezes “empurrado” por todos aqueles que realmente me amam.
Não deixo de agradecer a Deus e Maria todos os dias de minha vida pela minha saúde mesmo que não seja plena, mas tenho a certeza que juntos e com fé superaremos esta doença terrível.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

As plaquetas parte II


Reiniciamos as sessões de quimioterapia, e já no primeiro ciclo, na terceria sessão uma “surpresa” que na verdade não era uma surpresa, o índice de plaquetas estava muito baixo, o mínimo necessario para a quimioterapia é de 100.000 e neste dia estava 25.000.
Frustração, desânimo, já na consulta com a médica, ao nos informar que não poderiamos fazer a quimioterapia em função do baixo índice de plaquetas. Cancelamos a sessao e retomamos o tratamento de repouso e alimentação.
Ao voltarmos para a consulta uma semana depois boas novas, o índice estava em 250.000 isto  graças a uma grande ingestão de pinhões no domingo anterior, com isto quimioterapia garantida e vamos lá. Recomecanos o ciclo.
Não que seja emocionante fazer quimioterapia, após as sessões, tres a quatro dias depois, o corpo se ressente, náuseas, fadiga, mal estar, dificuldades de respiração, mas tudo enfrentado com força e fé.
Fizemos duas sessões e antes da terceira voltamos a uma consulta com o Dr Marciano o cirurgião. Estava tudo ótimo, sentia uma alegria imensa de viver, ou de estar vivo, fui elogiado pelo médico, que após me avaliar clinicamente apenas disse que tudo estava correndo muito bem e que o tratamento deveria continuar normalmente.
Paradoxalmente o médico recomendou o seguinte:
Coma coisas pesadas, lasanha com muito queijo, molho de carne, feijão, arroz, batata, doces de modo geral, enfim tudo o que um médico não recomendaria aos seus pacientes.
Isto porque estou pesando 80 kg e com 1,90 m de altura me transforma em um “vara pau” como se diz aqui no sul.
Nossas principais dúvidas foram em relacao ao tatamento e se deveríamos fazer exames de imagem, ressonância, pet scan etc, e o CA para verificar o indice de câncer no sangue.
A resposta foi incisiva e direta, “ainda nao” e a justificativa foi compreendida rapidamente.
Não existe um “tumor” instalado, e sim uma indicação de células malignas no sangue, o que pode não significar nada. Pode ser um resultado da radioterapia, da quimioterapia que foi feita em conjunto com a radioterapia, e os exames de imagem poderiam não acusar nada, e se acusassem a indicação terapêutica seria a de continuar a quimioterapia. O CA alto indicaria a continuidade da quimioterapia, assim o melhor e fazer estes exames após as sessões de quimioterapia.
Assim fomos em frente sempre com muita fé em Deus e Maria que o CA esteja indicando uma doença ou pseudo doença química e não física.
Muita fé e determinação para enfrentar o que teremos pela frente, seja o que for.
Passado o final de semana voltamos à médica para a consulta de segunda e a última sessão do segundo ciclo, mas surpresa.... índice de plaquetas em 67.000, ou seja abaixo do índice mínimo de 100.000.
O risco de se fazer a quimioterapia com um índice tão baixo, é de que o organismo, já debilitado, fique mais enfraquecido ainda, vulnerável a qualquer doença. Uma simples gripe pode se transformar em uma pneumonia, uma infecção pode se transformar em algo muito grave, assim a recomendação é de “repouso”, “alimentação e alimentação”.
Frustrante, muito mais pelo temor de que a doenca progrida, e muito menos do que pelas reações  que já iniciaram no dia da consulta. Muita fadiga, mal estar, respiração curta, falta de vontade de tudo, não consigo me concentrar seja na simples leitura de um e-mail, seja ate mesmo um e-mail de “spam”.
Muito mais triste pela falta de reação do organismo o que me faz ficar apático e abatido.
Mas procuro descansar, comer, comer, mesmo que não aumente 100 gramas de peso, mas não me entrego. Sigo em frente com o apoio de minha amada, dos meus filhos amados, do genro e nora, e de todos os amigos que junto conosco pedem a Deus e Maria pela minha recuperação.

terça-feira, 19 de maio de 2015

VALEU RPCTV!

Saímos hoje no Bom Dia Paraná, numa reportagem falando sobre nosso blog.
O link é este aí embaixo.
Vamos divulgar esta luta para que outros pacientes tenham a certeza que temos:
É possível.
Você pode ter câncer mas não permita que ele tenha você nas mãos!
Lute, persista, e vença!
Grande beijo
http://g1.globo.com/pr/parana/bom-dia-pr/videos/t/edicoes/v/familia-cria-blog-de-apoio-a-luta-contra-o-cancer/4191119/

domingo, 10 de maio de 2015

Dia das mães!!!

Hoje é dia daquela que sustenta nossa luta. Graças a ela meu pai tem sido cuidado e mais cuidado ainda neste último ano. É ela que suporta todas as caras feias surgidas invariavelmente cada vez que ela prepara o suplemento. É ela que suspira bondosamente cada vez que surge uma reclamação por causa de um comprimido, uma injeção, uma dor. O trabalho da mãe e da esposa nem sempre é valorizado. Nem mesmo enxergado. Mas é graças a ele que tudo se sustenta. Quem mais aguentaria com resignação choros da criança, rebeldia do "adolescente", incongruência do jovem adulto, e a dor de assistir a partida de cada filho? Mãe o que você faz por nós e pelo meu pai ninguém mais faria. Perdoe se às vezes parece que a gente não enxerga. Não é por maldade. Você faz tudo parecer tão fácil. Mas hoje sei que não é. Sei que seu corpo todo, sua mente e seu espírito trabalham com um único desejo. A cura do pai. Tudo o que você faz por ele e, por consequência, por nós, é glorioso. Todas as suas preocupações são genuínas, válidas e respeitadas. Foi você que, junto com a força dele e com a bênção de Deus, devolveu nosso pai para nós. É você a grande responsável por esta luta e por este milagre. Minha amiga, pedaço da minha alma, eu te amo com todo coração.
Nunca no mundo haverá alguém mais digno e corajoso do que você. Aprendi contigo a vida toda. E muito mais neste último ano. Obrigada por tudo. Te amo, mãezinha.
Beijo

quinta-feira, 30 de abril de 2015

PARABÉNS GUERREIRO!!!

Hoje é dia de festa e alegria.
Dia de comemorar o aniversário do meu pai, daquele que Deus escolheu a dedo e com olhos bondosos para ser meu norte, meu guia, meu herói e meu mestre.

59 anos de sabedoria, bom humor, persistência e muita fé.
Paizinho, tenha certeza do quanto você é amado por Deus e por todos nós.
Não há no mundo alguem mais merecedor de glórias e milagres.
A cada dia você nos ensina a arte da paciência, colhe os frutos de seus bons pensamentos, e por isso continua melhorando, reavendo sua condição física, ressurgindo da tempestade mais turbulenta de nossas vidas.
Todos se inspiram pela sua fé.
Não há um só médico, aluno, amigo, parente que não seja apaixonado pelas suas histórias, e pelo homem glorioso que está por trás de cada uma delas.
Sua força absurda, com a graça de Deus, te sustenta e te conduzirá à vitória tão sonhada.
Eu te amo, sempre te amei profundamente. 
Mas passei a te amar sem amarras, sem vergonha, sem medida.
Se antes eu evitava falar de amor, dizer eu te amo, nossa luta me ensinou que não há nada mais lindo que amar, que o amor cura, restabelece, fortifica, acalma, amansa, glorifica e sustenta.
E se é algo tão lindo, porque não espalhar aos quatro cantos, soprar ao vento, plantar, semear, e colher?

Que Deus te dê a oportunidade de batalhar pela concretização dos seus sonhos, e que a gente possa estar sempre juntos, em família, caminhando lado a lado a cada passo.
Você nunca esteve e nunca estará sozinho.


FELIZ ANIVERSÁRIO!
Se empanturre de bolo, porque ao contrário de mois, você PODE TUDO!

Seja feliz, paizinho amado!!!
Sua felicidade é a nossa.
Grande beijo