Hoje fomos ao médico para dar início ao último ciclo de quimioterapias. Serão três sessões agora a cada 5ª feira.
As duas últimas semanas não foram fáceis, tive muita náusea, indisposição, fadiga, falta de orientação, no escritório percebi que o famoso pilar estava mais ágil, balançando de quando em quando, e aí parei para analisar a situação.
Após a radioterapia eu tinha a esperança firme de que o tratamento havia acabado, é claro que a pessoa com problemas de saúde deseja a cura total, tanto é que na consulta com o Dr. Marciano cheguei a perguntar quando iríamos tirar o catater, e lembro muito bem a cara de "pastel" dele ao receber minha pergunta.
Ele me passou que deveríamos seguir adiante com a quimioterapia, e depois de 6 meses ver o que aconteceria.
No fundo de minha alma eu queria ouvir que estava curado, desconsiderei a real gravidade do meu problema, que deveria ter me levado à morte em setembro de 2014, voltei me sentir o "super homem" do início de um livro que estamos escrevendo. Superei minha fé, acreditei mais em mim do que em qualquer outro fato real, e principalmente nos desígnios de Deus.
Desejava poder parar com o sofrimento das sessões de quimioterapia, das "picadinhas" de agulha para coleta de sangue, da introdução da agulha no peito onde está o catater para a quimioterapia, dos exames de imagem, com contraste, e novas picadas, do desconforto de passar por máquinas imensas que parecem que vão te derreter, te engolir, te mandar a outra dimensão sem volta.
Logo após a consulta chorei muito sozinho, porém parei para pensar e lembrei de algo muito importante, quem decide a hora certa não é o Sérgio, a Bellinha, quem quer que seja, quem decide a hora certa é Ele, Deus, e se eu devo continuar, é por alguma razão que só Ele sabe, e eu saberei também.
E realmente ao longo das sessões e dos exames verificamos um aumento nos nódulos dos pulmões que devem ser tratados com a quimioterapia, ao longo do tratamento alguns já estavam necrosados, assim Deus me mostrou suas razões, eu entendi e pedi perdão pela minha soberba.
Talvez esta fase seja a mais difícil para mim, pela sobrecarga de medicamentos, afinal a quimioterapia prejudica células ruins e células boas, debilitando o organismo do paciente, mas mesmo com maior sofrimento estou ciente que devo seguir adiante e aguardar pela frase final da cura total, que com fé em Deus e Maria virá, no tempo DELE.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
O último ciclo da quimioterapia. O que virá depois??
sábado, 22 de agosto de 2015
Quase no último ciclo!!!
Segunda deveria iniciar o último ciclo da quimioterapia, e para evitar as surpresas da última vez, quando ficamos até as 16:00hs para concluir a sessão, fomos fazer o exame de sangue na sexta feira, assim ao chegarmos a consulta iríamos com os resultados e iniciaríamos a sessão em seguida.
Durante as duas últimas semanas senti que o corpo deu sinais de cansaço maior do que das outras vezes, a fadiga foi muito forte, náuseas constantes, enjôo, mal estar, enfim sensações desagradáveis que me fizeram passar os últimos dias entregue e preocupado.
Decidimos passar o final de semana na praia, deixamos Curitiba e fomos ao litoral com tempo, sem pressa, porém ao chegarmos para atravessar a balsa, fomos pegos por uma manifestação dos pescadores, e a travessia estava parada. Isto desde as duas horas da tarde. Como não sabíamos tínhamos de tomar uma decisão; ou voltávamos a Curitiba ou aguardavamos. Decidimos aguardar e ver no que dava. Voltar a Curitiba significava rodar 120 km, e se decidíssemos ir a praia pela outra estrada seriam mais 120 km, assim nossa opção foi aguardar.
Por precaução tinha comprado água, balas, e duas barrinhas de banana com chocolate, a água foi quase toda, os dois tubinhos de bala também, uma das barras idem, e depois de duas longas horas conseguimos atravessar a balsa.
Por mais que ficar sentado sem nada para fazer, esta experiencia me desgastou bastante, cheguei em casa extremamente cansado, com a respiração curta, com fome, apesar das balinhas, e ansioso por comer algo e descansar.
Fomos jantar e acabamos comendo frutos do mar mas a comida estava pesada, gordurosa, e acabou pesando no estômago. Ao chegar em casa mal consegui ler meus e-mails, não conseguia me concentrar na TV, e fiquei muito feliz pelo convite da Bellinha para irmos dormir, isto por volta de 22:30hs.
A noite não foi agradável, dormimos mal, mas acordei pela manhã revigorado, quase inteiro.
Entendo que minhas atividades nas duas últimas semanas foram um pouco além da conta, participei de eventos, trabalhei mais do que havia combinado com a empresa, mas estava me sentindo confiante, entretanto pelas reações tive a certeza que preciso me cuidar mais, não exagerar, pois o corpo paga o preço do exagero.
É possível que a expectativa de fazer o “último” ciclo, possa ter me induzido a querer estar bem logo, o que de fato não ocorreu, e só vai ocorrer se todas as condições forem favoráveis, se o corpo de fato reagir como deveria, e se o paciente tomar os cuidados devidos.
As sensações destas duas últimas semanas foram muito mais brandas do que as do início do tratamento, porém as consequências foram maiores, a fadiga, a exaustão o mal estar realmente “pegaram”.
E o que fazer nesta hora?
O que deve ser feito, lutar, reagir, não se entregar, aprendi ao longo dos tratamentos que passei, um deles com relação com o Reiki que a cura deve ocorrer de “dentro para fora” ou seja, o seu corpo deve querer a cura, você deve comandar seu corpo de modo que ele, seu corpo, reaja internamente querendo a cura, agindo de dentro para fora, expulsando o mal, curando.
Fiz e faço este exercício constantemente e esta semana fiz e refiz diversas vezes. Confesso que não é fácil, você empurrar a si mesmo ladeira acima, sem forças, e olhar a ladeira e vê-la interminável, não é fácil, mas e se eu não fizer quem fará por mim?
Comande sua vontade, faça, aconteça, não se entregue jamais, mesmo que possa parecer interminável, inacabável, e que pareça que você não tem forças para isto, você tem, se quiser, você consegue, se assim o desejar, desta forma, deseje, atue, faça acontecer.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Quase lá!
Em poucos dias inicio o último ciclo da quimioterapia, serão mais três sessões, antes dos novos e decisivos exames de imagem. Esta sessão é a mais crucial uma vez que estes exames irão demonstrar meu estado de saúde, a evolução ou não nos nódulos do pulmão, mesmo sendo milimétricos, preocupam. Existem opiniões a considerar dos médicos, a Dra. Mônica fala que estes nódulos podem ser da rádio terapia, do resultado da quimioterapia, uma vez que muitos estão necrosados, isto pode significar que a quimioterapia fez seus efeitos esperados, entretanto o Dr. Marciano, como sempre foi mais conservador, disse tambem que pode ser o efeito da radioterapia, da quimioterapia, e que estes nódulos tem a necrose, etc etc.
Mas mesmo assim o maior interessado, ou seja EU, preciso pensar e entender bem o que está acontecendo e, principalmente, o que pode acontecer.
Obviamente que a frase que eu mais anseio ouvir neste mundo e “você está de alta”, mas sei que esta frase vai depender de uma série de situações, e dos resultados destes decisivos exames.
Como qualquer pessoa na minha situação precisa pensar em todas as possibilidades, tenho muita fé, passamos por muita coisa, superamos muitos obstáculos imensos, e estou aqui, gracas ao apoio de todos, porém o futuro é incerto, e a Deus pertence.
Mas a perspectiva futura, confesso, me assusta, estamos bem, graças a Deus, conseguimos ajustar muitas coisas em relação a vida financeira futura, mas mesmo assim muitas coisas ainda estão indefinidas, e preciso me preparar para o que está por vir.
Uma possibilidade é que deva continuar o tratamento, uma vez que ainda precisamos combater os nódulos existentes, outra e que poderemos fazer o acompanhamento a cada período, sem a necessidade de novas quimioterapias. O que seria a melhor das situações; outras possibilidades? Sinceramente não sei, não consigo imaginar muita coisa alem disto, ou talvez não queira imaginar nada alem disto, não por medo, mas sim por ter fé na cura total, no milagre da cura total.
Mesmo assim o futuro me preocupa e muito.
O que fazer então?
Sinceramente não sei, tento olhar da melhor maneira possível, aceitar os desígnios de Deus e seguir em frente, muitas pessoas me falam que a razão por eu estar vivo é que estou atendendo um propósito de Deus, que existe uma razão maior para minha vida, o que eu acredito, e explico porque.
Quando descobrimos a doença éramos uma família “normal”, vivendo cada um sua vida, tendo as preocupações normais com cada um de nós, porém sentia que não éramos tão unidos como somos agora. Eu me dedicava cada vez mais ao trabalho, deixando todos de lado, preocupado comigo mesmo, e com a descoberta da doença nos reencontramos, nos vimos vivendo uns para os outros, e pelos outros, o trabalho deixou de ser o mais importante para ser apenas importante, reencontrei Deus, Maria e a fé, que eu sempre tive, mas talvez, como todas as outras coisas, estava “adormecida”.
Valorizamos os amigos, os verdadeiros amigos, e descobrimos como temos amigos, e parentes amigos. Não apenas primos, tios, irmãos, mas entes queridos que vinham me ver, acompanhavam a evolução ou mesmo a involução do meu estado de saúde. Passamos juntos por crises como a segunda cirurgia, a hemorragia, as estadas na UTI, as longas estadas no hospital, e as pequenas vitórias, como quando consegui pela primeira vez caminhar na calçada por “imensos” 20 metros.
Sair da cama para receber amigos, mesmo com muita dificuldade, era para cada um de nós uma vitória, almoçar e jantar de modo quase normal, era uma vitória, e a primeira vez que pude saborear um churrasco então, percebia a alegria no olhar dos meus entes queridos, ao me ver saboreando algo que sempre foi tão prazeroso para mim.
Mesmo que não sentisse o sabor apurado dos alimentos, apenas a tentativa era vista como uma vitória não para mim, mas para todos nós.
Hoje ainda não sinto o sabor pleno dos alimentos, ainda tenho fadiga, náusea, diarréia, e oro a Deus para que isto um dia passe, mas não depende de mim e sim Dele, e aceito Sua vontade.
Tenho muita fé que meu dia de “alta” virá, quando? Não sei, e nem podemos afirmar que virá, mas seja o que for o que estiver para vir, vamos em frente.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Fadiga larga do meu pé!
Última sessão de quimioterapia do penúltimo ciclo, rotina normal do dia da quimioterapia.
Como faço a sessão às segundas feiras, nosso dia comeca cedo, com a coleta de sangue para os exames de plaquetas etc, café da manhã e seguimos para a clínica uma vez que a consulta e por volta de 10:00hs.
Aguardamos o horário da consulta, fomos atendidos pela médica, e eu questionei se poderia viajar no final do ano.
Em 1974 fui estudande de intercâmbio nos USA, morando no Estado de Missouri por 6 meses, e eu e meus antigos colegas de escola estamos nos organizando para reencontrar a turma,
Éramos em cerca de 120 jovens na faixa de 17 anos, vivemos boas aventuras, principalmente eu vindo da América Latina e vivenciando o “american way of life”.
Imagino reencontrar esta galera depois de 41 anos, todos barrigudos, carecas, enfrentando as agruras naturais da velhice, mas agradecendo a Deus por estarmos vivos.
Pois bem pedi a ela se poderia me organizar para a viagem, e ela pediu para aguardar mais um pouco, precisamos estar seguros que poderei enfrentar uma viagem desgastante de pelo menos 8 horas de vôo, mais viagens internas longas e em um país diferente, sem o apoio e o acompanhamento dos médicos que estão me assistindo.
Na verdade eu queria verificar esta possibilidade, e tenho fé em Deus que poderei fazer esta viagem.
Entretanto o dia não foi como esperado, os resultados dos exames não ficaram prontos no momento da consulta, assim tivemos que aguardar o envio pelo laboratório, o que ocorreu próximo ao meio dia.
Exames em ordem, vamos à sessão. A clínica fica afastada da cidade, sem muitos recursos, como restaurantes próximos, a não ser em um shopping, porém sair ir ao shopping e voltar não teríamos tempo para a sessão, assim pedimos um sanduíche na clínica e fomos à sessão.
Até a preparação do medicamento, e início do processo conseguimos concluir a sessão por volta de 16:00hs.
Não imaginava que ficar sem o almoço, comer muito tarde, me faria o que fez.
Cheguei em casa por volta de 16:00hs, já muito cansado, e os dias seguintes foram cada vez piores. Muita fadiga, mal estar, sensação de instabilidade física, como se tivesse com labirintite, e isto ocorreu por pelo menos três dias.
Hoje 4 dias depois, estou me sentindo melhor, fraco ainda, mas sentindo a força voltar aos poucos.
O que preocupa ainda é a perda de peso, nesta semana voltei a perder 2 kilos, o que parece muito pouco, mas no meu caso significa muito.
Com todo este turbilhão de sensacoes, me sinto fortalecido principalmente na parte espiritual, a parte física debilita, enfraquece, causa mal estar, mas por outro lado obriga você a lutar a jamais se entregar.
Somente aqueles que passam por este processo podem compreender o que é sentir mal estar uma semana seguida, fraqueza, tontura, náusea, e não apenas durante um período de uma ou duas horas, mas de uma semana. Fico abismado com pessoas que ao sentirem uma dor de cabeca correm ao médico e chegam na empresa no dia seguinte com um atestado.
Por diversas vezes saí da quimioterapia e fui ao trabalho, por “teimosia” em permanecer vivo, e produtivo.
Muitas vezes sinto que o pilar do prédio onde trabalho balança, se movimenta, o que de fato não ocorre, porém eu continuo ali firme e forte segurando o pilar para que ele não se movimente.
Este é o sentido da vida, jamais entregar-se, jamais deixar de ter fé e crer que tudo estará ocorrendo pelo melhor, seja este melhor o que seja, mas no que depender de minhas atitudes não me entregarei, porque sei que Deus e Maria estão comigo.