quarta-feira, 20 de maio de 2015

As plaquetas parte II


Reiniciamos as sessões de quimioterapia, e já no primeiro ciclo, na terceria sessão uma “surpresa” que na verdade não era uma surpresa, o índice de plaquetas estava muito baixo, o mínimo necessario para a quimioterapia é de 100.000 e neste dia estava 25.000.
Frustração, desânimo, já na consulta com a médica, ao nos informar que não poderiamos fazer a quimioterapia em função do baixo índice de plaquetas. Cancelamos a sessao e retomamos o tratamento de repouso e alimentação.
Ao voltarmos para a consulta uma semana depois boas novas, o índice estava em 250.000 isto  graças a uma grande ingestão de pinhões no domingo anterior, com isto quimioterapia garantida e vamos lá. Recomecanos o ciclo.
Não que seja emocionante fazer quimioterapia, após as sessões, tres a quatro dias depois, o corpo se ressente, náuseas, fadiga, mal estar, dificuldades de respiração, mas tudo enfrentado com força e fé.
Fizemos duas sessões e antes da terceira voltamos a uma consulta com o Dr Marciano o cirurgião. Estava tudo ótimo, sentia uma alegria imensa de viver, ou de estar vivo, fui elogiado pelo médico, que após me avaliar clinicamente apenas disse que tudo estava correndo muito bem e que o tratamento deveria continuar normalmente.
Paradoxalmente o médico recomendou o seguinte:
Coma coisas pesadas, lasanha com muito queijo, molho de carne, feijão, arroz, batata, doces de modo geral, enfim tudo o que um médico não recomendaria aos seus pacientes.
Isto porque estou pesando 80 kg e com 1,90 m de altura me transforma em um “vara pau” como se diz aqui no sul.
Nossas principais dúvidas foram em relacao ao tatamento e se deveríamos fazer exames de imagem, ressonância, pet scan etc, e o CA para verificar o indice de câncer no sangue.
A resposta foi incisiva e direta, “ainda nao” e a justificativa foi compreendida rapidamente.
Não existe um “tumor” instalado, e sim uma indicação de células malignas no sangue, o que pode não significar nada. Pode ser um resultado da radioterapia, da quimioterapia que foi feita em conjunto com a radioterapia, e os exames de imagem poderiam não acusar nada, e se acusassem a indicação terapêutica seria a de continuar a quimioterapia. O CA alto indicaria a continuidade da quimioterapia, assim o melhor e fazer estes exames após as sessões de quimioterapia.
Assim fomos em frente sempre com muita fé em Deus e Maria que o CA esteja indicando uma doença ou pseudo doença química e não física.
Muita fé e determinação para enfrentar o que teremos pela frente, seja o que for.
Passado o final de semana voltamos à médica para a consulta de segunda e a última sessão do segundo ciclo, mas surpresa.... índice de plaquetas em 67.000, ou seja abaixo do índice mínimo de 100.000.
O risco de se fazer a quimioterapia com um índice tão baixo, é de que o organismo, já debilitado, fique mais enfraquecido ainda, vulnerável a qualquer doença. Uma simples gripe pode se transformar em uma pneumonia, uma infecção pode se transformar em algo muito grave, assim a recomendação é de “repouso”, “alimentação e alimentação”.
Frustrante, muito mais pelo temor de que a doenca progrida, e muito menos do que pelas reações  que já iniciaram no dia da consulta. Muita fadiga, mal estar, respiração curta, falta de vontade de tudo, não consigo me concentrar seja na simples leitura de um e-mail, seja ate mesmo um e-mail de “spam”.
Muito mais triste pela falta de reação do organismo o que me faz ficar apático e abatido.
Mas procuro descansar, comer, comer, mesmo que não aumente 100 gramas de peso, mas não me entrego. Sigo em frente com o apoio de minha amada, dos meus filhos amados, do genro e nora, e de todos os amigos que junto conosco pedem a Deus e Maria pela minha recuperação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário