terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O recomeço


Hoje 23 de fevereiro de 2015 inicio uma nova fase de minha vida, fiz a última sessão de radioterapia, carinhosamente chamada por mim de sessão microondas.
Antes de iniciar as sessões foram feitas marcações em meu corpo, que me acompanharam nestes 35 dias.
As marcas servem para que o aparelho acerte o “alvo” das radiações, assim me senti a própria “tauba de tiro ao Álvaro” da música famosa de um antigo grupo musical denominado Demônios da Garoa, assim eu era o alvo, e as radiações me acertavam a cada sessão.
Na ultima semana passei mal, muita indisposição, desarranjo intestinal, fadiga, enjôo, três dias após a quimioterapia.
O final de semana foi o pior com a sensação de cansaço, e mal estar, mas enfrentei pensando no encerramento de mais esta etapa.
Ao chegar na clínica pela manha estava nervoso, ansioso, mesmo sabendo dos procedimentos de cada sessão.
Chegar, tirar aliança, relógio, carteira, camisa, guardar no porta objetos da clínica, colocar o quimono branco guardado no escaninho número 20, medir o peso, e aguardar sentado até que fosse chamado.
Ao chegar o atendente, sempre muito simpático, as palavras dele ecoavam longe, prestei atenção mas estava com a cabeça em outro mundo.
Fomos ao microondas, me posicionei na maca, a radioterapeuta e a física me prepararam, uma delas a Natália, enteada de um dos autores de nosso livro da ACP, pequenina mas de uma forca impressionante, me puxava sobre a maca, empurrava, ate que eu chegasse na posição ideal para o início da sessão.
Olhei para aquele teto com as imagens de peixes do mar, corais, tentando não ouvir as paradas da máquina, o grande monstro com aquela garra enorme, se posicionando em seis posições e a cada parada a campainha que soava longa, interminável.
Ao final da sessão, fui acompanhado ate o vestiário, antes me despedi de todos com um longo abraço e beijos nas meninas, ao chegar e pegar minha camisa, chorei compulsivamente sozinho no banheiro, agradecendo a Deus e Maria esta nova oportunidade de vida.
Depois de alguns minutos me recompondo saí fui me despedir das atendentes de enfermagem, chorando muito  e que também sempre foram muito simpáticas durante todo o tempo. Depois fui encontrar minha Bellinha, guerreira desde o inicio e a quem devo minha vida, assim como meus filhos, nora, genro e todos os que rezaram e ficaram preocupados comigo.
Saí na certeza de ter alcançado uma graça, renasci no momento em que deixei o “monstro” que me irradiava raios nocivos a minha saúde, mas também nocivos ao meu mal.
Tenho certeza da cura, e agradeço muito a Deus e Maria por esta nova oportunidade de vida.
As próximas etapas são realizar todos os exames para confirmar a cura, recuperar a saúde de forma total, voltar a trabalhar, ministrar aulas, enfim, reviver com a graça de Deus e Maria.
Nova vida novas certezas, novas oportunidades, que Deus e Maria ja me proporcionaram com oportunidades e ofertas de trabalho novas e muito interessantes neste final de semana e hoje mesmo.
Aos que enfrentam este mal, eu recomendo, e não aconselho, pois conselho é algo que se dá sabendo da situação de cada um, assim recomendo sempre, lute pela sua VIDA, depende só de você, e claro com a ajuda de pessoas que te amam, mas estas pessoas não podem agir por você, seja forte, enfrente de cabeça erguida, por mais difícil que seja, saiba de uma coisa, vai passar, e você consegue superar.
Deus e Maria os abençoem.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Essa figura me representa


No início dos anos 2000 atravessávamos uma crise financeira muito forte, trabalhava em uma Faculdade que pagava pouco e não pagava em dia. Ministrava aulas de pós e alguns contratantes demoravam para pagar, e em alguns casos tive calotes memoráveis.
Nossos filhos estudavam em escolas particulares e Universidades privadas assim a situação estava caótica, porém descobri esta figura que me representa desde aquela época.
A situação financeira melhorou, graças a Deus, mas também descobri o significado da palavra resiliência, que também relembro de quando em quando.
Todos nós passamos por crises, problemas, porem na questão saúde tive uma paralisia facial em 2011 (síndrome de Bells) que me atrapalhou muito o dia a dia, não conseguia fechar o olho direito, sentia uma espécie de “anestesia” como aquelas que a gente toma ao tratar um dente, você não sente a boca, morde a bochecha, a língua, um desconforto muito grande. Nesta época fazia os exercícios recomendados pela fisioterapeuta, dentre eles soprar “língua de sogra”, encher balões, assoprar em canudinhos, forcar a movimentação das bochechas, em frente a um espelho. Figura caricata a minha fazendo tudo isto, REGULARMENTE e constantemente.
Mas graças a esta determinação me curei da tal Síndrome de Bells, só que não esperava o tumor no pâncreas.
Este foi campeão, com certeza e exigiu de mim toda a obstinação, determinação, garra e vontade de viver.
Não foi nada fácil, uma coisa é ter paralisia facial, outra e saber que você pode estar morto em poucos meses. Mas analisando a situação toda, percebi que não poderia deixar aqueles que me amam, e que estavam sofrendo junto comigo. Nós fazíamos os exames, nós fazíamos as quimioterapias, tomávamos TODOS os remédios recomendados, alguns de sabor completamente intragável, como o “licor de babosa”, enfim fazíamos e fazemos sempre juntos.
Decidi então VIVER, obviamente com a ajuda de Deus e Maria que sempre me ampararam e me amparam ate hoje.
Tive momentos muito dolorosos, difíceis, de não ter forças para atravessar uma rua, de não conseguir subir em um automóvel, de não conseguir comer, pois os alimentos não tinham sabor, cheiro, por mais esmerada que minha Bellinha fosse. Mas para seguir vivendo, em respeito a ela, e a todos, eu comia a elogiava a comida preparada com tanto amor.
Ganhei forças com meus filhos, bastando olhar para eles e minha nora e genro, vendo o amor a mim dedicado, a preocupação e o cuidado comigo.
Não apenas eles, mas todos os amigos e parentes amigos que vieram me ver, trazendo a amizade, a paz e a certeza da vitoria.
Estamos muito próximos de ouvir a frase que mais anseio em toda a minha vida, que e “você está de alta” e que deve ocorrer nos próximos dias. Terminamos a ultima quimioterapia ontem, segunda feira terminaremos a radioterapia, e depois disto tudo, com as bençãos de Deus e Maria faremos apenas o acompanhamento a cada seis meses.
Sempre acreditei muito na cura total, e tenho certeza que Deus e Maria irão me proporcionar esta graça, que só foi obtida pelo amor recebido e pela obstinação, determinação, teimosia, chatice, resiliência, enfim a figura mostra este sentimento.
Para aqueles que estão enfrentando um problema semelhante peço que Deus e Maria os abençoe e recomendo que sua opção seja pela vida, VIVA não se entregue jamais, você é um vencedor, tenha esta certeza.
Que Deus os abençoe e guarde.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pós cirúrgico e radioterapia. Carinhosamente... Microondas


Os dias após a última internação passaram devagar, com muita ansiedade, e em muitos momentos desânimo pois as forcas pareciam não voltar.
Mas com fé em Deus e em Maria consegui aos poucos ir recuperando as energias, gracas à luta árdua da Bellinha e o apoio dos filhos.
Passamos o Natal e o ano novo, sem muita movimentação, e ansiosos pelo início do tratamento de radioterapia.
Fomos à consulta com o Dr Marciano, que me deu “alta” do tratamento pós cirurgia, e pediu o retorno a cada 30 dias.
Consultamos a Dra Mônica que indicou a clínica de radioterapia, onde fomos agendar a consulta inicial com o Dr Henrique. O tratamento inclui quimioterapia e radioterapia, sendo que a quimioterapia por infusão, ou seja ficarei com a bolsa de infusão durante uma semana e a radioterapia ocorre diariamente em 25 sessões. A quimioterapia ocorrerá na primeira e na última semanas, assim o desconforto não será muito grande.
Na consulta com o Dr Henrique, ele nos colocou que a radioterapia é um procedimento que “esteriliza” o local onde foi feita a cirurgia, sendo que a quimioterapia complementa o tratamento, mas a radioterapia não é obrigatória, depende do desejo do paciente. Irá causar desconforto, e não necessariamente deve ser feita, mesmo que o paciente inicie o tratamento o mesmo pode ser interrompido ao longo das aplicações, dependendo da vontade do paciente.
Decidimos por fazer a radioterapia para termos a certeza dos resultados.
Para se fazer a radioterapia é necessário fazer uma tomografia, para delimitar o local das aplicações, e são feitas marcas a caneta no corpo para que o paciente fique posicionado sempre no mesmo local para que a máquina possa emitir os raios nos locais certos.
Para este posicionamento o paciente e colocado na maca, onde serão feitas as aplicações, em um “colchão” com materiais que parecem bolinhas de isopor, este material reage quimicamente após o posicionamento do paciente e o “colchão” fica rígido. Assim sempre que for fazer as aplicacoes vou utilizar este colchão.
Fiz as marcações, a tomografia e ficamos no aguardo da data do início das sessões. Como estavamos na época de final de ano, só conseguimos comecar o tratamento no dia 12-01.
Assim fomos passar uns dias na praia, na companhia de nossa “neta adotada” Antônia, seus pais Taísa e Antônio, a Nei minha cunhada, minha Carol e seu marido Marcos.

O início do tratamento
Primeira sessão “che paura” curiosidade, ansiedade, o novo sempre traz preocupações, mas lá fomos nós.
Fui colocado no tal colchão, foram feitas radiografias e iniciaram-se as aplicações. Cerca de 5 minutos depois fui liberado, pensei comigo é isto? E só isto?
Pela manha fomos colocar a quimioterapia e após a radio voltamos para casa.
A semana correu sem transtornos, sem reações, apenas o incômodo da bolsa de infusão, e na sexta feira novidades não muito boas, a tal bolsa de infusao não injetava o remédio, fomos à clínica e os enfermeiros tentaram ajustar para o funcionamento.
No sábado percebemos que a bolsa não funcionava mesmo, assim passei o final de semana carregando a tal “pochete” todo o final de semana.
Porém tivemos um fato desagradavel na sexta feira, pegamos os resultados dos exames, e o indice de CA estava em 70, sendo que na ultima aferição estava em 10 e o normal é até 30.
A Bellinha foi falar com a médica, e a mesma apenas passou uma informação pela secretária que precisava falar com a Bellinha, “sozinha” mas apenas na segunda feira.
A Bellinha entrou em desespero, eu não me preocupei, assumindo que esta alteração poderia ser em função da radioterapia.
Na sexta feira à tarde fomos fazer a radioterapia e encontramos o Dr Henrique que nos tranquilizou em relação ao resultado, segundo ele este valor foi “insignificante” uma vez que a radioterapia ao emitir os raios no corpo altera muitas células, e mascara os resultados dos exames.
A Bellinha passou o final de semana angustiada mesmo com as palavras do Dr Henrique.
Na segunda feira voltamos à clínica da quimioterapia e a Bellinha foi falar com a Dra. Mônica enquanto eu fazia a aplicação da quimioterapia restante na bolsa de infusão pelo catéter.
A conversa não foi amena, e não trouxe nada animador, pois segundo a Dra. Mônica havia surgido um ponto, o que ela não falou ou não sabia é que este ponto havia sido retirado na cirurgia.
Informação confirmada pelo Dr. Marciano na consulta naquela semana.
Isto tranquilizou a Bellinha e confirmou minha tranquilidade em relação a tudo.

Voltamos à radioterapia;
Continuamos com as sessões diárias, e as reações comecaram a surgir, na segunda semana muita fadiga, desânimo, náuseas, dores no abdômen, que passarm ao longo dos dias.
Após a décima sessão os sintomas continuam de fadiga, dessaranjo intestinal, mas felizmente o apetite voltou, o sabor dos alimentos é perceptível, me alimento bem, porém em função da radioteraopia perdi peso, e não estou recuperando. Estou mantendo o peso em torno de 92 kg, ou seja 12 quilos a menos do que antes da cirurgia.
Estamos quase na metade das aplicações e com fé e coragem vamos vencer mais esta etapa.