Existem muitas formas de se encarar a vida. Se olharmos para um copo preenchido com a metade de qualquer liquido podemos enxergar que falta metade para ser preenchido ou que metade foi consumida. Se olharmos com a visão de que metade foi consumida e resta apenas a outra metade, estamos sendo pessimistas, entretanto se olharmos com a visão de que existe espaço para mais uma metade estaremos sendo otimistas, ou talvez realistas.
Eu me mantenho sempre sereno, com fé no que virá, seja o que vier saberei enfrentar, assim sempre olho para o copo considerando que tenho muito o que fazer, mas atento e sereno em relação ao meu destino.
Fiz esta introdução para falar da queda do índice CA, exatos um mês e meio sem quimioterapia o índice reduziu para 121. Era 157, no penúltimo exame estava em 370, e já esteve em 1500. Longe ainda de atingir o índice ideal de 33, porém uma redução considerável, principalmente levando-se em conta que não estou tomando nenhum medicamento químico para o combate a doença.
Desde o início tenho mantido a calma e a tranquilidade com fé e muita resignação, aceitei esta situação e procurei desde o início me adaptar a esta nova e dura realidade, pedindo sempre pela cura total do mal.
Não sei se é o que eu desejo que irá acontecer, depende da vontade de Deus, mas tenho feito minha parte, que é cumprir as determinações médicas, aceitar as terapias alternativas que estou sendo submetido, sempre com fé e confiança e talvez e principalmente alegria. Alegria mesmo quando tive que tomar o tal “suplemento” uma mistura horrorosa de um pó com gosto horrível, que hoje, graças a Deus, foi substituído pela manga com mel, de sabor agradável e muito aceitável.
Mesmo as tais gotas que tomo hoje, de sabor indescritível (ruim) são engolidas com cara boa (pelo menos na minha aparência pessoal), fazem parte do meu dia a dia.
Talvez por isto tenho conseguido me manter, seguindo o que a Bellinha e a Carol (principalmente) me fazem tomar, mas sempre com garra, determinação e fé.
Se fosse responder “o que me fez chegar ate aqui” eu diria, TUDO, a fé em primeiro lugar, a determinação ou talvez a obstinação, a capacidade de ser resiliente, e o suporte das pessoas amadas.
Por isto a calma, a tranquilidade e a aceitação de uma condição que não é a das melhores, mas é a melhor condição que tenho hoje, e sempre pensando que amanhã será melhor, que o próximo dia será melhor ainda, mesmo que não seja, como ocorreu diversas vezes. Enquanto escrevo estas linhas me sinto mais fraco, tive tonturas pela manhã, sentia que o chão fugia dos pés, mas este não era um motivo para não manifestar minha alegria pelo resultado tão favorável da redução do índice CA, afinal sempre haverá espaço para um copo meio vazio.
Fé determinação e resiliência assim vou levando a vida.
domingo, 31 de janeiro de 2016
Nova queda do índice CA, novas esperanças;
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
A nova consulta
Com os resultados dos exames onde o índice de CA havia caído para 157, (era 360+-) e com o resultado de que o líquido na pleura não é maligno, fomos consultar nossa médica, com a esperança renovada, uma sensação de otimismo e tranquilidade que há muito tempo não tinha.
A médica examinou os resultados dos exames, reanalisou, olhou-me com uma cara pensativa e disse;
“Estudei muito seu caso, procurei na literatura casos como o seu para tomar algumas decisões, porém não existe uma literatura com uma situação como a sua”
Existem dois lados desta moeda, o lado positivo é que este é um caso raro na medicina, um verdadeiro sobrevivente, pois na grande maioria dos casos o resultado é o óbito.
A doença se instala no pâncreas e ao longo do tempo as famosas reincidivas ocorrem, a doença se instala nos pulmões, no fígado, no intestino, ou em outros órgãos e que levam à morte.
O lado negativo é que a grande maioria dos pacientes com este tipo de doença não conseguem superá-la, e acabam indo a óbito.
Ficamos discutindo as possibilidades, se reiniciávamos a quimioterapia, e se fosse o caso, que tipo de quimioterapia, uma vez que não existem sinais de doença instalada, ou aguardaríamos um período para ver a evolução dos índices e do líquido na pleura.
Tomei a iniciativa e pedi à médica que me poupasse de novas sessões de quimioterapia, pois me sinto muito debilitado, cansado fisicamente e mentalmente, passei o Natal com extrema fadiga, e mesmo depois de um mês ainda sinto e muito o efeitos da agressão medicamentosa da quimio.
Felizmente ela concordou e vamos aguardar até o inicio de fevereiro para tomar novas decisões, neste meio tempo vamos fazer exames de imagem e sangue para acompanhar a evolução ou a esperada involução do índice de CA e do líquido na pleura.
Mais uma vez ou talvez como sempre sigo confiante, em paz e tranquilo, não necessariamente considerando a cura total, sendo esta a esperança maior, mas principalmente em paz pelo que há de vir, seja o que for, sei que será pelo melhor.
Sinto-me menos cansado, mais fortalecido física e espiritualmente, principalmente em paz sendo acompanhado de perto pela família e principalmente pela Bellinha que cuida de mim diuturnamente, mas tenho conseguido escapar deixando ela no litoral e vindo trabalhar durante a semana. Esta é uma forma de me manter ativo e independente, preciso dela e de todos sim, com certeza, mas preciso também me ajudar, me recuperar, agir e me manter ativo, ou ainda “positivo e operante”.
Assim seguimos até a próxima consulta com os novos resultados, com fé e esperança sempre.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
A fé inabalável
Desde o início do tratamento sempre mantive uma postura de calma e tranquilidade.
Sabia e sei da gravidade da situação, só não sabia que teria no máximo 06 meses de sobrevida em maio de 2014, mas tinha plena consciência de que a situação era muito grave, tanto é que ao ir para a primeira cirurgia deixei registrado o que fazer em relação a seguros de vida, situação financeira etc, para meu filho, por ele ser mais racional e menos emocional do que minha filha.
Sempre pedi e peço a Deus pelo melhor, seja este melhor o que for, que seja feita a Sua vontade, e me resignarei a ela.
Pois bem, um ano e 9 meses depois estou aqui, superando cada obstáculo penosamente, degrau a degrau, e talvez o mais recente degrau tenha sido o mais difícil.
Estou com liquido na pleura, e este liquido acumulou tendo sido necessário retirar parte dele em um procedimento denominado punção.
O procedimento em si foi simples, rápido e quase indolor, porém o principal foi a espera do resultado da biópsia, longos e muito longos 15 dias para saber se este líquido era cancerígeno ou não.
Caso fosse reiniciaríamos o tratamento de quimioterapia forte, atacando esta nova frente, mas sinceramente na minha visão com poucas chances de sucesso. Uma amiga nossa em Londrina começou um processo de formação de líquido nos pulmões e seis meses depois nos deixou.
Angústia que não podia estampar no rosto, por conta de todos que estavam e estão orando e torcendo por mim, assim vivi estes 15 dias penosos e longos angustiado.
Finalmente chegou o resultado, “NEGATIVO PARA MALIGNIDADE” o que significa que o liquido não possui células cancerígenas, e pode ter sido uma defesa do organismo para proteger o coração e pulmões, assim como ocorreu com meu irmão americano Mark.
Estamos indo para a consulta hoje ainda para saber os próximos passos, estou há mais de 15 dias sem quimioterapia, mas o organismo se ressente do processo, muita fadiga, pouca vontade de agir, pensamentos embaralhados, falta de concentração, muito menor condição física e mental, mas com uma vontade de viver enorme.
Vamos ver o que nos aguarda, com fé e confiança, e principalmente serenidade.