sábado, 21 de junho de 2014

Nutrição e homeopatia - suplementos

Nossa rotina mudou, claro.
A mudança maior foi que agora estamos mais unidos. Sempre fomos, mas agora somos verdadeiros companheiros.
Alguns itens foram aparecendo. Suplementos, homeopatia, ervas, água fluidificada.
Fomos sendo apresentados a estes tratamentos alternativos através dos amigos, parentes, colegas.
O pai está tomando água de Janaúba, ou leitosa da amazônia.
Tem a explicação aqui
http://curandoocancer.blogspot.com.br/2011/02/janauba-planta-decisiva-no-tratamento.html
Está tomando alguns remédios homeopáticos indicados pela terapeuta Roberta Dias.
Também incluímos homeopatia indicada por uma amiga que tem um tumor maior do que o do pai, no pâncreas e convive com ele há 18 anos!
CONVIVE. Ela NÃO FOI OPERADA!
Depois faço um post sobre todos, quanto ele toma e qual a indicação.
Além disso tem os suplementos, e este é o tema mais complicado.
A gente entucha suplemento nele, ele sempre reclama, mas aceita. Meio na marra, ele toma.
Hoje ele reclamou de novo e eu pensei: ah vou ver se é mesmo frescura.
O suplemento é o Prosure, indicado para pacientes de câncer.
Como nós não encontramos este inicialmente ele estava tomando e tolerando bem o Ensure. A nutricionista insistiu que o Prosure é melhor. Claro, ela nunca deve ter tomado.
É HORRÍVEL.
Fiquei com pena do pai ter tomado um copão daquele treco nojento.
Eu tomei meio gole e não desceu.
Ele disse que tem gosto de queimado, mas é bem pior. Tem gosto de borracha, petróleo, sei lá. Nunca provei nada disso, mas o cheiro é bem característico. Borracha, artificial, horrível.
Tudo bem que ele tem que se esforçar, mas a pessoa já está com dificuldade de tolerar um alimento gostoso, aí é obrigada a tomar um treco absurdamente nojento, não dá né?
Oh indústria de suplementos, ajuda aí!
Portadores de doença também tem bom gosto e merecem respito.
Suplemento gostozinho já!
Resumindo, vamos voltar ao ensure, que era bem tolerado, muito mais barato e fácil de encontrar, vende em qualquer farmácia.
;)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Além do esperado, o extraordinário.

Nossa jornada vem sendo abençoada com o carinho de diversos amigos.
Desde a descoberta, naquele momento de dor profunda, quando não temos vontade de acordar, de encarar a realidade, a nossa família tem sido acarinhada, cuidada, amada.
São centenas de amigos que mandam mensagens bonitas, nos contam que oram por nós, que pensam em nós, torcem pelo paizinho.
Esta guerra não é de todo feia. Quando a vida se mostra em risco, os viventes têm a oportunidade de repensá-la, de fazer as mudanças que eram antes necessárias mas passaram despercebidas.
Quem tem tempo para Deus no meio desta correria na qual vivemos?
Eu posso dizer que agora tenho. Agora eu O vejo em cada sorriso que a vida arranca dos lábios de meu pai. Vejo Deus nas lições de vida que tenho recebido da maior guerreira de nosso exército, minha mãe.
Valorizo o amor de nossa família como nunca.
Nossa, como foi importante poder chorar no ombro dos meus tios, mesmo que por telefone.
Meu tiozão Marcos, que foi meu primeiro colo. Amada Tia Tóia, que assim que recebeu a notícia correu enviar um quadro, orações, que recebemos prontamente.
A Tia Tânia, que usou de sua praticidade e nos apresentou o médico abençoado que cuida de meu pai.
Minha querida Tia Sandra, que recebia minhas ligações mas não entendia nada do que eu dizia em meio às lágrimas e soluços. Que chorou comigo e acalmou meu desespero.
As constantes mensagens de quem, cheia de carinho e ansiedade, acompanha tudo de longe, nossa Tia Dida.
A minha amada prima Taísa, que é muito mais que uma irmã, e que chorou minhas dores, sofreu por nós e pelo meu pai, o tio que ela tanto ama.
Meu querido Toni, que sempre me foi querido.
Tias da minha mãe, cada uma mandando orações, cartões carinhosos, mensagens de fé.
A corrente de orações poderosa que se formou em Luzerna, que reuniu na fé e no amor minhas tias, avó, primas e os pedreiros, construtores, colaboradores da obra da casa da vó. Novenas poderosas que Maria certamente ouviu e atendeu.
O apoio do tio Paulo, que me acolheu numa conversa amorosa.
Foram tantas mensagens no Facebook, tanto carinho, tantas orações...
Eu passei a brincar que a gente vai vencer nem que seja no cansaço. Na insistência, na força de nosso desejo de cura.
Tivemos companhia nas nossas idas ao Santuário do Carmo para o poderoso cerco de Jericó. Luana, Tia Regina, Heloise, Aninha, Tia Inês, Tio Agostinho.
Meu marido amado, que limpou minhas lágrimas, sempre tem uma palavra de incentivo e que possibilita que eu hoje me dedique inteiramente à batalha mais importante da minha vida.
Se existia alguma mágoa, nosso amor superou.
Se existia alguma dúvida, nossa fé sanou.
Estamos juntos. Mais unidos do que nunca e agora para sempre.
Um exército com um único objetivo. A cura do meu querido pai, tio amoroso, sobrinho adorado, querido filho, amado esposo, fiel amigo, grande professor.
Deus já nos ouviu. Reze conosco. Creia.
Eu já disse para o câncer que nós temos um Grande Deus. Eu não aceito a doença porque meu Deus é mais poderoso que ela.
"Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;
E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis."

Mateus 21:21-22

E depois...

Respira... chora... respira de novo... acalma....
A vida vira de cabeça para baixo. A gente fica sem chão, sem teto, sem parede, sem nada, sentindo a vida no vazio das incertezas.
O dia da cirurgia foi marcante. O carinho dos amigos, solidários ao nosso pesar. A fé que move as pessoas à nossa volta. Sentimos tanto amor por parte das pessoas que meu pai conquistou durante a vida que era possível enxergar a energia que delas emanava.
Tantas mensagens carinhosas. Tanta fé, tanta amizade, carinho e amor.
Mas em meio a tanto carinho havia o sofrimento e a dor do homem das nossas vidas.
Primeiro a sonolência quase tranquila, que deu lugar a acessos de enjôo. Ausência de apetite. Fraqueza.
A mãe ao lado dele como a fiel escudeira, se recusou a ceder seu posto a qualquer outro soldado.
Visitas. Muitas visitas. Era lindo ver como o pai era querido.
Mas seu estado preocupava. Urina cor de terra. Muito enjôo.
Ele não comia nada. Pouco bebia. Estava muito amarelo, fraco.
Os primeiros dias após a cirurgia foram duros. Em um dado momento, ele mesmo chegou a perguntar:
-Mãe, será que eu aguento?
Será?
Era de se duvidar.
Como não foi possível AINDA retirar o câncer, o procedimento cirúrgico criou uma pequena ponte que liga o fígado direto no intestino. Isto porque o tumor entupiu o canal pancreático e isso fez com que a bile ficasse acumulada e não pudesse cumprir sua função.
Assim meu pai teve uma grave icterícia. Eu achava que isso era doença de criança e que não fazia tanto mal assim. Fato é que a icterícia causa uma fraqueza profunda, dificuldade de digestão, falta de apetite, etc.
Falta não, apetite zero!
Tudo enjoava, tudo doia.
O procedimento iria livrar meu pai desse mal estar, mas, sabidamente, os dias que viriam após o procedimento seriam muito difíceis. E FORAM!
Os dias se arrastaram e a melhora foi lenta.
Os olhos um pouco menos amarelos. Menos enjôo, menos mal estar. Apetite começando a aparecer.
Retomada da capacidade de concentração. Vontade de trabalhar.
Diminuição do sono.
Com o passar dos dias pudemos notar pequenos esboços de sorriso. A vida voltando aos eixos. O pai estava ganhando força, cor, vida.
O primeiro dia de trabalho foi maravilhoso.
Ele dirigiu, teve reuniões, voltou a fazer o que gosta. Chegou em casa com cara de criança que ganhou pirulito do dentista. Tipo, dói, é chato e incomoda, mas ganhei presente.
Cada dia uma conquista, cada dia um pequeno avanço.
Lá se foram 30 kg.
O gigante está fisicamente menor, mas na alma carrega a força de Davi.
Jesus está lutando no nosso lugar.
Temos a certeza da vitória.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cirurgia - meu queixo caiu

Chegava o Natal mas não chegava o dia da cirurgia.
Finalmente, é hoje.
21 de maio de 2014
A cirurgia começaria às 7 da manhã.
5 e meia chegamos ao hospital.
O pai e a mãe já estavam lá internados.
Claro que ele não demonstrava, mas nosso guerreiro vivenciava um sentimento que lhe era bastante estranho e incomum: medo.
Bastante emotivo, o pai estava nervoso, agitado, intranquilo.
Rezamos juntos.
A hora não passava.
Perto das 7 horas fizemos mais uma oração. A mãe disse:
-Pai, quando você chegar no centro cirúrgico, convide Jesus e Maria para estarem lá contigo. Peça que eles entrem com você.
E lá foi o pai.
Foram 5 horas de angústia.
A cada vez que alguém abria a porta nosso coração ia até a boca.
Senti de tudo. Fiquei durante todo este tempo me sentindo numa montanha russa.
Tive enjôo, dor de barriga, dor de cabeça. TUDO.
Depois de 4 horas, lembro que meu irmão falou:
-Bom, se eles não voltaram até agora, sinal que conseguiram tirar o tumor né? Ninguém fica 4 horas num centro cirúrgico para somente abrir e fechar um paciente.
Concordei. Tinha lógica.
Sabíamos que naquele momento a chance de cura total dependia da retirada do tumor.
A demora, então, era bom sinal.
A hora não passava...
O nervosismo aumentava.
Eis que surge o médico.
Abatido.
Gelei.
Começou com infelizmente. Não lembro o resto. Não ouvi mais.
O mundo havia desabado.
Mentira, só podia ser mentira.
Derivação, bile, dissecação.
Ele falava e minha cabeça girava. O coração doía. Eu só queria acordar daquele pesadelo.
Fomos informados que o pai logo chegaria.
Ele sabia que, se acordasse no quarto, era sinal de que não havia sido retirado o tumor. Era mau sinal.
Sofremos ao pensar no que ele sentiria.
Fizemos o possível para nos recompor.
As portas do quarto abriram. Era ele!
Eu estava esperando uma reação passional, revoltada, intempestiva.
Será que os 32 anos ao lado deste homem magnífico não me ensinaram nada?
Ele chegou sereno, com uma fé absurda na vida.
Meio sonolento, explicou que ele estava com muito medo da cirurgia e que ele mesmo achava que não sobreviveria ao procedimento.
Era agressivo, brutal. A recuperação, fraco como ele estava, seria muito difícil.
Nos explicou que a não retirada daquele tumor foi um milagre e que agora ele teria tempo de se fortalecer e lutar.
O termo é antigo e tosco, mas... poker face.
Meu queixo caiu. Minha admiração por meu pai só fez crescer.
A BATALHA IRIA COMEÇAR.

E agora?

A notícia de uma doença grave envolvendo alguém da família é absurdamente devastadora. Fosse quem fosse.
Mas devastadora não é a palavra para descrever esta notícia. Não é alguém da família simplesmente. É "o" alguém.
É aquele eixo fundamental sem o qual tudo desanda.
Meu pai é o mais especial dos pais. Aquele que dedicou todo o tempo que tinha (e também o que não tinha) na complicada missão que ele mesmo escolheu: formar GENTE.
Gente, pessoas decentes, com valores.
Ele começou sua missão sendo pai. Nisto ele é SENSACIONAL.
Não satisfeito com o baita trabalhão que 2 crianças cheias de personalidade já dão, ele decidiu ser professor.
O que ele ensina não é matemática financeira, gestão de recursos, análise disso ou daquilo. Ele ensina HUMANIDADE.
GENTE.
A maior paixão do meu pai sempre foi desenvolver pessoas, inspirá-las.
E ele recebeu esta notícia bomba como era de se esperar. Sereno, confiante. Sem se desesperar, inspirando a gente a ser mais positivo.
Mas a notícia é dolorida. Foram momentos de muita dor emocional. Choro, desespero.
De forma absolutamente impressionante, esta fase também passa. Como passará este câncer.
A gente gasta o estoque de lágrimas.
Não dorme uns bons dias.
Sofre.
E daí surge a fé!
Ninguém pode viver em sofrimento e lamúria.
A dor só fica ali pelo tempo necessário para a gente acordar e ir à luta.
Não tem volta. Agora é encarar de frente.
Foi o que fizemos.
Com a ajuda de nossos familiares queridos definimos a equipe médica que atenderia o pai.
Foram semanas de exames e incertezas. Os médicos não afirmam nada, não determinam nada.
É como estar em um tiroteio no escuro. Você ouve os tiros, os gritos, o desespero, mas não acha um esconderijo, não faz idéia de onde esteja.
E o pai piorando. Ficando mais fraco, mais amarelo.
Sentimento de impotência, de não poder controlar nada, acelerar nada.
E o pai piorando.
Piorando.
..........
A piora era preocupante.
Foram quase 20 kg a menos no período curto de 3 semanas.
Fora o amarelão que só piorava.
Some-se a isso uma dificuldade de respirar, faltando ainda 10 dias para a cirurgia.
Graças a Deus nosso médico foi realmente enviado por Deus.
Preocupado com a dificuldade de respiração, ele decidiu pela cirurgia em caráter emergencial.
Seria dia 21 de maio.
Seria a cura.
Uma cirurgia absurdamente invasiva, que obriga o cirurgião a retirar pedaços de 5 órgãos e reconstruir o aparelho digestivo do paciente.
Nosso gigante de 1,90 estava abatido demais, fraco, cansado.
A cirurgia era preocupante.
E agora?

Bomba!

PÁSCOA! Oba, festa em Luzerna.
Viajamos os 4 companheiros, eu, meu marido e meus pais.
Festa pra lá, festa pra cá, e minha mãe comunicou que meu pai se internaria para fazer alguns exames.
Achei estranho, ele nunca vai no médico, nunca reclama.
-Ok, é só uma indisposição no estômago.
Na volta da viagem, a internação. Exames de rotina, todos normais, com uma pequena alteração na função hepática. Continuo achando que é uma indisposição. Bobagem. Passa.
A médica manda fazer uma tomografia, só por desencargo de consciência.
E bum! Cai um baita abacaxi no colo da plantonista.
Uma massa no pâncreas.
Ela, totalmente sem reação, informa que "não gostou do resultado" e nos encaminha para um gastro, que pediu mais um montão de exames.
-Médico não gosta de muita coisa, assim como todo mundo. É só uma indisposição. Bobagem. Passa.
Eis que chegam os resultados dos exames. Como todo mundo, fomos digitando aquele monte de termos escritos em linguagem desconhecida no google.
-CA 19-9 - super alterado. O que raios é isso?
-Digita aí.
.........
Silêncio mortal...
.........
-er... é... um... bom... marcador tumoral.
-Tumor? Tumor tipo câncer? Claro que não! Era só uma indisposição!
Google de novo.
-Não não, pode ser uma pancratite. Peraí, pancreatite é uma infecção. Teria febre, não?
-Câncer não é.
Liga para um monte de médicos amigos. Coitados. Queria que eles falassem o que?
Todos tentam mudar o foco. Pancreatite. Qualquer ite. Tudo menos câncer.
-Tá, que tal ligar para o médico dele?
O telefone pega fogo. Ninguém quer pegar na mão.
Todo mundo já sabe a resposta, mas nosso coração não quer acreditar no que a mente racionaliza.
-Sim, Maria Ângela. É isso mesmo que você está pensando. Câncer.
Câncer... de pâncreas...
Digita no Google.
...................
...................
Não. Não.
Fecha o Google.
-Isso não está acontecendo. É mentira.
A primeira pergunta que vem na cabeça é: porque com ele?
Uma pessoa maravilhosa, generosa, marido dos sonhos de qualquer mulher, o melhor pai do mundo. PORQUE?
Carma? Não, ele não merece.
Escolha? Quem raios faria esta escolha?
Certa vez vi uma reportagem de uma pessoa contando sua experiência com o câncer. A personagem dizia que no início, no auge de sua revolta e negação, ela se perguntava: "porque eu?"
Depois de um tempo de luta a pergunta mudou de foco. "Porque NÃO eu?"
Ela tem razão. Tanta gente maravilhosa passa por adversidades. Tanta gente muito melhor que eu sofre, sente dor, fome, sede.
Confesso que é difícil, mas fiz um grande esforço para tirar a tal pergunta da minha cabeça. Era egoísta, infantil e idiota.
Foi com ele, é com ele. É a NOSSA guerra.
Aquela que ninguém escolheu, mas que aí está.
A guerra que vamos travar juntos, em família.
Por amor ao mais amoroso e extraordinário de todos os homens.
Por absoluto amor ao meu pai.