Cirurgia feita, laparoscopia, procedimento “simples” porem muito temido por mim e volto ao quarto do hospital.
Pelas palavras iniciais do médico, na consulta, eu deveria ficar com o dreno por um ou dois dias, retira-lo e ir embora.
O dreno nada mais é do que um tubo enfiado no corpo do paciente, que vai diretamente ao local afetado, no meu caso a pleura, e este tubo “drena” ou retira o líquido produzido pelo organismo, e em meu caso, a não produção de líquido e essencial para que o pulmão expanda e retome seu lugar.
Não olhei em nenhum momento o tubo pendurado, apenas sinto o dito cujo, e como sinto!!!
Porem ledo engano, passou o sábado, o domingo, a segunda feira o que me deixou angustiado, ansioso mesmo, sem uma perspectiva de retirar o dreno e a saída do hospital.
Na terça feira acordei mais angustiado ainda, me sentindo incapaz de realizar minhas atividades, com os clientes me solicitando os projetos, e eu ali “parado”. Mandei uma mensagem ao médico pedindo para sair do hospital, estava realmente me fazendo mal, e felizmente fui atendido, o médico passou no quarto instalou o tal dreno e me liberou.
Saímos do hospital por volta de 10:00h fomos direto para casa, e no caminho surgiram sensações estranhas, enjoo, mal-estar, tontura, não estava me sentindo nada bem.
Cheguei em casa muito cansado e aquele tubo incomoda demais. O local é muito sensível assim parece que tenho uma faca espetada entre as costelas, assim respirar é difícil, sentar e levantar também, andar, enfim dói sempre, só não sinto dores quando consigo dormir, e mesmo assim acordo com facilidade em função da dor.
Mas estava esperançoso considerando que estava em casa e que logo logo tiraria o “tubo”, a perspectiva era de retirar três dias depois.
Os dias passavam lentos, doloridos e com sensações estranhas, muita fadiga, perda de peso, não conseguia puxar o ar com forca, mesmo fazendo os exercícios recomendados pelo fisioterapeuta.
Aos poucos fui melhorando, lentamente, o mal-estar foi passando chegando no terceiro dia a digamos 70% de minha condição boa.
Tomo medicamentos para dor e infecção em horários muito absurdos, de madrugada a 1:00h, as 3:00h e em uma destas ocasiões, no escuro, não queria incomodar a Bellinha acabei derrubando o copo de água, esparramando pelo quarto, criado mudo, gavetas, enfim uma bagunça só.
Mas finalmente chegou o dia em que iria ao médico retirar o dreno, fui animado, e ao chegarmos lá o medico examinou, olhou, olhou, pôs a mão no queixo e deu sua sentença; “está quase bom.......”
O chão fugiu dos meus pés, estava preparado para retirar o tubo e ir embora sem dor, mas como o organismo ainda está produzindo líquido o médico recomendou passar o final de semana com meu “cachorrinho” e na segunda pela manhã retirar o mesmo.
Me acalmei, respirei fundo, pensei na vida, e decidi enfrentar mais este desafio, um fim de semana com dores, com o tubo pendurado, enfim mais um desafio a enfrentar.
Espero não derrubar nenhum copo até a retirada do tubo e espero retirar esse treco na segunda feira, com consulta marcada para as 8:00h.
Vamos em frente sempre!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O dreno
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Fazer do limão uma limonada ou enxergar (e não apenas ver) o copo meio cheio.
Estou internado há dois dias, mas a ideia inicial era de ser internado e no dia seguinte ser operado, porém a cirurgia só vai acontecer daqui a mais dois dias.
Ficar em um hospital, sentindo-se bem fisicamente, mentalmente e espiritualmente torna-se uma tarefa árdua. O espaço do quarto é pequeno, os corredores da ala onde estou são relativamente curtos, cerca de 60 metros para cada lado, e só tem acesso aos quartos dos demais pacientes, que obviamente estão sempre fechados.
Dos 22 apartamentos 12 tem mães e recém nascidos, assim e felizmente, o clima é de alegria pela chegada dos novos habitantes.
Benicio (adorei o nome), João Paulo, Liv, Sara, entre outras fazem as alegrias de suas famílias, que estão em peso no hospital.
Assim minha rotina tem sido, fazer exames (duas vezes raio X) tomografia, exames de sangue e ficar no quarto com a Bellinha assistindo TV, e colocando em dia as atividades do doutorado.
As refeições são servidas em horários no mínimo curiosos, café da manhã as 7:30, almoço até 11:30, jantar até 17:30, um chá de gosto duvidoso as 14:00hs, assim até esta rotina, completamente diferente de nossos hábitos traz mudanças em nosso dia a dia.
Meu traje aqui é o pijama, e estou com os pijamas antigos da época que pesava 60kg a mais assim minha figura caminhando pelos corredores deve ser no mínimo digamos “estranha”.
Com tudo isto eu só posso agradecer de estar em um hospital, me sentindo bem e aguardando o momento com muita paciência e tranquilidade.
Para amenizar os efeitos da espera, brinquei com a Bellinha hoje ela manhã que todas as crianças do meu andar tinham placas com seus nomes, e de imediato pedi a Toia (brincando é claro) que ela poderia fazer uma placa para mim.
Não deu outra a Bellinha comprou a placa aqui na maternidade do hospital e pendurou na porta.
Logo em seguida um dos médicos da equipe que vai me operar veio ao nosso quarto checar se era verdade a tal placa, em seguida uma das enfermeiras veio conferir, assim como a irmã que atende este andar e outra enfermeira.
Transformamos nosso limão em uma limonada, conseguimos enxergar um copo com condições de receber mais líquidos, superamos a fase de entedia mento com alegria.
Assim entendo que devemos agir em nosso dia a dia, enxergar as coisas pelo seu lado positivo e mais do que isto agir de forma positiva.
Vamos que vamos!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Ressonância. ..
Depois da consulta fomos retomar os exames, principalmente os de imagem.
Aí começaram os problemas. Uma ressonância magnética, que é algo simples, para pessoas como eu, com claustrofobia, se torna uma tortura.
Chegamos à clinica bem cedo e ao conversar com a Bellinha sobre o exame ela me falou que era a ressonância. Discuti muito com ela, eu tinha entendido que era tomografia, e não a famigerada ressonância.
Mesmo assim tentei, fiz a preparação, coloquei o “pijama” padrão da clinica e lá fui eu.
Tentei me controlar e muito, mas ao ser inserido no túnel simplesmente entrei em pânico mesmo com um buscopan na veia, suava frio, batia forte o coração, não consegui ficar na maca nem dois minutos. Na preparação é disponibilizada ao paciente uma campainha para chamar os atendentes, e foi o que fiz de imediato.
Não conseguia respirar, tinha falta de ar, estava tonto, demorei a recuperar, nem consegui dirigir até em casa, a Bellinha assumiu a boleia.
Chegamos a casa e conseguimos marcar a tal ressonância em uma máquina aberta, que na verdade não é tão aberta assim, mas o paciente dentro do túnel enxerga a saída do outro lado o teto, e o paciente não fica com o nariz grudado no teto do túnel, como na outra máquina.
O exame demora cerca de 30 minutos e o paciente é “fotografado” em diversos ângulos, assim o aparelho vai e volta ao longo do seu corpo, e a cada parada emite sons altos, batidas fortes parecendo metal batendo em metal, diversos sons parecidos com “sinos” e o paciente deve prender a respiração a cada fotografia.
Estava calmo e sereno, dentro do túnel, aproveitando o tempo para orar, pensar na vida, na situação atual e no que poderá acontecer.
Este exame foi pedido para verificar o problema no fígado, que pode ser gordura no órgão, e oramos muito para que não seja um novo foco da doença.
Vamos aguardar o resultado e ver o que irá acontecer.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Novos procedimentos
Fomos confiantes para a consulta, com o índice CA menor do que na última aferição, com o resultado do raio X mostrando que (pelo menos na nossa visão) não havia aumentado o volume de líquido na pleura, e eu me sentindo melhor fisicamente, redução da fadiga, estava todo serelepe e feliz.
Começamos a consulta e a médica olhava os exames com uma cara de quem comeu e não gostou. Fiquei preocupado, após analisar os exames nos passou que o líquido na pleura está tomando 50% da área próxima ao pulmão esquerdo, e alguns resultados dos exames de sangue apontavam um possível problema no fígado, coisa nova em todo o processo.
Com relação ao líquido faremos um procedimento cirúrgico injetando um pó na pleura de modo a irritá-la para que não produza mais líquidos. Será uma semana de internação, centro cirúrgico, e o medico será indicado pelo Dr. Marciano, será um cirurgião cardiovascular especialista nesta área.
Já com relação ao fígado farei uma tomografia para detalhar os órgãos internos e ver o problema.
Neste momento minha felicidade se exauriu, fiquei preocupado com o que há de vir, sinceramente não esperava um quadro tão ruim, novos problemas, nova cirurgia, mais um período de hospital, e principalmente novas notícias não auspiciosas, demonstrando a possibilidade de novos problemas e não de uma recuperação.
Fisicamente estou me sentindo mais fortalecido, graças a não ter que fazer quimioterapia, apesar de sentir dificuldades de caminhar, fazer qualquer atividade física por conta do líquido acumulado.
Me preocupa o fato de surgirem novos problemas e pelo fato de ter uma expectativa de melhora e não de piora, estava mais confiante.
Não perdi as esperanças, mas senti um esfriamento em mim mesmo, principalmente pelo fato de ter de enfrentar uma nova internação e um período de uma semana de hospital.
Mas vamos que vamos, com fé determinação e coragem, mesmo sem o entusiasmo de antes tenho convicção da melhora e do que há de vir, seja o que for.