segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O último resultado


As últimas semanas foram muito sacrificantes, fadiga extrema, falta de fôlego constante, mal estar, desarranjo, uma constância de sentimentos nada agradáveis.
Muitas vezes pensei em desistir, não reagir, senti novamente medo ao dormir, medo de não acordar, os passos seguiam lentos, cada passo era uma dificuldade muito grande, caminhar uma quadra requeria um esforço imenso, no trabalho precisei levar um documento a uma quadra de minha sala, e ao chegar precisei sentar e recuperar o fôlego. Fiquei por alguns minutos sem poder falar apenas recuperando o fôlego.
No final de semana fomos à praia, queria mudar de ares, estava animado com a possível companhia de nosso filho e nora, o que infelizmente acabou não acontecendo. Programamos um almoço em um restaurante indicado pela nossa filha, e fomos lá, ambiente agradável, porém o local é em um pé de montanha, uma subida íngreme de cerca de 50 metros, mas para mim, foi um suplício. Consegui subir devagar, almoçamos bem e após o almoço precisei descansar antes de enfrentar a volta mesmo na descida.
Durante estes últimos dias a fraqueza e fadiga continuavam, e eu tentava de todas as formas me manter aceso, vibrante, mas a dificuldade era e é extrema.
Recebi um convite para ministrar para uma turma de pós graduação e resolvi aceitar, no que a Bellinha discordou e chegamos a discutir, precisava seguir em frente e aceitei o desafio de atuar em sala de aula, mesmo com  todas as minhas limitações.
Mas este sentimento de fraqueza, dor e incapacidade não pode ser eterno, e neste momento vou falar um pouco de espiritualidade, talvez você não acredite em um ser superior, eu creio e tenho muita fé em Deus, e graças a Ele e Maria estou aqui, e hoje, graças a Ele acordei muito melhor. Fomos colher o sangue para a nova sessão de quimioterapia daqui a pouco, e recebemos o resultado do exame de CA que era de 642,00 e caiu para 376,30. Longe ainda de um resultado ideal (até 35) mas, caminhando para chegar lá.
Fé, esperança e garra, vamos em frente aguardando a melhora e a cura total, com a graça de Deus.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Um ano depois

Ontem fez um ano da cirurgia que arrancou o câncer do corpo do meu pai. Lembro muito bem daquela data. Era o dia D. Dia em que saberíamos se teríamos ou não chance de lutar.
Se o câncer fosse retirado, poderíamos lutar. Se não fosse o tratamento seria paliativo, sem chances de cura.
Estávamos reunidos. Vimos o pai sendo levado pela segunda vez. Lembranças da primeira cirurgia eram inevitáveis. E se acontecesse tudo de novo?
Quatro horas se passaram e nada. Cinco....
Fomos chamados para o centro cirúrgico.
"Dr Marciano quer falar com vocês".
O coração parou.
Será que ele nos daria uma noticia ruim assim, na sala de espera?
Agoniados aguardamos.....
Alguns minutos que pareceram eternidade se passaram e nada do Dr aparecer.
De repente uma enfermeira disse: "O Dr mandou avisar que ele vai tirar tudo".
Foi um momento de muita emoção.
O clima de apreensão foi substituído por euforia.
Pedimos hambúrgueres. Comemoramos.
O fim da cirurgia só aconteceu muitas horas depois. A mãe pode ir até a UTI. Ver que ele estava bem.
Óbvio que ninguém dormiu.
Mas tivemos a certeza que Deus havia nos presenteado naquele dia. Foi o dia em que meu pai renasceu.
Será comemorado para sempre.

domingo, 8 de novembro de 2015

A fadiga fase III ou seria fase X, fase Y fase Z?


Esta fadiga me persegue, não tem jeito, sai deste corpo que não te pertence.....
Mas tem sido difícil, a sensação é de ter acordado após ter sido atropelado, dores no corpo, sensação de cansaço, mal estar, falta de força para caminhar meia quadra, erguer a mochila para por no carro é uma tarefa pesada e penosa, mas não impossível, cada passo a frente é uma vitória, uma luta terrível entre sua vontade e sua reação física. Na terça feira após o feriado quando passei muito mal cheguei a cogitar a possibilidade de pedir para ser internado estava realmente muito mal, mas decidi aguardar o dia seguinte.
Mais uma vez senti medo de dormir, e de não acordar no dia seguinte, orei muito pedindo a Deus que me desse forças para seguir minha vida.
No dia seguinte tinha aula à noite e precisava estar recuperado, e a dúvida era enorme.
Naquela noite dormi muito mal, rolava na cama sentia frio, calor, e pensava muito, muito mesmo. Decidi então assumir minha situação daquela forma, percebi que estava olhando muito para a terra e pouco para as estrelas, precisava mesmo sem forças encarar o céu, que brilha à noite mesmo que muitas vezes não possamos perceber por conta das nuvens. Assim me vi olhando para o céu e vendo as nuvens sendo carregadas, deixei de olhar o chão e procurei erguer minha vida novamente, encarando os desafios que me foram propostos.
Acordei bem disposto, sentindo ainda os efeitos da fadiga, mas relativamente bem. Fui para a Faculdade, participei de reuniões pela manhã e à tarde fiquei no sofá recuperando as energias para a aula da noite.
Ao sair de casa preveni a Bellinha que caso passasse mal alguém iria ligar para ela para me buscar, chegando na Faculdade avisei a Coordenação de que caso ocorresse algo era para ligar para casa que estava tudo acertado, e lá fui eu para a sala de aula.
Ao iniciar, me senti forte, e aos poucos fui me sentindo mais e mais renovado, fazer algo que se gosta é mais do que prazeroso, é essencial para a preservação da vida, e assim me senti na sala de aula, refeito mais espiritualmente do que fisicamente, até porque muitas vezes sentei para passar algum exercício e cumprir minha tarefa.
Cheguei em casa exausto mas feliz por ter conseguido vencer mais este desafio, não de ministrar uma aula, mas de ter renovado minha vida.