quinta-feira, 26 de maio de 2016

Feeling good

Feita a sessão de quimio fui retirar a bomba que injeta o medicamento por mais três dias, ela pesa menos de 300 gm, mas fica presa ao corpo pelo cateter e a sensação é de que pesa meia tonelada. Dormir com este apetrecho conectado ao corpo já foi pior, agora estou mais habituado, mas mesmo assim incomoda.
Ao retirar o tal artefato sinto-me livre novamente, os movimentos fluem, e me sinto feliz.
Desta vez a fadiga pegou mais forte, sensação de mal estar, fraqueza, falta de concentração, não consegui escrever dois dias, e quero e vou cumprir meu cronograma do doutorado até o final de 2016, mas mesmo com muito esforço não tenho conseguido estes três últimos dias. Cheguei a ficar tonto por algumas vezes, talvez por ter recebido doses maiores na quimio desta vez, mas o sentimento é de paz, de recuperação, sinto internamente melhoras, mesmo após dois anos da primeira cirurgia sentia amiúde “pontadas”, fisgadas internas e dores no abdômen, que diminuíram e muito, sendo raras agora.
Paz de espírito, sensação de segurança, e felicidade, mesmo não estando 100%, além do que vejo minha Bellinha feliz, ela andava triste, desanimada há muito tempo, e eu procurando achar o caminho para que ela fosse mais feliz, apesar da incansável batalha diária dela por mim e sei que isto cansa, mas felizmente após começarmos as aulas de música, ela finalmente está esbanjando felicidade, canta, está animada e isto me anima mais ainda, me dando mais forças para seguir adiante, afinal ela e todos os que estão torcendo por mim são extremamente importantes.
Sejamos felizes.

A pílula power!!!


Desde o início do tratamento minha maior queixa é a fadiga, e nesta última consulta
solicitamos à nossa médica algo para amenizar este efeito, e ela nos passou um medicamento que iria aumentar minha resistência.
Veio a pílula super power, uma criptonita ao contrário, não causa efeitos imediatos, mas um dos efeitos mediatos tem sido a insônia, tenho ido dormir mais tarde, sinto sono ao deitar, mas o danado não vem.
Cochilo um pouco e logo logo, acordo e fico sem saber muito o que fazer.
No dia seguinte os efeitos são apenas algumas pequenas olheiras e nada mais.
Mantenho os olhos fechados e começo a sonhar acordado, e como sonhos são individuais, secretos, vou mantê-los comigo, mas são sonhos bons, sonho com o futuro dos filhos, de nossas sobrinhas netas, Antônia, Maria Victoria e Maria Luiza com coisas boas, e sem pressa sem stress.
Como o sono ainda não vem começo mentalmente a elaborar propostas para dois grandes projetos que estou trabalhando, um com uma empresa italiana e outro com uma empresa na Polônia, as propostas devem ser em italiano e inglês, assim elaboro os tópicos mentalmente e procuro detalhar o que escreverei nelas.
O legal é que no dia seguinte consigo me lembrar do que preparei e coloco no papel a proposta.
Penso ainda no que escrever, o que passar para as pessoas, no blog, e também preparo mentalmente o “rascunho” do que vou passar.
Como o sono ainda não vem, fico “teclando” minhas aulas de música, e é algo bem legal, teclar no travesseiro, na cama, enfim relembrar as notas que vou tocar no dia seguinte.
Esta noite as 4:00h levantei novamente sem ter dormido e tendo feito todas estas coisas que citei acima.
Volto a sonhar, desta vez com a Bellinha, a calorenta, penso em nosso futuro, o que faremos, nossos planos para este ano e para os próximos, sim por que não? Temos que olhar para a frente sempre, temos muitos planos incompletos, por conta da agenda de sessões, mas isto não nos impede de preparar tudo, e planejamos dar um “ultimato” na médica para nos liberar para uma viagem aos USA já planejada desde o ano passado.
Volto a olhar o relógio e ainda são 5:00h quando finalmente começo a sentir o sono batendo, e acordo as 6:30, viro de lado e finalmente as 7:15 levanto.
Sem sono, sem cansaço e como diz a Bellinha “serelepe”.
Sinto melhoras na minha concentração, na leitura, até ver as horas no relógio do quarto melhorou, assim o que é pior, ficar sem dormir ou ficar com fadiga?
Prefiro a segunda opção, dormir menos estar mais “serelepe” e me sentir mais vivo ainda.
Vamos que vamos e um bom final de semana a todos

domingo, 15 de maio de 2016

O espanto alheio.


Muitas pessoas se espantam ao me ouvir falar que aos 60 anos resolvi estudar música. Estou tendo aulas de teclado, esta foi uma das resoluções que tomei no final de 2015.
Outras resoluções foram; fazer o doutorado (que estou fazendo) e conhecer três Estados do Brasil que ainda não conheço.
O doutorado comecei em janeiro, a viagem a Aracaju está planejada para setembro, e a música comecei este mês, por falta de agenda. Isso porque fomos à Abadiânia e não quisemos começar as aulas antes da ida a Goiás.
Mas por que tudo isto, e para que?
Estou na luta contra uma doença de difícil combate, que debilita, agride, torna suas forças débeis e talvez a situação mais fácil fosse simplesmente se entregar, jogar a toalha, lamentar a situação e desistir.
Esta não foi a minha opção, e jamais foi desde o início, por isto estas resoluções tomadas em 2015 foram para me manter em pé e em ordem, olhando para a frente sempre, pensando não apenas em mim, e principalmente naqueles que me amam.
Enfrentar a fadiga, o mal-estar, receber os resultados do índice CA que teima em não baixar, são situações pelas quais estamos todos passando e entendo que eu devo mostrar a que vim, para superar e lutar sempre.
Fácil, de fato não é, acordar e dormir com mal estar por dias seguidos é ruim, muitas vezes torna-se muito difícil caminhar, comer, levantar do sofá, mas se eu ficar sentado só vai piorar minha situação e ficará claro para todos que estou me entregando. Não é para mostrar minha força para os outros, mas para mim mesmo, vencer uma batalha a cada dia, mais do que matar um leão por dia, esta tem sido minha luta diária, muitos dias bons, alguns ruins, mas sempre com muita fé e confiança.
Vamos que vamos e em breve poderei gravar um vídeo com alguns acordes, espero que não desafinados como os que toquei hoje enquanto treinava.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O reinício das sessões e as mensagens cifradas

Reiniciamos as sessões em abril, o mesmo desconforto de sempre, muita fadiga, mal-estar, descontrole intestinal, e a batalha para não perder o peso.
No meio da primeira sessão fomos à Abadiânia, uma experiência incrível que vale muito a pena ir conhecer e encontrar a paz.
Mas as sessões são o indicativo de que a doença continua, firme e forte no organismo, tanto é que o índice CA subiu novamente atingindo 450, porém em minha mente e espírito tenho fé nos desígnios que me foram dados e sigo em frente confiante.
Na semana passada lançamos o livro A Guerra que não escolhemos, Família contra o câncer (www.institutomemoria.com.br), em uma noite tipicamente curitibana, gelada, porém com um grande calor dos nossos amigos, muitos destes que não via há  muitos anos, e que foram nos prestigiar. Além de uma obra que pretende ajudar pessoas com a doença, um orgulho muito grande de ter a Carol minha filha como autora.
E nesta noite conhecemos uma pessoa que também sofre do mesmo mal, porém na garganta. Ele me passou sua situação, não consegue comer nada sólido, pois não saliva, usa prótese, e está sofrendo muito fisicamente com o mal.
Quando chegamos na clínica para a sessão conhecemos uma senhora, e o que me chamou a atenção foi a estrutura física dela, muito magra, e eu ouvi que pesava 48 quilos, e puxando conversa soubemos que teve câncer na cabeça do pâncreas, só que operou 12 vezes, o índice CA dela está em 6.000, e estava lá firme, porém com muitos sintomas piores do que os meus.
Não conseguia sentir o cheiro (e realmente é forte) da medicação quando injetada no cateter, tem indisposição constante, sente muito mais os efeitos do tratamento.
Pela manha recebi uma ligação de um grande amigo, que conheci na década de 80, e que me relatou que estava indo ao hospital para a retirada de um rim, após a descoberta da doença.
Isto me fez refletir mais uma vez, e me sinto muito grato a Deus pela oportunidade de estar escrevendo, de estar vivo, de estar com meus amados, e ainda mais se comparar com alguns dos casos da doença me sinto abençoado, e muito feliz por isto tudo o que está acontecendo.
Não é fácil passar mal, e difícil sentir fadiga, mal-estar, mas é muito melhor sentir a vida fluindo em minhas veias, meu coração batendo forte, mesmo com a agressão recebida pela medicação, mas com o espirito leve e com muita confiança no que vem a seguir, seja lá o que for.
Fé resiliência e perseverança isto me move, o amor das pessoas que cuidam de mim, e que lembram de mim.
Muito obrigado meu Deus e a todos os que me acompanham, que Deus os abencoe.