domingo, 21 de dezembro de 2014

A última consulta do ano


Fomos à última consulta do ano com o Dr Marciano e as notícias foram excelentes. O índice CA que no início do tratamento estava em 1570, sendo que o normal é até 30, no último exame chegou a 10,8, ou seja normalíssimo.
Graças a Deus e Maria isto indica que o câncer foi retirado, mesmo assim vamos fazer a quimioterapia e a radioterapia para garantir que o problema não evolua.
No mais as recomendações para a vida futura, continuar com os medicamentos para a digestão, enjôo, e manter a ingestão de carne, inclusive carne de porco, alimentar-se bem, continuar com o suplemento, e até liberou uma taça de espumante para brindar esta vitória.
Iniciaremos a quimioterapia em janeiro, e voltaremos ao médico uma vez por mês até a liberação definitiva.
Ao final da consulta agradeci muito ao Dr Marciano, dei um forte abraço nele agradecendo pela volta a vida que ele me proporcionou, com a ajuda de Deus e Maria.
Isto mostra o poder de Deus e de Maria que me trouxeram de volta à vida.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A reviravolta - ou o susto


Dez dias depois da cirurgia ocorreu algo inesperado.
Eu já estava usando o dreno desde a cirurgia e volume do líquido vinha diminuindo dia após dia. Estranhamente, na hora do almoço, a Carol foi drenar o líquido e se surpreendeu. Vazou mais de litro de uma vez só.
À tarde estava com a Carol no hospital e chegou o café da tarde. Eu já havia tomado o suplemento e procurando melhorar comi o pão e um bolinho com café. Logo depois tive uma sensação de dor no estômago muito forte, e logo em seguida o dreno começou a soltar um líquido avermelhado que mais parecia sangue puro. Neste momento a Bellinha chegou e ai começamos o desespero. A pressão arterial caiu, a temperatura foi a 34, o médico foi chamado e eu estava entrando em choque.
Foi uma luta de pelo menos 1 hora até que conseguissem achar uma veia e me medicar. Mas não foi apenas isto, o medico diagnosticou uma hemorragia interna e a recomendação foi de uma nova cirurgia. A situação ficou crítica por diversas vezes, quase fui embora, desmaiava sentia frio, calor, a Bellinha me chacoalhava me acordando e eu apenas dizia quero dormir, mas graças a Deus e aos gritos da Bellinha não dormi. Das 16 até às 19 horas eu fiquei ali sangrando por dentro. Ao entrar na sala de cirurgia o médico Dr. Marciano chegou a gritar com os assistentes, vamos logo estou perdendo o paciente.
Foi feita a nova cirurgia, o que ocorreu foi uma veia ficou muito próxima do fígado e a bílis chegou a corroer a mesma causando a hemorragia, mas felizmente tudo correu bem e conseguiram me salvar.
A cirurgia demorou cerca de três horas, voltei para a UTI e recomeçamos o processo de recuperação, ainda mais lento e doloroso. Tinha dores no corte, não conseguia me virar na cama da UTI e fiquei ali por três dias.
Voltei ao quarto do hospital estava muito fraco, mas consegui me recuperar aos poucos. Depois de 5 dias o médico me deu alta e voltei para casa muito feliz, mas muito fraco.
Em casa sentia muito enjôo, náuseas, não conseguia comer, e fui enfraquecendo cada vez mais. Três dias depois voltei ao médico e o diagnóstico não foi nada bom, estava desnutrido, fraco, entrando em coma.
Volta ao hospital para ingestão de alimento pela sonda, processo nada agradável mas necessário, e aí fomos nós novamente.
Finalmente depois de 30 dias da primeira cirurgia voltei para casa, sentindo muita fraqueza, muita fadiga, sem forcas para levantar, andar, escrever.
Perdi mais três quilos depois da saída do hospital, mas estou conseguindo comer e me sinto um pouco melhor a cada dia que passa.
A luta e árdua, difícil mesmo por mais que minha amada prepare coisas gostosas eu ainda não sinto muito o sabor, tenho tido crises de náusea mas estou trabalhando com isto no dia a dia.
Tenho o apoio da Bellinha dos filhos mas esta luta é minha e eu preciso superar esta situação e me reabilitar.

Sempre, com fe em Deus e Maria sei que vou conseguir.

CASAMENTO 08/11

Quero contar para vocês um momento muito importante para todos nós.
Como vocês sabem, quando recebemos o diagnóstico do câncer que o pai TINHA nós estávamos no meio dos preparativos do meu casamento com o Marcos, que aconteceria em novembro.
Seis meses nos separavam daquele dia triste até a festa.
Meu primeiro pensamento foi: cancela!
Nunca que eu iria conseguir pensar na festa com meu pai vivendo uma tormenta.
E foi isso que propusemos para ele: vamos cancelar o casamento.
O pai estava fraco, dolorido, cansado. Naquele momento ele ganhou vida e respondeu de forma muito convincente: VOCÊS NÃO VÃO CANCELAR NADA!
Ficamos num dilema.
O prognóstico dos médicos não era nada bom.
No meu coração eu sabia, não haveria casamento sem meu pai.
Era com ele que eu queria entrar naquela igreja.
Era ele e só ele que teria que me entregar à minha nova vida naquele altar.
Por sorte eu já havia escolhido buffet e igreja, porque depois do diagnóstico eu esqueci de tudo relativo ao casamento.
Muitas coisas só foram decididas em cima da hora por puro esquecimento mesmo.
Nestes 6 meses percebemos mudanças significativas E PARA MELHOR na saúde do pai.
Graças a Deus ele foi melhorando, modificando, deixando de ter tantas dificuldades.
E o tão sonhado dia foi chegando.
Eu só iria sossegar, me acalmar e acreditar que eu iria estar ao lado do meu pai naquele dia quando eu pisasse naquela nave.
Foi um dia muito especial.
Apesar de já estarmos casados há 9 meses, morando juntos há mais de um ano e meio, eu estava muito ansiosa.
Depois de um ano como este, não tinha como não estar.
Fui para o salão me arrumar, curti a tarde com minhas madrinhas e minha mãe, rimos, nos divertimos...
De repente ELE chegou... Silêncio. Todos no salão aguardavam este momento.
Eu só ouvi o burburinho:
-shhh, ele chegou... ai que emoção... o pai está ai... olha ele... ai meu Deus, é agora...
Alguém entrou correndo para me avisar e meu coração quase pulou pela boca.
A porta abriu...

Tumtumtumtumtum...
Tive que respirar antes de ir abraçá-lo.

Valeu meu dia, meu mês, meu ano.
Ele estava tão lindo!!! Mas tão lindo!!!
Pensar que no início ele disse que iria mesmo que fosse de cadeira de rodas ou de maca.
E lá estava ele, lindo, de pé, altivo, feliz.
Eu não tinha me preparado para algo tão bom.
Eu estava conformada em ver meu pai mais fraco, apático, cansado.
Deus nos surpreendeu maravilhosamente.

Curtimos muito esse momento nosso.

Prontos, vamos para a Igreja.
Opa! Problema..
Caiu uma chuva torrencial com direito a granizo. Fiquei presa no salão por um tempo.
O pai me acalmou e lá fomos nós tirar mais fotos. E depois direto para a Igreja.
Meu coração não sossegava.
Eu ia casar com o homem da minha vida, e iria ser entregue pelo MEU PAI!
Primeiro ele levou a mãe para o altar.

Precisa dizer alguma coisa??
Depois era a minha vez!
Prontos? Vamos lá!


Ele emocionado, eu com o sorriso travado de tão feliz

Fiquei tão nervosa que não dei mais um beijo no meu pai maravilhoso.

Muito emocionante.
No casamento fizemos questão de falar sobre o que houve. Seria absurdo não fazê-lo.
Tenho orgulho da nossa luta, estivemos juntos sempre.
Foi tudo lindo, maravilhoso...
Deus nos deu a prova de sua bondade.
Deus agiu nas nossas vidas, tocou o corpo de meu pai, permitiu que chegássemos juntos a este momento inesquecível.
Só posso ser imensamente grata.