domingo, 31 de agosto de 2014

As reações da quinta sessão de QT e duas fortes emoções


A 5ª sessão trouxe consequências leves, uma discreta diarreia na 5ª feira, a famosa e inabalável fadiga, mas nada, além disto, graças a Deus.
Os exames apontam uma redução discreta no tumor, é uma redução, assim a batalha está mais para o meu lado do que da doença, ainda estamos muito longe de vencer a guerra, mas passo a passo estamos lutando com força para a vitória.
No sábado fomos a um aniversário do dileto amigo, Glade casado com a Aninha, churrasco dos bons, mas é claro que a carne por mais saborosa que fosse para meu paladar continua com sabor de areia, mas pelos comentários de todos estava maravilhosa.
Mas a primeira emoção que me refiro foi reencontrar pessoas da família, nesta festa, que não via a 5 ou 6 meses e que ao me ver me recebiam com um abraço apertado, carinhoso, dizendo que estão rezando por mim, é simplesmente emocionante, gratificante e único, receber todo este carinho é uma força a mais para a luta que continua.
A segunda grande emoção foi ir à missa, desde a cirurgia não tinha forças para ir à igreja, e confesso que em função da fadiga foi difícil subir os 3 lances de escada, mas ao final, depois de uma parada estratégica, respirar fundo, cheguei e ao entrar na igreja senti muito forte a presença de Deus, senti suas mãos me abençoando e me levando até a nave para o meu lugar.
Confesso que chorei emocionado sentindo forte Sua presença e com fé que estou sendo muito abençoado, senão não estaria aqui agora, graças a Ele e Maria, e pelo que agradeço muito.
Ao final da missa desci as escadas lépido e faceiro, com as forças físicas renovadas, com a alma leve e em paz, muita paz.
Para aqueles que estão sofrendo do mesmo mal que procurem forças onde existirem, família é o primeiro elo, os amigos, que vocês verão que estarão contigo e principalmente no seu Deus, Ele estará sempre ao seu lado, confie.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Notícias......... BOAS!

Deus é bom e misericordioso. Nossa corrente de amor e fé está dando resultados.
Estamos cada vez mais confiantes e felizes, sentindo o agir milagroso de Deus na vida de meu pai.
Todo mundo sabe o quão difícil é esta batalha, mas com a força e a oração de cada um de vocês temos nos sentido mais fortes, amparados, acarinhados.
Bom, o pai fez exames importantes segunda feira e eles ficaram prontos hoje.
Dizem o seguinte. O tumor, massa sólida na cabeça do pâncreas, teve uma redução de 5 mm x 3 mm.
O entupimento absoluto que antes havia no ducto pancreático já deu lugar a uma moderada dilatação, ou seja, não está mais entupido!
A veia mesentérica superior, que estava sendo abraçada pelo tumor, já está discretamente menos comprimida. A cirurgia ainda não é possível, mas será com a graça de Deus.
A quimioterapia está respondendo muito bem.
Temos mais 4 sessões, esta e mais 3, para então reavaliarmos a possibilidade de cirurgia, que já começa a se mostrar possível.
Plaquetas, ótimas! 193.000. Normal
Hemograma ótimo, sem anemias.
Peso MANTIDO, graças ao maravilhoso suplemento!
A luta continua, estamos vencendo batalha a batalha.
JUNTOS, vamos vencer a guerra.
Continuem suas orações, soldados do exército do amor.
Muito obrigada.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

5 de 6?

Amanhã começa tudo de novo. Novo ciclo, nova batalha.
O pai fez exames no início da semana, estamos aguardando. Tomografias para acompanhar a evolução do tratamento e involução do tumor.
Ele continua no suplemento, mas agora implicou que eu não sei mexer a bagaça, só a mãe sabe.

Charminho para pedir (mais) carinho da Belinha. Tá.
Mas eu sei bem bater o treco e ficou muito gostoso. Eu tomei. Pó + água + colher. Quem não sabe mexer? Humpf.
E agora, quase no final?
Bom, a Dra ainda vai avaliar se serão 6 ou 8. Tudo vai depender do resultado destes exames, que sairão na sexta.
Porfavorzinho Jesus????
Rezem por nós.
Sexta novidades. SERÃO BOAS.

domingo, 24 de agosto de 2014

Boletim do 4°ciclo - relato do pai


Depois das aventuras vividas, com as viagens feitas o corpo sentiu o peso dos excessos, não que tenha sido ruim, a fadiga muito menor do que na semana após a 3ª sessão, mas com fadiga. Mesmo com o mal estar, estou me sentindo mais fortalecido, com mais coragem, sabendo das limitações que tenho. Novamente tive pequenos sangramentos pelo nariz, sinal de baixa imunidade, corrigida rapidamente pela alimentação, de novo, feijão, beterraba, fígado de boi, musculo e o tão indesejado “suplemento”.
Mesmo sabendo que é necessário forço o uso do dito cujo, mesmo não sentindo sabor nos alimentos, o famoso tem um sabor característico e nada agradável, mas navegar é preciso assim sigo em frente.
Entendo que o combate à doença deve ser feito de todas as formas, tomando tudo o que foi indicado pela médica, nutricionista, seguir as instruções por mais que não pareçam importantes, como , por exemplo, fazer o bochecho com bicarbonato de sódio para prevenir as aftas, comer a intervalos de duas horas, enfim seguir as regras à risca.
Ao sentir o corpo fortalecido podemos relaxar nestas instruções, mas não se pode deixar de fazer nada do que foi indicado, recomendado, ou “determinado”.
É um exercício de paciência e determinação pois as consequências são imediatas e nada agradáveis.
Para aqueles que estão na mesma situação que eu a recomendação é ter paciência, determinação e é claro, sempre muita fé em Deus e Maria, que é meu caso, ou no seu protetor, guia, ou sua crença, seja ela qual for, a confiança em um Ser supremo é essencial para que você mantenha sua vida.
Força, determinação, coragem e fé, siga em frente e que Deus o abençoe.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Voos mais altos - relato do pai

"Depois de passar um final de semana maravilhoso, voltamos a Curitiba com o físico desgastado, porem com a alma lavada de felicidade. Chego na segunda e recebo o convite para uma reunião em São Paulo. Decisão difícil, encontro muito importante, claro que não tão importante quanto a manutenção da vida, mas fiz uma reflexão muito séria, percebendo minhas forças, minha saúde, óbvio que não esta 100%, mas está 75%, assim me enchi de coragem e decidi ir. 
Problemas, viagem de carro com mais 2 sócios da empresa, 5 horas de estrada, reunião à tarde e retorno no mesmo dia. Plano B - passagem de avião em aberto, o que me permitiria voltar no final da tarde. 
Muito bem, vamos embora, dormi no banco de trás uma boa parte da viagem de ida, cheguei em SP bem cansado mas quase inteiro. A reunião correu muito bem, decisões estratégicas importantes, reunião objetiva, decisória pratica e decisiva. Fim da reunião chega a hora da decisão, volto de avião ou de carro? A opção de voo era para as 21:00hs.... sem chance, decidi voltar junto com os sócios, novamente dormi muito na volta, chegamos por volta de 22:00, muito, mas muito cansado, porem feliz de ter tido a oportunidade proporcionada por Deus e Maria de me sentir forte e poder alçar voos mais ousados. Fisicamente esta semana a fadiga esta muito menor, existe, mas muito mais suportável. Graça divina proporcionada e pela qual agradeço a Deus e Maria a cada momento. Forca fé, coragem determinação, não se entregar, jamais, nunca desanime, siga em frente com muita fé em Deus e Maria."

Meus pitacos:

Ah se o Dr Marciano pudesse sequer imaginar que meu pai estaria trabalhando e viajando mesmo depois do 4º ciclo de quimioterapia (era para parar no primeiro). Fico muito orgulhosa da força de vontade que ele demonstra.
Deus está dando ao meu pai o que ele merece. Quem planta bondade, colhe benesses.
Esta vitória também é fruto do imenso esforço que o pai (finalmente) está fazendo em prol de sua saúde. Ele agora toma o tal do suplemento (era uma guerra), toma as gotinhas de homeopatia, não implica com a Janaúba, se hidrata e VIVE!
Com fé, confiança e muito amor chegaremos à vitória JUNTOS.
Deixo aqui uma frase de Santa Paulina, por quem nutro grande devoção e carinho:
"Nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários"
Santa Paulina, olhe e proteja meu pai de todos os males físicos, emocionais e espirituais que ele possa ter. Toque sua mão gloriosa e milagrosa no corpo de meu pai e cura seu corpo da doença e da enfermidade.
Amém


sábado, 16 de agosto de 2014

A grande viagem - relato do pai

Quer motivação melhor que esta?
Vinha alimentando uma saída de casa, para voos mais longos, assim decidimos visitar minha sogra em Água Doce - Santa Catarina, a 380 km de Curitiba.
Ficar em casa na mesma poltrona uma grande parte do tempo vendo os mesmos programas que enchem o saco, sem criatividade em sua maioria me fez ficar entediado, com muita vontade de fazer algo diferente e desafiador.
O que antes era um passeio, já chegamos a fazer diversas vezes esta viagem saindo de Curitiba no sábado e retornando no domingo, passou a ser uma missão mais complicada.
Horários de saída, pontos e parada, logística para trazer os medicamentos, injeções, etc.
Na saída assumi o volante, pois a estrada é de pista dupla, pedagiada, fácil de conduzir, sem pressa. Parada nº 1 para almoço, logo seguimos viagem dirigi por mais alguns quilômetros e passei a boleia para a Bellinha.
Assumiu brilhantemente, e não queria mais entregar o volante, e só me permitiu dirigir por mais alguns quilômetros na chegada.
Paramos mais algumas vezes e no trajeto tive a felicidade de rever as paisagens que passava sem prestar atenção, readmirando os locais que mostrava às crianças, os pinheirais os campos, planícies, a criação de gado enfim, vendo a mesma paisagem com outros olhos.
Este passeio tornou-se um desafio, vencido, o corpo apresentou os sinais evidentes de cansaço, mas a alegria de sair de respirar novos ares, rever pessoas queridas, estar em um ambiente renovado, alegre e feliz, ouvindo as histórias, e as estórias de família contados brilhantemente pela Bellinha para nosso seleto grupo, ouvir os causos contados por todos, me fez reviver e recuperar mais o gosto pela vida.

Uma viagem que era simples e fácil, nesta nova fase tornou-se um grande desafio vencido e com alegria e felicidade.

Renove-se, reviva, procure as alegrias nas pequenas coisas da vida,
Jamais se entregue, procure viver e se renovar a cada dia, este é o maior desafio de todos, viver e viver entendendo e compreendendo os limites do corpo, mas sem perder a fé e a esperança.
Viva bem sempre, dentro de suas limitações e estabelecendo prioridades.
Seja feliz, mesmo que isto signifique encarar desafios que possam parecer intransponíveis em uma nova situação de saúde. O corpo tem suas restrições, mas a alma nunca terá.

Amor também cura

O pai e a mãe foram passar o final de semana em Luzerna, ao lado de pessoas que eles amam. E no meio de muita gente boa e amorosa, ele reencontrou a netinha do coração.
Precisa falar alguma coisa? Essa imagem é simplesmente linda!!
Este sorriso, que eu não via há tanto tempo, é fruto do amor dessa pitoquinha que tanto bem faz ao meu pai.
Vovô Centa, estou muito feliz com a tua alegria.
Só imagino no casório, quando estiverem juntos os dois amores das nossas vidas: Antônia e Gabriel.
Não vejo a hora.
Antônia é uma baita vergonha eu não te conhecer ainda, mas saiba que te amo de todo coração.
Ganhei meu dia, minha semana, meu mês!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Relato do guerreiro

O resultado da terceira batalha;
Empate com baixas de ambos o lados.
Após a terceira sessão de quimioterapia os resultados dos exames foram 80% normais, sangue bilirrubina, etc. níveis normais, mas três grandes preocupações;
• Nível de plaquetas abaixo do mínimo
• Fígado, índices acima do normal.
• CA 581
O nível de plaquetas significa baixa imunidade, o que poderia impedir a próxima sessão, e assim a ação foi aumentar os alimentos ricos em ferro; feijão, beterraba, musculo, fígado de boi, suplemento etc., e foi o que fizemos. Em dois dias o nível subiu para acima do mínimo, suficiente para retomar a quimioterapia.
Neste meio tempo ainda quebrou um dente e a médica não permitiu o tratamento, antes do aumento do nível de plaquetas.
Índices do fígado, sem graves problemas, uma vez que é o órgão mais atingido pela medicação.
CA é preocupante, mas está baixando, e isto significa que o mal está sendo combatido e está diminuindo.
Assim posso afirmar que do lado da doença as baixas estão sendo a diminuição da doença, porém ela está entrincheirada entre uma artéria e uma veia, assim o ataque não é fácil por isto a diminuição lenta da mesma.
Do meu lado as baixas foram o extremo cansaço, fadiga muito maior do que das outras vezes, uma sensação terrível, sem dor, mas com muita fraqueza de corpo e de espirito, uma luta constante e sem resultados, a sensação de impotência de lutar, combater o bom combate, mas sem resultados a cada dia que passa, perdem-se as esperanças, e a baixa parecia ser eu mesmo.
Cheguei a desanimar diversas vezes, cheguei a pensar se não seria melhor me entregar, deixar de lutar, mas aí a fé me devolve forças de onde não existiam mais, mesmo sem resultados lutei mais uma vez e mais uma vez, aceitando que a vontade de Deus é quem rege nosso universo.
Após o sexto dia começaram a surgir os resultados, o corpo conseguiu reagir, as forças começaram a voltar lentamente e o desanimo começou a desaparecer.
Ao longo deste período as mensagens de animo e força pareciam vazias, “vai dar certo” “tudo passa” “voce é forte, consegue, vai lá”, mas as mensagens não soavam em mim como um apoio, porém entendi depois que quem me mandou estas mensagens realmente desejava minha recuperação, e agradeço a isto tudo, o apoio de minha família, e principalmente a força de Deus e Maria que me permitiram continuar a quimioterapia, e combater o mal até sua eliminação.
Não é fácil, não tem sido fácil, mas quando vejo pessoas com o mesmo mal em situações iguais, melhores e piores do que a minha peço a Deus que os apoie, conforte e cure.
Vamos em frente, lutar, lutar e lutar, dias melhores e piores virão, mas com nossa força de vontade, determinação e apoio da família e amigos, além das bênçãos de Deus e Maria conseguiremos.
Saúde e sorte a todos, que Deus os abençoe e guarde sob o manto de Maria.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A melhora invisível


Uma das grandes dificuldades na batalha contra o câncer é visualizar a melhora.
O corpo, obviamente, fica cada vez mais abatido a cada quimioterapia.
Cansado, fraco, mais magro.
A cada sessão estes efeitos vão se intensificando.
O médico nos alertava sobre isso.
- Olhe, ele vai conseguir trabalhar somente até depois do primeiro ciclo. Após este período o corpo vai pedir repouso, tudo vai ficar mais difícil.
A gente foi percebendo estas mudanças aos poucos.
Dificuldade de respirar, falar, voz cada dia mais fraca, emagrecimento.
Subir 13 degraus curtos é um esforço imenso.
E a cada sessão os efeitos se intensificam. SIM, É NATURAL.
É natural, mas obviamente causa angústia.
A quimioterapia é danada porque visivelmente, no que a gente pode sentir, o corpo só piora.
Parece que nada está adiantando.
SÓ QUE, assim como o corpo, o câncer também está sofrendo. Está sendo massacrado, reduzido, exterminado, pulverizado.
O problema é que isso a gente não vê.
O que fazer?
Lá vem novamente a palavra que meu pai me ensinou:
Temos que ser RESILIENTES.



Aceitar as mudanças do corpo como parte da cura e perseverar, com paciência e fé.
Nós SABEMOS que o câncer está sofrendo também. A diferença é que ele não sabe ser resiliente e se entrega. Nós não.
O câncer vai morrer, vai se entregar, vai acabar.
O pai não. Porque meu pai saberá conduzir seu processo de cura com paciência, graça, fé e amor.
Aceitar as mudanças do corpo, compreender o corpo, conversar com o corpo e principalmente, FAZER O QUE ELE PEDE.
Ele pede paz, daremos a ele paz.
Ele pede alimento. Daremos a ele alimento - PARA ISSO MEU PAI TERÁ QUE SE ESFORÇAR MAIS.
Ele pede DESCANSO. E talvez aí seja necessária uma mudança. O pai ainda está trabalhando. Não seria a hora de ser mais resiliente e aceitar a necessidade de descanso. Dormir o quanto for necessário. Ficar em casa sem fazer nada - sem mercado, sem chácara, sem dirigir, sem nada. Será, paizinho?
Vamos dar ao corpo o que ele pede?
Lições de resiliência do bambu: "Curvar-se, mas sem quebrar.
Uma das coisas mais impressionantes sobre o bambu é como ele se balança com a brisa. Este movimento, o balanço suave, é um símbolo de humildade.
A fundação do bambu é sólida, mas se move e balança harmoniosamente com o vento, nunca luta contra ele. Até o vento mais forte, o bambu ainda permanece firme e na altura.
Essa atitude, “curvar-mas-sem-quebrar” ou ” ir no fluxo natural”, é um dos segredos para o sucesso, ou apenas para lidar com os caprichos da vida cotidiana."

A gente curva, mas não quebra.
Já o câncer, ah esse VAI quebrar, para honra e glória de Deus.


sábado, 9 de agosto de 2014

DIA DOS PAIS


Hoje é dia dos pais. Dia daquele que tem sido a razão dos meus pensamentos mais amorosos.
Nós, eu e meu marido, fizemos há poucos dias um curso de noivos e uma das palestras me fez lembrar muito meus pais.
O pediatra falava sobre paternidade responsável e sobre os desafios da paternidade frente a modernidade.
Num dos momentos ele questionou sobre as boas lembranças, boas marcas, que nossos pais haviam deixado em nós.
Passou um filme na minha cabeça.
Claro que eu não lembro, mas sei que meu pai conseguia acalmar o mais raivoso dos bebês. Sempre dormi mal e fui ligada no 220, mas era em sei peito quentinho que eu sossegava.
Só o pai tinha paciência e calma para fazer sumir uma crise de tosse de cachorro louco (como chamávamos meus acessos de tosse inexplicáveis). A mãe nunca lidou com os seus pequenos doentes, então era ele que fazia tudo serenar. Acalmava a mãe que ficava agoniada, me fazia um chá bem ruim (tinha alho no treco, ou era mel, mas era horrível), me colocava sentadinha no balcão da cozinha, fazia eu beber aquela coisa, e depois deixava eu adormecer na cama deles (este privilégio era só para doentes). Não contem para ninguem mas acho que umas boas vezes eu devo ter fingido aquela tosse só para chamar atenção e dormir lá, apesar do chá.
Meus pais foram companheiros de escorrebunda no papelão e morriam de rir das calças rasgadas.
Faziam o melhor café da manhã com ovos, mas só em ocasiões especiais.
Nossas viagens eram marcadas pelo famoso TÁ CHEGANDO PAI?
Pelas inúmeras brigas com a Tata no meio, e pelas maravilhosas histórias sobre a natureza que o pai contava ao mostrar as florestas por onde passávamos. Mas, tá chegando, pai?
Eles transformaram a menina espoleta de triciclo rosa e capacete de formiga atômica naquilo que sou hoje.

E na fase de não querer pentear o cabelo? Eu tinha um cabelão e não penteava. O único ser que eu deixava tocar naquele ninho era o pai. A mãe puxava demais. Ele ia devagar, com uma paciência de jó. Garanto que ele pensava "guria do djanho, penteia essa porcaria", mas não falava nada. Só me salvava da mão de quem estivesse tentando tirar o nó na marra.

Meu pai "café pilão" faz jus ao apelido maluco que inventei ainda pequenina.
Café é forte, encorpado. Mas também é quentinho, tem cheiro de café da manhã com a família, combina com bolo de infância, conforta.
Até hoje o café da manhã é minha refeição mais esperada.

Não, esta não é minha mesa. O motivo é outro.
Acho que inconscientemente eu lembro da música que o pai cantava todos os dias, chamando a gente para o café.
"vamos tomar caféeee, vamos tomar café, cada um com a sua muié, na casa do .... (esqueci)."
A gente com cara amassada, morrendo de sono, e o pai lá berrando feliz da vida. Acho que a gente às vezes se perguntava se ele era normal.
Ainda bem que não é normal. É único, é meu, é especial, é um presente divino.
Nós dividimos muitas paixões, compartilhamos grandes momentos e graças a Deus faremos ainda mais juntos.

Pai não tenho palavras para te fazer imaginar o quanto você é especial para mim.
Nada, nada, nada mesmo pode descrever o que eu sinto, como eu me orgulho de você, a vontade que tenho de gritar ao mundo que sou sua filha.

No dia de hoje peço a Deus que lhe dê SAÚDE, resiliência, sabedoria e fé para vencer esta batalha.
Mas quero mais. Quero que Deus transforme toda a dúvida em certeza, toda dor em amor, toda tristeza em absoluta felicidade.
Este momento vai passar.
Quando terminar a providência divina será abundante.
Nossa família já mudou, já se uniu.
Temos muito mais para conquistar juntos.

Ah, tem mais uma coisinha que eu te desejo.
Desejo que no ano que vem vocês comemorem o dia dos avós.

Eu te amo, pela eternidade e mais uma semana.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cansa cansa e cansa

A imensa fadiga.
A pior consequência da quimioterapia tem sido a fadiga, uma sensação de desanimo imensa, não sinto forças para levantar da cadeira; subir os 13 degraus da escada que leva ao quarto nestes dias tem sido uma tarefa dificílima, extenuante, e a sensação é constante.
Três, quatro dias seguidos, 24 horas por dia, não me movimento, fico em repouso sem dormir, tentando de alguma forma recuperar as forças, mas não é possível.
É preciso buscar forças onde não existem e constantemente, porém é muito difícil, penoso mesmo, por mais que eu tente muitas vezes não consigo reagir. O sentimento de incapacidade é terrível, fico me agarrando a uma linha tênue de vida, um fio de cabelo que parece romper a qualquer segundo. Cerro minhas mãos com força, muita força mesmo, como se isto me trouxesse de volta à vida, chega a doer, e muito levemente sinto uma pequena reação em meu organismo, um sopro de vida retoma, sem que as forças voltem, mas muito lentamente consigo mais uma chance de recuperar.
Rezo muito, peço a Deus e Maria que me ajudem me façam recuperar, mesmo com a benevolência Deles não consigo melhorar. Neste momento bate o desespero, você vê sua luta constante, porém sem resultados.
É claro que os resultados são aqueles que Deus quer e não o que nós queremos, assim preciso ser perseverante e acreditar na piedade divina, assim vou levando acreditando em Deus e Maria, lutando, me agarrando a este fio de cabelo sopro de vida que aos poucos será fortalecido e sonhar com a recuperação total.
Lembro os versos da nossa poetisa paranaense Helena Kolody em Sonhar;

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

Helena Kolody
(1912-2004)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A lógica não lógica das reações da quimioterapia

Relato do pai

"Após a terceira sessão as reações foram completamente diferentes, não existe uma lógica nestas reações. Não tive enjoo, diarreia, ao contrário tive problemas de ressecamento, porém no domingo tive soluços durante pelo menos 3 horas seguidas. Não dói nada, mas incomoda um monte. O soluço pode ter sido em função do frio? Não teve relação nenhuma, o ressecamento foi em função de algo que comi? Não fiz nada de diferente, assim não tem como justificar ou ligar uma situação a outra, e é assim que as coisas acontecem. O que persiste é a fadiga, esta sim constante e tentei verificar as razões, mas não existe uma relação direta, assim não tem como ligar uma coisa a outra. Mas o mais importante é que com a graça de Deus e Maria o índice CA baixou muito, passando de 1480 para 548, muito, mas muito longe ainda do ideal que é de 0 a 33, mas apenas uma batalha vencida de uma grande guerra. Persistência, ou mais ainda resiliência esta é a palavra e a atitude que devemos ter nestas situações, e o significado de resiliência é; “Habilidade de se adaptar com facilidade às intemperes, às alterações ou aos infortúnios. Ou ainda. Característica mecânica que define a resistência dos choques de materiais. Mais ainda a particularidade apresentada por certos corpos, quando estes voltam à sua forma original, depois de terem sofrido deformação elástica.” Depois de deformados de uma forma bruta alguns corpos conseguem retornar à forma original, e é assim que nós que temos este problema sério devemos agir, pensar e ter a determinação. Vamos em frente com fé em Deus e Maria, com a ajuda de todos os entes queridos na busca da vitória. Amém"


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Doença familiar

Li um relato agora dizendo que o câncer é uma doença familiar.
É. Uma doença que "cura" uma família.
Parece estranho ver algo de positivo na dor, mas existe.
Nós somos uma família unida. Sempre fomos. Na nossa cabeça viver bem, em meio à sinceridade, amor e uma harmonia bagunçada (ainda bem) era sinônimo de união.
A verdade é que nenhum de nós conhecia a força do nosso amor.
Quando o pai descobriu o câncer, ficamos todos doentes. Dor. Eu nunca havia sentido uma dor emocional tão forte. Abala, quebra. Corrói.
E Deus te dá opções: ou luta ou desiste.
E você luta, sabe lá com que forças.
A primeira semana foi só de dor. Chorei noites e noites seguidas. Fiquei de luto e me despedi da vida que eu levei até aquele momento. Foi uma ruptura.
Rompi com minha segurança, com minha tranquilidade, com minhas expectativas e com todas as certezas que eu tinha até ali.
Decidi fazer desta luta a minha vida. Talvez se a vida que estivesse em jogo fosse a minha eu não tivesse optado por lutar. Mas ali estava a vida do meu ídolo.
Eu não podia desistir.
E aí veio a "onda". Onda de amor, de fé e de perseverança. Não fui só eu quem tomou esta decisão. Todos nos transformamos em guerreiros.
Tios que moram perto, os que moram longe, primos, irmão, cunhada, marido, mãe, muitos amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e anjos, todos vestimos nossas armaduras e nos unimos COMO NUNCA.
Unidos em fé e amor estamos empurrando o pai para a cura.
Ele foi um guerreiro. Está sendo. Mesmo com todas as dores, medos e incertezas ele acorda todos os dias com um sorriso no rosto e com sua fé inabalável.
E hoje tivemos uma grata surpresa de Deus, que nos diz: vocês estão no caminho certo. Continuem juntos.
O marcador tumoral do meu pai baixou de 1419 (quando descobrimos a doença) para 584.
69% de redução.
69% DE REDUÇÃO.
Juro que já li este exame muitas e muitas vezes e ainda vou ler muitas mais. Fazia tempo que não me sentia alegre assim.
Só tenho a agradecer a Deus, Maria, minha Santa Paulina e a todos os amigos que estiveram juntos conosco até agora, unidos na certeza da cura.
Vamos em frente, rumo ao CA 19-9 abaixo de 30!
Meu pai continua tomando a Janaúba.
Peço POR FAVOR a quem tem parentes com câncer e está lendo este post. Entrem em contato comigo, faço questão de procurar, achar e entregar janaúba para quem quer que seja!
JANAÚBA CURA. A FÉ LIBERTA. DEUS PODE TUDO!