sábado, 31 de outubro de 2015

Ah a fadiga, fadiga, fadiga........


Na sessão de quimioterapia senti os efeitos imediatamente, enquanto fazia a sessão senti muito cansaço, dormi muito tempo, e ao acordar senti a fadiga.
Tomo agora a quimio oral em conjunto com a injetável, assim os efeitos são “duplos”.
Fomos para casa, minha cunhada que mora nos USA estava conosco, e ao chegar não conseguia me movimentar muito, sentia meu corpo enfraquecido, mas contava que poderia me recuperar ao longo da semana.
No dia seguinte os efeitos foram aumentando, muita fraqueza, mal estar, e a sensação de entrega, falta de reação, não consigo me concentrar, ler e-mails é difícil, mas sempre procurando buscar forças onde não existissem.
Os efeitos porém não diminuíram, ao contrário foram piorando a cada dia, me esforcei muito para participar de algumas reuniões, e ao chegar em casa sentia a respiração muito curta, algumas vezes até com dificuldade de encher os pulmões, mas procurava repousar muito, recuperar as forças sempre que possível.
Na quarta feira uma noticia terrível, o falecimento de uma prima, e mesmo debilitado resolvi dar um abraço aos primos e a tia, o que me enfraqueceu ainda mais.
Uma tarde estava em casa e decidi repousar no quarto, e simplesmente não conseguia me levantar do sofá, o que me causou uma enorme frustração, ao tentar levantar senti uma forte tontura, achei que iria desmaiar, e tive que me sentar rapidamente.
A sensação é terrível, por mais que você lute o corpo simplesmente não reage não responde aos seus pedidos de súplica por uma reação, um sinal de vida e de recuperação.
Mas não me entreguei, continuei participando das reuniões, mesmo com muita fraqueza, fui gravar a segunda aula do curso de Matemática Financeira, e a exemplo da gravação da semana anterior, ao retornar para casa, simplesmente estava acabado, exausto, com dificuldades de respiração, porém feliz por ter conseguido gravar a aula e produzir, mesmo que pouco durante a semana.
Esta tem sido uma batalha muito difícil,  sensação de incapacidade de reação me deixa muito angustiado, sentir o mal estar, náuseas, falta de sensibilidade no paladar não são tão ruins como a fadiga, e a cada amanhecer parece que vou melhorar, mas não é esta a realidade.
Vamos aguardar o final da quimioterapia oral e ver se as condições físicas melhoram.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O último resultado do CA19-9


Para continuar o tratamento precisávamos saber o resultado do CA, cujo normal é até 35, e meu último exame estava acima de 1.300.
A expectativa de receber o resultado é sempre enorme e angustiante, o valor deste resultado representa a expectativa de sobrevida, se aumentou o índice a possibilidade de sobrevivência é menor, e  pode ser mínima, se diminuiu e dependendo de quanto dimiuiu pode significar uma melhora temporária ou parcial, o vencimento de uma batalha, e não da guerra.
A abertura do e-mail com o resultado é um momento que preciso estar preparado, e fiz isto, deveria receber na sexta feira, nada chegou no e-mail e não insisti para a resposta. Na segunda fui colher o sangue para os demais exames e solicitei os resultados do CA.
Estava preparado para tudo, no domingo na missa pedi muito a Deus pelo melhor, seja o que fosse, não entrei em desespero nem angústia, confio Nele e fosse o que fosse acontecer sei que seria pelo melhor.
Finalmente chegou o resultado... 631!!!!! Um índice ainda muito alto, mas metade do valor anterior.
O que isto significa?
Na consulta a médica nos passou que foi uma vitória, até porque os demais exames foram muito bons, hemoglobina, plaquetas etc, e ganhei um pouco de peso.
Não ganhamos a guerra ainda, mas esta batalha pode significar o início de uma vitória contra um inimigo poderoso, que também não se entrega.
Reiniciamos a quimioterapia injetável e oral, e as consequencias foram inevitáveis, muito mal estar, náusea, fadiga, cansaço, enfim o organismo reagiu rapidamente e negativamente, passei muito mal no final da tarde e à noite, mas acordei bem melhor e confiante.
Vamos em frente passo a passo.

sábado, 24 de outubro de 2015

Gravação da aula


O dia conspirava contra, acordei disposto, mas como acontece algumas vezes, logo após o café da manhã passei muito mal, não conseguia respirar normalmente, indisposição, uma espécie de náusea, e falta de ar.
Pensei comigo, vou desmarcar a gravação e faço outro dia quando estiver melhor, mas como detesto procrastinação, decidi enfrentar a situação, aguardei alguns minutos, sentei, tomei folego, senti uma pequena melhora e resolvi ir em frente.
Ao meu lado minha fiel escudeira, guardiã e cuidadora a Bellinha, pedi a ela me acompanhar caso tivesse algum problema.
Saímos de casa, e chegamos ao estúdio do Mário Mendonça que nos recebeu como sempre com entusiasmo e alegria.
Novamente tomei fôlego, recuperei as energias enquanto a Meg fazia a maquiagem e fui medindo minhas forças, pensando se não conseguir gravar toda a aula (uma hora de aula gravada), vou até o meu limite.
Começamos a gravação, levei uma calculadora antiga da década de 60, uma vez que a aula era sobre matemática financeira, de modo a quebrar o gelo junto aos alunos, e aos poucos fui me entusiasmando. A gravação de uma hora aula demanda pelo menos duas horas de trabalho, tudo correndo muito bem, mas neste caso demoramos quase três horas.
Fiz a gravação sentado, não conseguiria fazer em pé como gosto, circulando agitando os braços, mas mesmo sentado mantive o entusiasmo e a energia.
Ao final o Mário me perguntou como estava, ao que respondi, exausto mas, renovado, fazer o que se ama é o máximo, fazer com entusiasmo e alegria é o que vale a vida, assim eu me senti com vida e energia, entregue de corpo e alma a uma atividade que me dá muito prazer.
O dia passou com as consequências do ato, ou seja, uma exaustão enorme, respiração curta, cansaço mas, sem nenhum mal estar, uma sensação de alegria interior por ter produzido algo que possa ser útil para as pessoas.
Semana que vem vou gravar a segunda aula, assim aproveito o final de semana para me recuperar, ganhar energia, força, uma vez que a chama continua acesa.
Vamos que vamos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resiliência, resignação e reação


Nas últimas semana fiz a quimioterapia por infusão e oral, assim a “pancada” foi em dobro, tomei durante 2 semanas a quimio oral, iniciando no dia da quimioterapia injetada, e as reações foram as piores desde o início deste tratamento.
Senti um mal estar, uma espécie de ressaca, com um detalhe, a sensação começava pela manhã durava o dia todo, e não terminava.
Dias e dias sentindo este mal estar, além da fadiga, muito forte sempre, náusea, indisposição, diarréia em alguns momentos, e a perda de peso.
Isto enfraqueceu o físico e o psíquico, me senti fraco fisicamente em muitos momentos, e senti que minhas forças para lutar haviam desaparecido. Não conseguia mais ter a garra de antes, tentava lutar comigo mesmo, mas simplesmente não conseguia, a falta de condição física me empurrava para uma entrega, uma falta de animo, não conseguia manter o foco, mesmo tentando lutar me faltavam forças.
Mais uma vez fiz uma prova comigo mesmo, em um dia desta semana pela manhã fiz uma apresentação para um grupo de gestores de RH sobre os cursos que estou trabalhando, uma apresentação de 20 minutos, ininterruptos, e durante a apresentação me senti bem entusiasmado, eloquente, e percebi que este é o Sergio que deveria estar no comando novamente.
Ao encerrar sentei e pedi um copo com água e respondi as questões atendendo as pessoas ali mesmo.
Voltei para casa exausto, procurei descansar e recuperar a parte física, pode parecer algo estranho para uma pessoa comum, fazer uma palestra de 20 minutos, é apenas o início de uma de minhas aulas, nos bons tempos, mas no meu caso foi um esforço extraordinário,  mas para mim, necessário.
À noite em casa, após trabalhar um período a tarde comecei a refletir sobre esta situação, não posso me entregar, não posso me deixar levar pela fraqueza, pela falta de vontade, pela incapacidade física, minha força de vontade precisa ser maior do que tudo, mesmo sem a energia física que tinha.
Ao deitar pensei muito, demorei a pegar no sono, batalhei muito comigo mesmo buscando forças na alma para voltar a lutar e continuar lutando.
Não está sendo fácil, quando éramos jovens falávamos que deveríamos matar um leão por dia, e é assim que eu devo proceder matar um leão por dia, fera esta que está para me devorar, e se eu não fizer nada ela vai acabar comigo.
Não consigo lutar com as mesmas forças de antes, mas enquanto eu puder irei em frente superando minhas fraquezas a cada dia.

domingo, 11 de outubro de 2015

Os últimos resultados e a decisão de seguir em frente


O resultado do último exame de CA foi péssimo, mil trezentos e qualquer coisa. No início não sabia muito o que fazer, me senti perdido, sem rumo mesmo, inseguro, o que pode acontecer?
Tudo, ou nada, recomeçamos as sessões de quimioterapia, e as reações estão sendo mais difíceis mal estar constante, não é uma náusea, é uma sensação de mal estar geral, uma espécie de ressaca, falta de força física, levantar da cadeira e ir a qualquer lugar é difícil, sacrificante, mas preciso.
Na última consulta com o médico cirurgião, pessoa que confiamos muito, as palavras dele foram, “o procedimento é este mesmo”... “o problema voltou no pulmão, entretanto possivelmente quando surgiu no pâncreas o problema estava no sangue e não no pâncreas”....”não há o que fazer”.
O procedimento é este mesmo, segundo nosso médico e vamos em frente.
A sensação é ruim,  sem saída, a frase não há o que fazer é de difícil intepretação, ou assimilação.
Mas não há como negar que a vida está aí para ser vivida e em sua plenitude assim tomei uma decisão que estava procrastinada há tempos.
Eu sei que preciso fazer o doutorado, como trabalho na área de educação, a titulação e a produção científica são obrigatórios, um Professor precisa de produção científica, (livros, artigos) e este ano lancei um livro e enviei um artigo para publicação, mas na minha cabeça não é o suficiente.
Precisava reagir, reascender a chama e me empurrar para frente e finalmente decidi fazer o doutorado, preparei os documentos e fiz a inscrição.
Agora estou aguardando a aprovação, que deve vir nos próximos 30 dias, e já estou trabalhando na tese que irei defender.
É um novo projeto de vida, um novo desafio, com prazo de entrega, ou seja, serão dois anos de muito trabalho na tese, mas principalmente um incentivo para continuar a luta pela vida, pelo crescimento, e pelo ressurgimento de uma chama que estava se apagando, eu estava com muitas duvidas sobre meu futuro, mas se eu não agir, quem fará por mim?
Vamos em frente, sempre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

As boas e as más notícias


Primeiro as boas novas, estou desenvolvendo um trabalho em uma faculdade, e participava de uma reunião com minha equipe, e ao final da reunião voltei à minha sala e fui buscar um documento na impressora que fica no meio da grande sala, quando um colega de trabalho me disse: "você não deve e não precisa fazer isto, quando tiver que pegar algo na impressora me peça que eu com o maior prazer irei buscar".
Confesso que me emocionei, pois não esperava uma atitude destas de uma pessoa que conheci há pouco tempo e que mal tive a oportunidade de conversar no ambiente de trabalho, pois atuamos em departamento diferentes. A preocupação dele comigo, a oferta de me ajudar,  mesmo uma atitude como esta que não exige um grande esforço físico, mas a preocupação que eu devo me preservar, não gastar energias com atitudes como esta me fez ficar muito emocionado, e agradecido por saber que tenho não apenas um colega de trabalho mas um amigo. Muito obrigado mesmo.
Outra colega de trabalho e amiga, também manifestou sua grande preocupação comigo ao me ver chegar ao trabalho ofegante, depois de andar 100 metros, situação esta normal para mim nesta atual conjuntura. Ao me ver me ofereceu um copo de água e está sempre perguntando como estou se preciso de algo, enfim demonstra claramente uma preocupação comigo e a vontade de ajudar, fico emocionado a cada manifestação destas e agradecido por ter amigos como estes, além é claro de todas as outras pessoas que tem demonstrado seu carinho e preocupação comigo, emocionado fico feliz e agradecido.

As más noticias
Antes de reiniciar as sessões de quimioterapia colhi o sangue para o fatídico exame de CA, e quando estava na faculdade chegou o resultado, nada agradável.
Confesso que me preparei para receber a notícia, fosse qual fosse, não esperava nada, mantinha a calma e a tranquilidade, e ao ver o numero confesso que de início me assustei, o índice passou para 1.300, sendo o normal até 33.
Já estava em 300 e tanto, e passar para 1.300 é muito, mas muito alto.
Não consegui chorar, apenas desabei na cadeira, tive um “branco” mental, e por alguns minutos fiquei ali estático, inerte, sem reação, sem rumo.
Passei para a Carol e a Bellinha o resultado talvez buscando um apoio remoto uma orientação pois não conseguia pensar em nada.
Parei novamente pensei em tudo, todas as possibilidades e decidi não me desesperar, pensar em algo “racional”, se isto é possível, buscar alternativas; refazer o exame? Falar com a médica? Pedir uma outra opinião? Nem sei mais o que fazer.
Fiz de tudo, passei para a médica o resultado, marcamos a consulta com o cirurgião e pensamos em refazer o exame no laboratório que sempre fizemos.
A resposta da médica foi no mínimo evasiva, “o índice de CA reflete o aumento do tumor.” E só.... 
Vamos agora seguir em frente, e seja o que Deus quiser, continuo com fé e confiança, mesmo enfraquecido fisicamente e mentalmente como estou agora, mas com o propósito de seguir adiante.