segunda-feira, 18 de abril de 2016

A sensação de cura!

Logo depois de receber a notícia da doença um grande amigo ligou e me falou sobre Abadiânia e o Médium João de Deus.
Estava no início do tratamento, e com as cirurgias, quimioterapia, radioterapia e outras terapias acabei deixando de lado a questão de Abadiânia.
Este ano voltei a ouvir sobre as curas em Abadiânia, e,graças à minha cunhada Ana, tivemos o incentivo que faltava para ir.
Chegamos em Brasília na terça feira início da tarde, pegamos o carro e fomos à Abadiânia que fica a 115 km.
Estrada boa, bem conservada, pista dupla em todo o trajeto, e saída fácil do aeroporto de Brasília.
A cidade é muito simples, de um lado da estrada, a direita de quem vem de Brasília no sentido Goiânia, fica a Abadiânia espiritualista, uma rua apenas, o asfalto chega a Casa Dom Inácio e logo depois vira uma estrada de chão. Clima muito seco, muita poeira no ar, mas ao passar em frente, à nossa esquerda, na Casa Dom Inácio vemos uma construção grande, toda em branco e azul bem cuidada, com muita gente circulando já na terça feira.
Locamos um “estúdio” um imóvel de aproximadamente 30 m2 com uma copa cozinha, quarto, banheiro e sala, anexo a uma das casas de um condomínio fechado.
Instalações confortáveis mas espartanas, sem televisão, rádio, mas um chuveiro quente muito bom, telas em todas as janelas, uma varanda enorme com redes espreguiçadeira e seguro.
Na quarta feira cedo fomos à Casa Dom Inácio.  Chegamos às 7:00h tomamos um café na lanchonete da casa e fomos aguardar o atendimento.
Chegando na casa, passamos o portão à esquerda fica a lanchonete, e à direita a entrada para os salões.
Entrando nesta grande construção logo a esquerda fica a recepção, ao lado a farmácia e acessa-se o pátio que tem cadeiras de auditório e bancos onde se acomodam cerca de 120 pessoas, em frente ao salão principal. À direita fica o salão principal com cerca de 400 lugares sentados, cadeiras de auditório e nas laterais bancos de cimento.
À esquerda fica um pequeno palco com o triângulo onde são depositadas as fotos de pessoas que não puderam vir, os nomes de pessoas que precisam de ajuda e pedidos dos peregrinos ali presentes.
Ao lado do palco a entrada das salas onde as pessoas são atendidas individualmente, são três salas onde ficam as “correntes” bancos onde vários voluntários sentam-se e ficam concentrados auxiliando as entidades a se conectar com os médiuns, fazendo a ligação entre o natural e o sobrenatural, e Deus.
São três salas de corrente onde ficam cerca de 200 pessoas.

      
São três possibilidades de atendimento, os que irão para a fila da primeira vez (nosso caso) os que irão para a fila da revisão, e os que vão para a fila da segunda vez.
Não existe uma ordem específica, assim a entidade pode chamar a fila da primeira vez, depois a da segunda vez, mas sem uma ordem específica.

Dentro da sala de atendimento passa-se pela primeira sala de corrente, logo à esquerda ficam mais pessoas em corrente e à esquerda encostadas nas paredes diversos médiuns incorporados e à frente o Médium João sentado em uma poltrona atendendo TODAS as pessoas.
As entidades que estão ali presentes fazem parte do que se denomina a Falange de Dom Inácio, muitos médicos uma enfermeira e o Próprio Rei Salomão.
São estas as entidades que trabalham na casa Dom Inácio;
• Rei Salomão
• Santo Inácio de Loyola
• São Francisco Xavier
• Dr. Bezerra de Menezes
• Dr. Augusto de Andrade
• Dr. Osvaldo Cruz
• Dr. Jose Valdivino
• Dr. André Luiz
• Irma Sheila (enfermeira)
• Eurípedes Barsanulfo
• Francisco Candido Xavier
• Emmanuel

Estava muito cansado e fraco, com o calor não conseguia ficar em pé, e a Ana conseguiu uma cadeira de rodas para aguardar nossa vez.
Por volta de 10:00h o Médium veio ao palco, e atendeu um senhor, tirando dos olhos dele algo com uma faca, sem anestesia, sem dor e este senhor saiu andando do palco.

Entrou e as filas começaram a andar rapidamente.
Uma sensação interessante; milhares de pessoas circulam nos ambientes, guardando o silêncio, e sem pressa, sem empurra empurra, existe uma aura de calma no ar, de paz e ajuda mútua.

Momento mágico # 1:
Enquanto aguardava senti uma movimentação nas minhas entranhas, como se estivesse sendo manipulado internamente, no estomago, pâncreas, fígado, cheguei a sentir mal-estar, embrulhar o estômago diversas vezes, e aos poucos começou a passar e melhorar.
Chorava muito, sem nenhuma razão aparente, em períodos diversos, me aclamava e voltava a chorar durante a espera.
Por volta de 11:00h entramos, eu na cadeira de rodas atrás de mim a Bellinha e chegamos ao Médium que estava sentado em sua poltrona. Ele me olhou e disse “te vejo na intervenção as 14:00h”.
Para a Bellinha e para a Ana ele entregou uma “receita”.
A intervenção é uma cirurgia”l espírita, sem cortes sem que ninguém toque seu corpo, e a receita é a indicação da aquisição de Passiflora, um pó de maracujá em cápsulas, porém este medicamento é energizado para cada pessoa, assim cada um deve tomar o seu medicamento, não pode tomar o de outra pessoa.
Saímos do local e fomos tomar a sopa, oferecida pela casa, trata-se de uma sopa a base de abóbora, legumes e macarrão, que não é apenas um alimento, mas sim um complemento do tratamento, assim a recomendação da casa e que seja consumida todos os dias enquanto estiver em Abadiânia.
Depois fomos almoçar procurando um bom local, mas como tudo em Abadiânia é simples, fomos a um hotel que oferecia almoço, muito simples.
Voltamos à tarde por volta de 13:30 h e os atendimentos iniciam as 14:00h

Momento mágico #2:
Estávamos no salão principal muito calor e eu não sentia absolutamente nada no aparelho digestivo e estranhei esta situação.
Um pouco antes de entrar nas salas das correntes senti uma dor no ombro direito, mas não dei bola.
Passamos pelas três salas das correntes e nos dirigimos à quarta sala a da intervenção espiritual.
Ficamos concentrados por cerca de uma hora, e não senti nada no aparelho digestivo, e sim uma forte dor em determinado momento novamente no ombro direito.
Me dei conta que de tanto usar o computador eu tenho um formigamento na mão direita e dores no ombro direito omoplata etc. Estava sendo curado desta enfermidade, sem sequer ter pedido nada a este respeito.

Depois da intervenção fomos ao jardim para as instruções, quais sejam;

Não consumir por 40 dias
o Pimenta
o Álcool
o Ovo de granja
Abstinência sexual por 40 dias
Repouso absoluto por 24 horas
Sem acesso
o Televisão
o Internet
o Telefone
Retornei ao estúdio e me deitei, estava cansado, mas não com a fadiga que sempre tive da quimioterapia. Repousei a tarde toda, dormi bem à noite, e no dia seguinte fiquei na varanda pela manhã.
Compreendi o significado desta pausa, são momentos de encontro com Deus, você repensa sua vida, desliga de tudo, conecta-se com Deus e percebe sua pequenez e revê muitos de seus conceitos.
Passei o dia em repouso, cansado fisicamente mas espiritualmente em paz e revigorado.
Na sexta feira fomos pela manhã para o banho de luzes de cristal, tomamos a sopa e fomos almoçar. Estava caminhando sem a necessidade da cadeira de rodas, fraco mas confiante e recuperando as forças.

Momento mágico #3
Às sextas feiras acontece o que os voluntários chamam de “bye bye”, os peregrinos vão ate a Casa para uma benção de boa viagem uma despedida da entidade.
Chegamos as 13:30h o calor estava muito forte e comecei a passar mal, uma sensação estranha, difícil, em alguns momentos achei que iria desmaiar, mas não falei nada para a Bellinha para não preocupá-la. Aos poucos fui melhorando e por volta de 14:30 o médium entrou no salão, subiu ao palco e pediu que um jovem ficasse ao lado dele.
Perguntou se havia na platéia algum médico, que se apresentou e ficou ao lado do jovem. O médium pediu ao médico que apalpasse o jovem constatando uma hérnia e uma bola ao lado do peito esquerdo.
Logo em seguida pegou um bisturi, fez uma incisão de cerca de 2 cm no peito do jovem apertou de modo que saísse sangue por alguns instantes e pegou uma agulha cirúrgica, uma pinça e fez diversos pontos no corte. Enquanto fazia as suturas não olhava para o jovem e sim para o médico. Depois pediu ao médico que apalpasse novamente para verificar se a hérnia continuava e o tumor, sendo que o médico disse que ali não havia mais nada.
Pediu que retirasse o jovem e chamou uma moça,  pediu ao médico se deveria fazer a intervenção com ferramenta ou sem ferramenta, o médico pediu com ferramenta e o médium passou uma faca dentro do olho da moça retirando algo, sem anestesia, sem dor.
Retirada a moça ele começou a chamar a fila para entrar, pegou uma senhora que andava com uma bengala, pediu a ela para subir ao palco, tirou a bengala das mãos dela, passou as mãos pelo corpo desta e disse ”pode ir embora, e não precisa mais da bengala”.
Voltou a orientar a fila e de repente me olhou fixamente nos olhos e me chamou, eu não acreditei que era comigo, e fui, muito emocionado.
Segurei a mão esquerda do médium com minhas duas mãos, com força e ele me pergunto o que fazia, disse sou Professor, ele passou as mãos no meu lado esquerdo na altura do peito, onde tive o liquido retirado da pleura, e disse “quero te ver mais duas vezes e vou te tratar aqui agora, entre para uma intervenção”.
Entramos novamente, muito emocionados, chorando muito, desta vez caminhando com fé, e passamos pelas salas de corrente e nos dirigimos a sala da intervenção.
Esta demorou cerca de 15 minutos, saímos e recebemos as mesmas recomendações.
Estava extasiado, feliz e confiante, durante minha estada em Abadiânia tive muita tosse, talvez pelo clima seco, mas algo que não tinha antes, assim entendi que a intervenção foi feita também para esta mazela.
Voltamos ao estúdio, repouso novamente sem televisão, internet, celular e no dia seguinte voltamos a Brasília e a Curitiba.
Tem sido uma experiência incrível, magica e reconfortante, tenho muita fé no que virá e estou ansioso para voltar a Abadiânia em 60 dias.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Fé, persistência e resiliência! Ou a falta de fé!!


Depois da cirurgia para a retirada do líquido da pleura, e das notícias nada alentadoras eu havia decidido não escrever mais sobre as mazelas, as angústias e as dúvidas.
Minha determinação em continuar seguindo em frente sempre me incentivou, porém a notícia de que o liquido da pleura estava “contaminado” me levou a perder parte da fé, não Nele, mas principalmente a fé em mim mesmo. Tentava de todas as formas reunir forças e fazer o ritual de cura (a cura vem de dentro para fora), mas não conseguia, sentia minhas forças se esvaindo sem resposta do meu corpo. Uma espécie de entrega um enfraquecimento da resistência e da resiliência. Tentava todos os dias, não conseguia, não tinha ânimo e forças para seguir.
Mas aí veio a nova consulta para o reinício das sessões, o índice de CA havia aumentado, passando a 530, mas durante a consulta e casualmente a médica nos informou que o líquido NÃO apresentava células cancerígenas, pelo menos em uma quantidade que tivesse sido detectada.
Mais ainda, meus exames estavam apresentando uma situação “normal” nos parâmetros de glóbulos vermelhos, brancos, sem anemia, enfim uma avaliação dentro dos padrões de normalidade.
Estas notícias me fizeram reviver, reativar minhas forcas pude retomar minha persistência, minha resiliência e manter acesa cada vez mais a minha fé, Nele e em mim mesmo.
Não havia desistido de mim mesmo, mas lutava tenazmente para recuperar minhas forças de luta. Havíamos desistido de fazer algumas viagens, como a ida a Luzerna na Páscoa, e estava me “poupando” para o reinício das sessões, o que aconteceu e me trouxe novamente a fadiga e as sensações desagradáveis já esperadas.
Mas vamos que vamos, em frente e com força.
Fe resiliência e resistência!!!