terça-feira, 28 de junho de 2016

O que será?


Sinto ainda a pancada das notícias, relembrando as palavras da médica, “as noticias não são boas, você teve uma recidiva, no mesmo local do início do tumor, o tratamento com quimioterapia não vai adiantar, vamos partir para um medicamento, é um tratamento novo e os pacientes tem reagido bem...”
Questionei se seria o caso de uma nova cirurgia ao que ela foi direta e objetiva, NÃO, a cirurgia não irá resolver nada.
Relembrei os últimos dias, tive diarréia, muita fadiga, dificuldades de andar rápido, quase fui atropelado por um motorista irresponsável no sábado que simplesmente não diminuiu enquanto eu atravessava a rua, senti sair um líquido com sangue do nariz por diversas vezes, amortecimento nas pernas e nas mãos, enfim um quadro de deterioração física que não sentia há muitos meses.
Voltando à consulta, a médica tentou me animar falando de minha ida aos USA, na qual gostaria de fazer o que se denomina “qualificação” que é uma pré defesa da tese de doutorado, mas depois deste turbilhão realmente não me sinto com ânimo para tanto.
Aliás meu ânimo realmente diminuiu, a chama está muito tênue, não consigo raciocinar, não sei realmente o que pensar neste momento.
Não sinto raiva, pena, sinto algo profundo, denso, triste, não consigo pensar no futuro como pensava com ânimo anteriormente, talvez pelas novas perspectivas, o que será, o que irá acontecer agora?
Por mais que eu tenha fé, coragem e forças, sinceramente me sinto perdido, não sei para onde ir, como ir e de forma tudo acontecerá, penso em minha família o que será deles, sei que ninguém é indispensável, sou apenas mais um na vida de todos e eles devem seguir seus passos com alegria e responsabilidade.
Espero em Deus que eu tenha uma chance, que eu possa seguir meu caminho seguindo a Sua Vontade, e que esta Vontade seja uma benesse em minha vida.
Agradeço a Deus todos os dias, e agradeço por mais esta prova dura, difícil e de uma intensidade imensa.
O que acontecerá amanhã ou depois e depois? Sinceramente não sei, e só saberei amanhã ou depois e depois, que Deus me ajude!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O grande balde de gelo!!


Nova consulta, expectativa para nova sessão de quimio, porém desde a semana passada estava sentindo um amortecimento nas pernas, o que dificulta o caminhar a passos mais rápidos. Segundo a médica, trata-se de uma miopatia, ou seja uma consequência das quimioterapias passadas o que deve melhorar com acupuntura.
Além disto, e o pior, o índice de CA aumentou, passou a 1.200, mesmo com uma leve subida de 100 pontos passa a ser preocupante.
Com a leitura dos resultados dos exames de imagem a médica percebeu uma recidiva no mesmo local da lesão inicial, ou seja a doença voltou.
O impacto foi grande, fiquei sem palavras, não tive reação imediata, parei sem pensar, me deu um branco total, não consegui ainda absorver o impacto.
Sei que é algo que tenho que trabalhar e muito, principalmente em minha mente, fé e determinação, as batalhas têm sido grandes, e às vezes parecem inúteis, sem fim. Pode ser visto como um processo de superação, de prova de fé, de coragem para enfrentar o que vem e o que virá.
A médica tentou me animar, falando sobre a minha qualificação do Doutorado em janeiro de 2017, o que pretendo fazer e com a benção de Deus farei nos USA, mas a pancada foi muito forte.
Depois do primeiro impacto, só pensei em uma frase da oração do Pai Nosso, “que seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu..”
Que assim seja Amém!!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

As sensações da última sessão de QT

Fizemos a última sessão na segunda feira, e a cada uma, novidades. Muitas vezes nem sempre boas. Nesta última me senti ótimo durante a aplicação, escrevi algumas páginas do doutorado, estava lépido e faceiro. Ao final, uma sensação estranha. Tremia de frio, apesar de que estava muito frio mesmo, mas não para tremer de frio, ou seja, não estava legal. Ao me levantar para ir embora, ao falar algo percebi que estava com a língua enrolada, falava como se tivesse bebido algo forte, o pensamento estava normal, mas ao tentar expressar minhas ideias não conseguia concatenar uma frase inteira, a velocidade do pensamento era muito maior do que a reação da fala, estava em uma espécie de “slow motion” engraçado se não fosse trágico. Ao caminhar para a saída percebi que não conseguia andar em linha reta, fazia “curvas” pequenas mas não era uma linha reta, muito estranho. Aos poucos fui recuperando minha capacidade de fala, e de andar normalmente, o corpo foi se adaptando a esta nova realidade e aos poucos o corpo reagiu e corrigiu os erros da fala e do caminhar. Fui deixar a Bellinha em casa porque tinha uma reunião com um cliente uma hora depois, fui buscar um documento antes e na reunião estava 90% recuperado, falando normalmente e caminhando em linha “quase” reta. Cada sessão uma novidade, mas esta foi a melhor de todas, o que é falar enrolado por algumas horas e andar quase em linha reta? Muito melhor do que passar mal, ter enjoos e as demais consequências sentidas anteriormente. Uma das coisas que ainda incomoda e muito é a falta de equilíbrio, todos os dias a experiência de colocar as roupas tem sido uma tarefa complicada, “acertar” a perna da calça é difícil às vezes, me seguro na pia e miro o buraco da calça para enfiar a perna, muitas vezes erro a pontaria e volto a me equilibrar e tentar de novo até acertar. Para pessoas “normais” vestir uma calça é algo que se faz sem pensar, mas no meu caso preciso pensar, mirar, apontar e FOGO..... lá vai a perna. O pior é quando erro, quase caio e fico alguns minutos olhando a bendita calça e aquele buraco aberto por onde minha perna vai entrar, e ela entra. kkkk Assim tem sido cada sessão e assim será até quando Deus queira. Vamos que vamos!!!

O destino existe? É possível mudá-lo?

Postagem escrita em 08 de junho de 2016 Nunca havia pensado em destino, sou muito prático, objetivo, as vezes até demais, cético, e antes da doença não havia pensado em destino. Será que existe? Tenho algumas evidências para pensar. Ao descobrir a doença estava em uma fase de muito trabalho em minha vida, casamento da Carol à frente, projetos com clientes e de repente “bomba”. Mas o tempo de Deus estava e é correto, sempre. Continuei trabalhando dentro das minhas possibilidades, ocorreram mudanças, mas não chegaram a afetar nossa vida financeira, nem as cirurgias e o tratamento acontecendo. No meio tempo vendemos a casa, compramos o apartamento e nossa vida ficou ajustada. Passei por 4 cirurgias, UTI’s, quimioterapia, radioterapia, e a doença continua no índice alto de CA. Redescobrimos Abadiânia, estamos na segunda vez aqui e ansiosos pelo nosso futuro. No final do ano passado estabeleci metas ousadas para mim mesmo, comecei o Doutorado, estou reaprendendo música, as viagens estão planejadas tanto para um dos Estados que não conheço e para os USA. Com relação ao Doutorado estabeleci metas para conclusão dos trabalhos e a defesa da Tese, metas factíveis, mas desafiadoras, e estou adiantado em meu cronograma. Conseguindo manter este ritmo concluo meus trabalhos antes do prazo em até 90 dias, o que seria uma vitória excepcional. Passei a refletir sobre estas metas, e me questiono se ao estabelecer metas ousadas não estava tentando “manipular” meu destino. Impondo metas a médio e longo prazo estaria tentando postergar meu destino, ganhar tempo junto a Deus? Talvez sim, tenho muita fé e esperança da cura total, mas ao mesmo tempo sempre lembro da oração do Pai Nosso “seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu”. Vontade de seguir adiante meu destino, sim, com fé em Deus para que seja feita a Vossa Vontade, e que esta vontade seja a que possa me proporcionar mais tempo junto aos que eu amo, não por um capricho meu, mas para que eu possa ajudar apoiar e ver a felicidade dos que eu amo. Que seja feita a Vossa Vontade Amém.

A segunda visita a Abadiânia

Postagem escrita em 08 de junho de 2016
Fomos pela manhã cedo para o salão principal aguardar o início dos trabalhos. Enquanto aguardava senti novamente algo acontecendo dentro de mim, sem saber o que exatamente ocorria, sensação de sono, mas estava bem. De repente comecei a chorar, sem entender o porque, e logo entendi a razão. João de Deus acabava de entrar no salão. A presença da entidade me abalou positivamente, sem que eu visse que estava entrando no ambiente, e senti uma sensação de paz logo em seguida.
João de Deus veio ao palco, operou fisicamente uma senhora, cortou na altura da cintura, colocou os dedos no corte e fez as suturas. A senhora chorou, em alguns momentos, mas parecia mais de emoção do que de dor.
Logo em seguida chamaram a fila da primeira vez e depois a da revisão que era meu caso. Fui sozinho deixando a Bellinha ser atendida e como estava e estou bem fisicamente, segui meu caminho. Ao chegar em frente a João de Deus pedi pela cura do meu mal, ele me entregou uma receita e um cartão pedindo para fazer uma massagem direcionada pelas entidades, e me indicou para fazer parte da corrente. Lá fui eu sentar junto com as demais pessoas, concentração, pensamentos positivos e orar, muito. Não consegui ficar muito tempo, dores nas costas por conta do banco de madeira, mas a sensação de paz era muito grande. Soube das boas novas das duas e fomos almoçar e depois repousar. À tarde a Bellinha fez a cirurgia e voltou para repouso. A noite fui fazer a massagem, e a sensação foi única, uma massagem relaxante, sem pressão, com muita calma e o massageado deve ficar concentrado e focando no problema, assim as entidades vem complementar o tratamento. São 40 minutos de paz indescritível, e em alguns momentos cheguei a chorar sentindo uma paz muito grande, e ao mesmo tempo sensação de que algo ocorria dentro de mim. Seguimos nosso propósito de pedir a cura definitiva do mal, e com muita fé teremos a realização de nosso sonho.

Os planos longevos!!

Postagem escrita em 31 de maio de 2016
Ainda ressentindo os efeitos da ultima sessão, que desta vez estão mais fortes, sigo em frente. Em alguns momentos percebo que respiro estilo cachorrinho, respiração curta de boca aberta, e aí paro, procuro compensar a respiração e continuar. Em alguns momentos sinto faltar o chão, cheguei a sentir tontura algumas vezes, mas poucas vezes, e assim é. Mas o que me fez pensar mais profundamente foi em uma consulta que tivemos com a oftalmologista, ela nos relatava que tem uma amiga com problemas de câncer também e assim como eu faz o tratamento com quimioterapia, mas leva uma vida quase que “normal” assim como eu. Relatei para a médica meus planos, falei sobre o doutorado, conhecer os três Estados do Brasil que ainda não conheço, aulas de música e a viagem para os USA para reencontrar meus amigos da high school. A médica comentou que devemos agir assim mesmo, planejar o futuro, mas no caso da amiga dela estes planos são de médio prazo, ou seja no máximo seis meses. Minha visão é diferente, se planejar por um período curto (06 meses) acho que estaria limitando minha vida a este período, e não havia parado para pensar nisto mas na verdade entendo que se limitar um período ficarei restrito a ele, assim já havia tomado decisões de longo prazo, e sem data final, como foi o caso do Doutorado, das aulas de música e das viagens. Não limitar, pensar longe, longevidade, é isto que eu espero de minha vida, e o entendimento de prazo é relativo, para uma mulher grávida seis meses é muito, já para quem está tratando um dente, por exemplo, cinco minutos são uma eternidade. Não limito meu tempo futuro quero longevidade, seja esta quanto tempo for. Vamos que vamos.