Sinto ainda a pancada das notícias, relembrando as palavras da médica, “as noticias não são boas, você teve uma recidiva, no mesmo local do início do tumor, o tratamento com quimioterapia não vai adiantar, vamos partir para um medicamento, é um tratamento novo e os pacientes tem reagido bem...”
Questionei se seria o caso de uma nova cirurgia ao que ela foi direta e objetiva, NÃO, a cirurgia não irá resolver nada.
Relembrei os últimos dias, tive diarréia, muita fadiga, dificuldades de andar rápido, quase fui atropelado por um motorista irresponsável no sábado que simplesmente não diminuiu enquanto eu atravessava a rua, senti sair um líquido com sangue do nariz por diversas vezes, amortecimento nas pernas e nas mãos, enfim um quadro de deterioração física que não sentia há muitos meses.
Voltando à consulta, a médica tentou me animar falando de minha ida aos USA, na qual gostaria de fazer o que se denomina “qualificação” que é uma pré defesa da tese de doutorado, mas depois deste turbilhão realmente não me sinto com ânimo para tanto.
Aliás meu ânimo realmente diminuiu, a chama está muito tênue, não consigo raciocinar, não sei realmente o que pensar neste momento.
Não sinto raiva, pena, sinto algo profundo, denso, triste, não consigo pensar no futuro como pensava com ânimo anteriormente, talvez pelas novas perspectivas, o que será, o que irá acontecer agora?
Por mais que eu tenha fé, coragem e forças, sinceramente me sinto perdido, não sei para onde ir, como ir e de forma tudo acontecerá, penso em minha família o que será deles, sei que ninguém é indispensável, sou apenas mais um na vida de todos e eles devem seguir seus passos com alegria e responsabilidade.
Espero em Deus que eu tenha uma chance, que eu possa seguir meu caminho seguindo a Sua Vontade, e que esta Vontade seja uma benesse em minha vida.
Agradeço a Deus todos os dias, e agradeço por mais esta prova dura, difícil e de uma intensidade imensa.
O que acontecerá amanhã ou depois e depois? Sinceramente não sei, e só saberei amanhã ou depois e depois, que Deus me ajude!
terça-feira, 28 de junho de 2016
O que será?
segunda-feira, 27 de junho de 2016
O grande balde de gelo!!
Nova consulta, expectativa para nova sessão de quimio, porém desde a semana passada estava sentindo um amortecimento nas pernas, o que dificulta o caminhar a passos mais rápidos. Segundo a médica, trata-se de uma miopatia, ou seja uma consequência das quimioterapias passadas o que deve melhorar com acupuntura.
Além disto, e o pior, o índice de CA aumentou, passou a 1.200, mesmo com uma leve subida de 100 pontos passa a ser preocupante.
Com a leitura dos resultados dos exames de imagem a médica percebeu uma recidiva no mesmo local da lesão inicial, ou seja a doença voltou.
O impacto foi grande, fiquei sem palavras, não tive reação imediata, parei sem pensar, me deu um branco total, não consegui ainda absorver o impacto.
Sei que é algo que tenho que trabalhar e muito, principalmente em minha mente, fé e determinação, as batalhas têm sido grandes, e às vezes parecem inúteis, sem fim. Pode ser visto como um processo de superação, de prova de fé, de coragem para enfrentar o que vem e o que virá.
A médica tentou me animar, falando sobre a minha qualificação do Doutorado em janeiro de 2017, o que pretendo fazer e com a benção de Deus farei nos USA, mas a pancada foi muito forte.
Depois do primeiro impacto, só pensei em uma frase da oração do Pai Nosso, “que seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu..”
Que assim seja Amém!!
quarta-feira, 15 de junho de 2016
As sensações da última sessão de QT
O destino existe? É possível mudá-lo?
A segunda visita a Abadiânia
Fomos pela manhã cedo para o salão principal aguardar o início dos trabalhos. Enquanto aguardava senti novamente algo acontecendo dentro de mim, sem saber o que exatamente ocorria, sensação de sono, mas estava bem. De repente comecei a chorar, sem entender o porque, e logo entendi a razão. João de Deus acabava de entrar no salão. A presença da entidade me abalou positivamente, sem que eu visse que estava entrando no ambiente, e senti uma sensação de paz logo em seguida.
João de Deus veio ao palco, operou fisicamente uma senhora, cortou na altura da cintura, colocou os dedos no corte e fez as suturas. A senhora chorou, em alguns momentos, mas parecia mais de emoção do que de dor.
Logo em seguida chamaram a fila da primeira vez e depois a da revisão que era meu caso. Fui sozinho deixando a Bellinha ser atendida e como estava e estou bem fisicamente, segui meu caminho. Ao chegar em frente a João de Deus pedi pela cura do meu mal, ele me entregou uma receita e um cartão pedindo para fazer uma massagem direcionada pelas entidades, e me indicou para fazer parte da corrente. Lá fui eu sentar junto com as demais pessoas, concentração, pensamentos positivos e orar, muito. Não consegui ficar muito tempo, dores nas costas por conta do banco de madeira, mas a sensação de paz era muito grande. Soube das boas novas das duas e fomos almoçar e depois repousar. À tarde a Bellinha fez a cirurgia e voltou para repouso. A noite fui fazer a massagem, e a sensação foi única, uma massagem relaxante, sem pressão, com muita calma e o massageado deve ficar concentrado e focando no problema, assim as entidades vem complementar o tratamento. São 40 minutos de paz indescritível, e em alguns momentos cheguei a chorar sentindo uma paz muito grande, e ao mesmo tempo sensação de que algo ocorria dentro de mim. Seguimos nosso propósito de pedir a cura definitiva do mal, e com muita fé teremos a realização de nosso sonho.
Os planos longevos!!
Ainda ressentindo os efeitos da ultima sessão, que desta vez estão mais fortes, sigo em frente. Em alguns momentos percebo que respiro estilo cachorrinho, respiração curta de boca aberta, e aí paro, procuro compensar a respiração e continuar. Em alguns momentos sinto faltar o chão, cheguei a sentir tontura algumas vezes, mas poucas vezes, e assim é. Mas o que me fez pensar mais profundamente foi em uma consulta que tivemos com a oftalmologista, ela nos relatava que tem uma amiga com problemas de câncer também e assim como eu faz o tratamento com quimioterapia, mas leva uma vida quase que “normal” assim como eu. Relatei para a médica meus planos, falei sobre o doutorado, conhecer os três Estados do Brasil que ainda não conheço, aulas de música e a viagem para os USA para reencontrar meus amigos da high school. A médica comentou que devemos agir assim mesmo, planejar o futuro, mas no caso da amiga dela estes planos são de médio prazo, ou seja no máximo seis meses. Minha visão é diferente, se planejar por um período curto (06 meses) acho que estaria limitando minha vida a este período, e não havia parado para pensar nisto mas na verdade entendo que se limitar um período ficarei restrito a ele, assim já havia tomado decisões de longo prazo, e sem data final, como foi o caso do Doutorado, das aulas de música e das viagens. Não limitar, pensar longe, longevidade, é isto que eu espero de minha vida, e o entendimento de prazo é relativo, para uma mulher grávida seis meses é muito, já para quem está tratando um dente, por exemplo, cinco minutos são uma eternidade. Não limito meu tempo futuro quero longevidade, seja esta quanto tempo for. Vamos que vamos.
