quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Um ano depois

Ontem fez um ano da cirurgia que arrancou o câncer do corpo do meu pai. Lembro muito bem daquela data. Era o dia D. Dia em que saberíamos se teríamos ou não chance de lutar.
Se o câncer fosse retirado, poderíamos lutar. Se não fosse o tratamento seria paliativo, sem chances de cura.
Estávamos reunidos. Vimos o pai sendo levado pela segunda vez. Lembranças da primeira cirurgia eram inevitáveis. E se acontecesse tudo de novo?
Quatro horas se passaram e nada. Cinco....
Fomos chamados para o centro cirúrgico.
"Dr Marciano quer falar com vocês".
O coração parou.
Será que ele nos daria uma noticia ruim assim, na sala de espera?
Agoniados aguardamos.....
Alguns minutos que pareceram eternidade se passaram e nada do Dr aparecer.
De repente uma enfermeira disse: "O Dr mandou avisar que ele vai tirar tudo".
Foi um momento de muita emoção.
O clima de apreensão foi substituído por euforia.
Pedimos hambúrgueres. Comemoramos.
O fim da cirurgia só aconteceu muitas horas depois. A mãe pode ir até a UTI. Ver que ele estava bem.
Óbvio que ninguém dormiu.
Mas tivemos a certeza que Deus havia nos presenteado naquele dia. Foi o dia em que meu pai renasceu.
Será comemorado para sempre.

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