domingo, 20 de dezembro de 2015

A drenagem


Logo após o início da última sessão passei a sentir efeitos nada agradáveis, muito mal estar, fraqueza, respiração ofegante, falta de ar, uma situação diferente e pesada.
Participei de apenas uma reunião na segunda feira, e não consegui cumprir minha agenda de compromissos nos dias seguintes. Fui ao trabalho, mas não conseguia ficar muito tempo, e na quinta feira os sintomas começaram a se agravar. Sexta sábado domingo sentindo muita fadiga, respiração curta ofegante e sem condições sequer caminhar 30 metros. À noite dormia bem e procurava entender meu corpo, puxava forte a respiração, não sentia dores, conseguia respirar bem, deitado, dormia de todos os lados, sem nenhum desconforto. Entendi que algo estava errado, mas não conseguia saber exatamente o que poderia ser.
Na segunda feira percebi o aumento dos problemas e marcamos a consulta com a médica no dia seguinte.
As notícias não eram boas, a médica pediu um raio X para verificar a quantidade de liquido na pleura, uma vez que no exame cínico ela detectou um aumento da quantidade.
Fomos atrás de uma clínica de imagens para fazer o raio X de emergência, e as respostas foram, OK temos vaga para daqui a uma semana, quatro dias, e assim por diante. Felizmente a médica conseguiu uma vaga no mesmo dia e lá fomos nós.
O resultado foi um aumento do liquido na parte inferior esquerda da pleura, e a recomendação foi a de fazer uma drenagem.
O problema é que teríamos que consultar um medico especializado o que nesta época do ano (Natal) não seria fácil.
Falamos então com nosso médico cirurgião e ele imediatamente se propôs a fazer a tal drenagem no mesmo dia, e lá fomos nós.
O procedimento é muito simples, anestesia local, o médico coloca uma agulha entre as costelas e suga o líquido. Durante o procedimento no hospital nosso médico Dr Marciano, deu uma aula do procedimento a um residente, que acompanhei sem entender muitas das coisas que ele falava, foi muito interessante aprender algo sobre drenagem, mas não era exatamente meu foco.
Consegui observar que o líquido era amarelado, não tinha pus nem sangue, mas nada que fosse animador.
Este material foi enviado para análise que vai demorar 15 dias.
O líquido e uma consequência e não a causa do problema, que pode ser;
1- Uma gripe ou uma pneumonia mal curada, e de fato tive um princípio de pneumonia há alguns meses atrás.
2- Uma tuberculose.
3- Uma rescidiva da doença em algum órgão que provoca a produção deste líquido na pleura.

Serão então 15 dias de expectativa, até que tenhamos o resultado, e o que estou pensando?
Nada, absolutamente nada, não sou de sofrer na véspera, tenho fé em Deus e espero Nele o que Ele determinar, tenho orado muito pedindo pelo melhor e sei que assim será, seja este melhor o que for.
Agora é passar o Natal e o Ano Novo com a família, curtir estes momentos, aproveitar a melhora na saúde e viver, viver sempre, com fé e determinação.
Continuo conversando com meu corpo à noite, pedindo a ele que proceda assim, uma vez que acredito que a cura vem de “dentro para fora”, que aprendi com minha terapeuta Roberta.

Vamos em frente com muita fé e alegria.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Fraqueza extrema


Terceira sessão de quimioterapia e as consequências são muito ruins, três dias depois do início da quimio oral e da injetável o corpo deu sinais de fraqueza. Muito mal estar, fadiga e principalmente no terceiro e quarto dias o corpo não reage, por mais que tente não consigo buscar forças para lutar.
Sinto uma espécie de falta de ar, a respiração fica muito curta, e isto me deixa preocupado, pensando nas causas desta respiração, será um aumento do liquido na pleura? Ou apenas a consequência da quimioterapia?
Ontem fui visitar meu pai no hospital, uma viagem de 10km mas para mim foi como se fosse um trajeto de 500 km, cheguei no hospital sem fôlego, e ao retornar para casa precisei ficar alguns minutos no carro recuperando o fôlego novamente. 
Tentei diversas vezes reagir, lutar, mas, não consegui, fiz de tudo para não entrar em pânico uma vez que não percebo melhora dia após dia. Acordei um pouco melhor hoje, mas logo depois do café senti novamente a fadiga e a fraqueza. Esforcei-me muito para manter a normalidade, sai para algumas compras e retornei muito cansado mas me sentindo um pouco mais fortalecido.
Percebo uma mínima melhora enquanto estou escrevendo e por isto continuo na expectativa de melhorar logo, vamos aguardar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Adoramos dar notícias boas


Fomos à médica para a consulta de rotina e sequência das sessões de quimioterapia.
Os exames apontaram uma diminuição do índice de CA baixando de 367 para 330, os nódulos no pulmão estão estáveis, sem aumento, e o líquido na pleura diminuiu do lado esquerdo e aumentou no lado direito.
Com relação ao CA e nódulos as notícias são mornas ou seja, a baixa do índice não tem grande significado uma vez que está dentro do esperado, e os nódulos não necessariamente estão relacionados à doença, assim nenhuma novidade. Quanto ao líquido na pleura também pode não estar ligado à doença, mas vamos monitorando e na próxima consulta veremos se será feito um raio X ou uma nova tomografia, até lá atenção e cuidados.
As boas noticias são em relação ao peso que estou conseguindo aumentar aos poucos, porém a fadiga continua intensa,  tenho tido sensações de mal estar, cansaço muito forte e constante, porém dentro de uma suportabilidade.
Mantenho meu ritmo de trabalho, ministrei aulas de pós graduação, dentro de meus limites, continuo trabalhando meio período e me dedicando a estudar e escrever os artigos do Doutorado, sempre respeitando meus limites.
Viajamos a Maringá de carro no final de semana e suportei muito bem a maratona de participar de um casamento do filho de um grande amigo, das cerimônias, da igreja e da recepção mesmo muito tarde da noite. Fui e voltei dirigindo sem problemas, mas ao chegar em casa senti o efeito da fadiga.
Sinto-me bem, mesmo com a grande fadiga, mas melhor do que nas últimas sessões o que me leva a um estado de animação e de esperanças maiores a cada dia.
Vamos em frente sempre.