quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quase lá!


Em poucos dias inicio o último ciclo da quimioterapia, serão mais três sessões, antes dos novos e decisivos exames de imagem. Esta sessão é a mais crucial uma vez que estes exames irão demonstrar meu estado de saúde, a evolução ou não nos nódulos do pulmão, mesmo sendo milimétricos, preocupam. Existem opiniões a considerar dos médicos, a Dra. Mônica fala que estes nódulos podem ser da rádio terapia, do resultado da quimioterapia, uma vez que muitos estão necrosados, isto pode significar que a quimioterapia fez seus efeitos esperados, entretanto o Dr. Marciano, como sempre foi mais conservador, disse tambem que pode ser o efeito da radioterapia, da quimioterapia, e que estes nódulos tem a necrose, etc etc.
Mas mesmo assim o maior interessado, ou seja EU, preciso pensar e entender bem o que está acontecendo e, principalmente, o que pode acontecer.
Obviamente que a frase que eu mais anseio ouvir neste mundo e “você está de alta”, mas sei que esta frase vai depender de uma série de situações, e dos resultados destes decisivos exames.
Como qualquer pessoa na minha situação precisa pensar em todas as possibilidades, tenho muita fé, passamos por muita coisa, superamos muitos obstáculos imensos, e estou aqui, gracas ao apoio de todos, porém o futuro é incerto, e a Deus pertence.
Mas a perspectiva futura, confesso, me assusta, estamos bem, graças a Deus, conseguimos ajustar muitas coisas em relação a vida financeira futura, mas mesmo assim muitas coisas ainda estão indefinidas, e preciso me preparar para o que está por vir.
Uma possibilidade é que deva continuar o tratamento, uma vez que ainda precisamos combater os nódulos existentes, outra e que poderemos fazer o acompanhamento a cada período, sem a necessidade de novas quimioterapias. O que seria a melhor das situações; outras possibilidades? Sinceramente não sei, não consigo imaginar muita coisa alem disto, ou talvez não queira imaginar nada alem disto, não por medo, mas sim por ter fé na cura total, no milagre da cura total.
Mesmo assim o futuro me preocupa e muito.
O que fazer então?
Sinceramente não sei, tento olhar da melhor maneira possível, aceitar os desígnios de Deus e seguir em frente, muitas pessoas me falam que a razão por eu estar vivo é que estou atendendo um propósito de Deus, que existe uma razão maior para minha vida, o que eu acredito, e explico porque.
Quando descobrimos a doença éramos uma família “normal”, vivendo cada um sua vida, tendo as preocupações normais com cada um de nós, porém sentia que não éramos tão unidos como somos agora. Eu me dedicava cada vez mais ao trabalho, deixando todos de lado, preocupado comigo mesmo, e com a descoberta da doença nos reencontramos, nos vimos vivendo uns para os outros, e pelos outros, o trabalho deixou de ser o mais importante para ser apenas importante, reencontrei Deus, Maria e a fé, que eu sempre tive, mas talvez, como todas as outras coisas, estava “adormecida”.
Valorizamos os amigos, os verdadeiros amigos, e descobrimos como temos amigos, e parentes amigos. Não apenas primos, tios, irmãos, mas entes queridos que vinham me ver, acompanhavam a evolução ou mesmo a involução do meu estado de saúde. Passamos juntos por crises como a segunda cirurgia, a hemorragia, as estadas na UTI, as longas estadas no hospital, e as pequenas vitórias, como quando consegui pela primeira vez caminhar na calçada por “imensos” 20 metros.
Sair da cama para receber amigos, mesmo com muita dificuldade, era para cada um de nós uma vitória, almoçar e jantar de modo quase normal, era uma vitória, e a primeira vez que pude saborear um churrasco então, percebia a alegria no olhar dos meus entes queridos, ao me ver saboreando algo que sempre foi tão prazeroso para mim.
Mesmo que não sentisse o sabor apurado dos alimentos, apenas a tentativa era vista como uma vitória não para mim, mas para todos nós.
Hoje ainda não sinto o sabor pleno dos alimentos, ainda tenho fadiga, náusea, diarréia, e oro a Deus para que isto um dia passe, mas não depende de mim e sim Dele, e aceito Sua vontade.
Tenho muita fé que meu dia de “alta” virá, quando? Não sei, e nem podemos afirmar que virá, mas seja o que for o que estiver para vir, vamos em frente.

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