quinta-feira, 30 de abril de 2015

PARABÉNS GUERREIRO!!!

Hoje é dia de festa e alegria.
Dia de comemorar o aniversário do meu pai, daquele que Deus escolheu a dedo e com olhos bondosos para ser meu norte, meu guia, meu herói e meu mestre.

59 anos de sabedoria, bom humor, persistência e muita fé.
Paizinho, tenha certeza do quanto você é amado por Deus e por todos nós.
Não há no mundo alguem mais merecedor de glórias e milagres.
A cada dia você nos ensina a arte da paciência, colhe os frutos de seus bons pensamentos, e por isso continua melhorando, reavendo sua condição física, ressurgindo da tempestade mais turbulenta de nossas vidas.
Todos se inspiram pela sua fé.
Não há um só médico, aluno, amigo, parente que não seja apaixonado pelas suas histórias, e pelo homem glorioso que está por trás de cada uma delas.
Sua força absurda, com a graça de Deus, te sustenta e te conduzirá à vitória tão sonhada.
Eu te amo, sempre te amei profundamente. 
Mas passei a te amar sem amarras, sem vergonha, sem medida.
Se antes eu evitava falar de amor, dizer eu te amo, nossa luta me ensinou que não há nada mais lindo que amar, que o amor cura, restabelece, fortifica, acalma, amansa, glorifica e sustenta.
E se é algo tão lindo, porque não espalhar aos quatro cantos, soprar ao vento, plantar, semear, e colher?

Que Deus te dê a oportunidade de batalhar pela concretização dos seus sonhos, e que a gente possa estar sempre juntos, em família, caminhando lado a lado a cada passo.
Você nunca esteve e nunca estará sozinho.


FELIZ ANIVERSÁRIO!
Se empanturre de bolo, porque ao contrário de mois, você PODE TUDO!

Seja feliz, paizinho amado!!!
Sua felicidade é a nossa.
Grande beijo



terça-feira, 21 de abril de 2015

Ahhh as plaquetas!!


Fizemos os exames de sangue no sábado, para enfrentar a terceira sessão de quimioterapia, e o que eu imaginava aconteceu, as plaquetas, ah estas plaquetas, estavam em 25.000, sendo que o mínimo é de 150.000. Isto explica em parte, a sensação de fadiga extrema, a falta de ânimo, a respiração curta. A quimioterapia deveria ocorrer na segunda feira, mas como não foi possível, fizemos nova coleta de sangue para saber da possível evolução. Passou a 45.000 de sábado para para segunda, mas ainda insuficiente para a sessão.
Mesmo com o consumo de caldos de músculo, suplemento, entre outros alimentos o corpo parece não reagir, ou reage muito lentamente. Outro fator que preocupa é o peso, que diminuiu neste periodo, perdi mais dois quilos, o que parece pouco, ou ainda uma glória para quando eu era gordinho, hoje me parece um pesadelo, mesmo sentindo pouco os sabores, procuro me alimentar bem, comer de três em três horas, ingerir castanhas, alimentos mais pesados, com moderação obviamente, mas tentando consumir não apenas o suficiente, mas um pouco mais, e mesmo assim o peso diminuiu.
Continuo mantendo minhas atividades mentais, e para isto não sinto dificuldade, graças a Deus, consegui escrever parte de um artigo para o MEC, preparei e estou preparando aulas de pós graduação, escrevi dois trabalhos, e me sinto bem escrevendo, pesquisando, trabalhando.
Fisicamente apenas o cansaço, a fadiga, em alguns momentos desarranjo intestinal, mas muito pontualmente, sem náuseas, dores ou mais nada.
A sensação de desespero diminuiu muito, consigo dormir melhor, sinto muitas vezes falta de condições e capacidade de reação, mas me coloco sempre um passo a mais, com vontade, com determinação, mesmo não sentindo as reações do corpo. Minha fé está voltando aos poucos, procuro me apegar às forças que Deus e Maria me dão, tenho certeza da cura, mesmo que ainda não sinta as forças suficientes para seguir com a garra que já tive. Procuro me agarrar na certeza da recuperação total, mesmo sabendo que a doença esta “rodando” pelo meu corpo na corrente sanguínea, e pode se instalar em qualquer órgão, a qualquer momento, e esta e uma possibilidade real, e terrível.
Ter em seu organismo uma “bomba relógio” clicando 24 horas por dia, e ainda não poder fazer o tratamento adequadamente me assusta bastante.
Mas vamos em frente, espero poder fazer a sessão na próxima semana, e com a graça de Deus e Maria obter a cura total.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Meu ano

E que ano!
O ano mais intenso da minha vida. Não há nada que se compare à descoberta do amor. Em todos os sentidos.
Quando descobrimos a doença que acometIA meu pai eu estava na fase mais feliz da minha vida. Recém casada, planejando o casamento religioso, brincando de dona de casa, vivendo uma comunhão com meus pais perfeitos que sempre fizeram parte dois nossos dias... Tudo OK. Maravilha!
E daí veio a notícia. Meu pai? Meses de vida? Não. Inadmissível.
Não dava para imaginar.
Meu grande amigo, companheiro, colega de trabalho, mestre, professor, o MEU pai...
Como pensar viver aquela felicidade imensa neste turbilhão?
Vivi meu luto...
De verdade.
Uma semana de choro constante, desespero. Meu Deus, todo mundo menos ele, eu pensava. Mas era com ele...
E agora?
Ahhh aquele mundo cor de rosa... Onde estava mesmo?
A saudade que eu sentia dele doía. Algumas horas longe dele eram sufocantes. São até hoje.
Tomei uma decisão da qual nunca vou me arrepender.
Vou viver para eles.
Meu pai, minha mãe, meu marido.
Nada mais importava.
O Marcos foi um grande companheiro, me apoiou nesta decisão.
Não pensei em trabalho, dinheiro, festas, nada. O que movia meus dias era meu pai.
Minha escolha consciente mudou minha vida e a do meu marido.
Fiz uma promessa. Nada de chocolate nem refrigerante por um ano.
Eu sonhava com coca zero. Babava ao ouvir o tlec daquela latinha (que hoje chamo carinhosamente de latrina).
Comia mal, detestava salada, adorava cozinhar mas comia muito fast food.
E os dias foram passando. O luto se transformou em esperança.
Meu pai melhorava e eu também.
Me tornei uma pessoa mais altruísta. Mesmo no meio do desespero eu rezava pelos pais, mães, maridos e filhos das grandes famílias que se formam na internet entre pacientes e cuidadores de pacientes oncológicos.
Rezei por tantos. Sonhei com vários. Pensei em milhares.
Aprendi com estas pessoas que minhas dores são tão insignificantes.... Assisti minha fraqueza como se fosse um filme. Patético. Revi valores. Repensei.
Minha família se solidificou. Meus pais adotaram meu marido como filho. Ele os aceitou como entes queridos.
Amei-os ainda mais.
Mudei minha alimentação. Escolhi melhor minhas batalhas. Revi o que eu mesma fazia com meu próprio corpo.
Essa luta me trouxe muita dor. Mas trouxe tanto amor que não cabe no papel.
É amor que sai do peito.
Amei mais e sem distinção.
Sinto que amo mais meus tios, primos, amigos, colegas. Amo mais a vida, a cidade, o bom dia sincero que hoje distribuo com frequência sem igual.
Amo mais a Deus. Acredito, tenho fé, anda de mãos dadas com Ele onde for.
Este foi o maior presente. Fé na vida. Fé em Deus. Fé em nós.
Fé e amor que não acabam e me trazem absoluta felicidade, mesmo em meio à adversidade.
Te amo meu pai.
Sempre te amei.
E hoje amo de todo coração o pai de todos, nosso Deus criador, que tudo pode. Aquele que me prometeu sua cura. E vai cumprir!

terça-feira, 14 de abril de 2015

O recomeço da quimioterapia


Semana passada recomecei a quimioterapia na segunda feira, nos primeiros dias nenhuma ocorrência, mas na quinta a feira à noite começaram as consequencias, diarréia, e principalmente fadiga, piorou na sexta feira, e sábado, dia da festa de aniversário de minha mãe estava realmente exausto e muito emocionado.
Ao fazer os exames para a segunda sessão de quimioterapia novas surpresas, uma boa e outra péssima, a boa noticia e de que não existe tumor instalado em lugar nenhum, tanto na ressonancia como nas tomografias, porem o indice CA havia aumentado para 1400, sendo o normal ate 30.
O corpo parece não reagir, me alimento com vontade, não pelo prazer de sentir os sabores, que novamente estão desaparecendo, mas para me fortalecer.
Respiro fundo, movimento mãos, pés, pernas, pulsos, braços e parece que o corpo simplesmente não reage. Verifico o peso, não consigo aumentar ½ kilo, e entro em desespero.
A figura que me vem à mente é a de que estou a beira de um buraco negro enorme, sem fim, (olhei uma vez apenas para baixo) e me agarrando a uma superficie arenosa e com pedregulhos. A cada golpe sinto que as mãos doem, os braços doem, os pulsos ardem e os dedos se ferem nas pedras soltas nesta superfície pálida e solta.
Mas não desisto, luto continuamente, constantemente e tenazmente a cada segundo, sempre lutando para achar um apoio, uma base na qual possa me agarrar e subir definitivamente. Sinto que às vezes subo um pouco, mas logo depois volto à mesma posição, e não paro.

Medos; sim muitos, pela primeira vez tive medo de dormir e não acordar, medo de deixar desamparada a quem amo, de não ver meus netos, de não ver meus filhos envelhecerem, mas isto não me deixa desanimado.

O que não preciso? Críticas, palavras como “tem que fazer assim...”, “desta forma é melhor...”, “eu te falei ….....”, “você desistiu de viver?...”, “faça isto, faça aquilo.....”, “se você não fizer tal coisa eu......”

Do que preciso? De um pouco de P A Z!!!

Esperança, fé e força de vontade ainda tenho e luto para não perdê-las, com a graça de Deus e de Nossa Senhora, Amém