Hoje é dia dos pais. Dia daquele que tem sido a razão dos meus pensamentos mais amorosos.
Nós, eu e meu marido, fizemos há poucos dias um curso de noivos e uma das palestras me fez lembrar muito meus pais.
O pediatra falava sobre paternidade responsável e sobre os desafios da paternidade frente a modernidade.
Num dos momentos ele questionou sobre as boas lembranças, boas marcas, que nossos pais haviam deixado em nós.
Passou um filme na minha cabeça.
Claro que eu não lembro, mas sei que meu pai conseguia acalmar o mais raivoso dos bebês. Sempre dormi mal e fui ligada no 220, mas era em sei peito quentinho que eu sossegava.
Só o pai tinha paciência e calma para fazer sumir uma crise de tosse de cachorro louco (como chamávamos meus acessos de tosse inexplicáveis). A mãe nunca lidou com os seus pequenos doentes, então era ele que fazia tudo serenar. Acalmava a mãe que ficava agoniada, me fazia um chá bem ruim (tinha alho no treco, ou era mel, mas era horrível), me colocava sentadinha no balcão da cozinha, fazia eu beber aquela coisa, e depois deixava eu adormecer na cama deles (este privilégio era só para doentes).
Meus pais foram companheiros de escorrebunda no papelão e morriam de rir das calças rasgadas.
Faziam o melhor café da manhã com ovos, mas só em ocasiões especiais.
Nossas viagens eram marcadas pelo famoso TÁ CHEGANDO PAI?
Pelas inúmeras brigas com a Tata no meio, e pelas maravilhosas histórias sobre a natureza que o pai contava ao mostrar as florestas por onde passávamos. Mas, tá chegando, pai?
Eles transformaram a menina espoleta de triciclo rosa e capacete de formiga atômica naquilo que sou hoje.
E na fase de não querer pentear o cabelo? Eu tinha um cabelão e não penteava. O único ser que eu deixava tocar naquele ninho era o pai. A mãe puxava demais. Ele ia devagar, com uma paciência de jó. Garanto que ele pensava "guria do djanho, penteia essa porcaria", mas não falava nada. Só me salvava da mão de quem estivesse tentando tirar o nó na marra.
Meu pai "café pilão" faz jus ao apelido maluco que inventei ainda pequenina.
Café é forte, encorpado. Mas também é quentinho, tem cheiro de café da manhã com a família, combina com bolo de infância, conforta.
Até hoje o café da manhã é minha refeição mais esperada.
Não, esta não é minha mesa. O motivo é outro.
Acho que inconscientemente eu lembro da música que o pai cantava todos os dias, chamando a gente para o café.
"vamos tomar caféeee, vamos tomar café, cada um com a sua muié, na casa do .... (esqueci)."
A gente com cara amassada, morrendo de sono, e o pai lá berrando feliz da vida. Acho que a gente às vezes se perguntava se ele era normal.
Ainda bem que não é normal. É único, é meu, é especial, é um presente divino.
Nós dividimos muitas paixões, compartilhamos grandes momentos e graças a Deus faremos ainda mais juntos.
Pai não tenho palavras para te fazer imaginar o quanto você é especial para mim.
Nada, nada, nada mesmo pode descrever o que eu sinto, como eu me orgulho de você, a vontade que tenho de gritar ao mundo que sou sua filha.
No dia de hoje peço a Deus que lhe dê SAÚDE, resiliência, sabedoria e fé para vencer esta batalha.
Mas quero mais. Quero que Deus transforme toda a dúvida em certeza, toda dor em amor, toda tristeza em absoluta felicidade.
Este momento vai passar.
Quando terminar a providência divina será abundante.
Nossa família já mudou, já se uniu.
Temos muito mais para conquistar juntos.
Ah, tem mais uma coisinha que eu te desejo.
Desejo que no ano que vem vocês comemorem o dia dos avós.
Eu te amo, pela eternidade e mais uma semana.






Muito lindo minha filha, o teu pai merece muito mais, o nosso eterno amor, carinho, agradecimento, por ser tão maravilhoso quanto e
ResponderExcluirDeus nos deu a graça de filhos maravilhosos, e mais ainda uma filha que escreve coisas maravilhosas. Muito obrigado filha amada e você sabe de meu imenso orgulho em ser seu pai.
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