sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cansa cansa e cansa

A imensa fadiga.
A pior consequência da quimioterapia tem sido a fadiga, uma sensação de desanimo imensa, não sinto forças para levantar da cadeira; subir os 13 degraus da escada que leva ao quarto nestes dias tem sido uma tarefa dificílima, extenuante, e a sensação é constante.
Três, quatro dias seguidos, 24 horas por dia, não me movimento, fico em repouso sem dormir, tentando de alguma forma recuperar as forças, mas não é possível.
É preciso buscar forças onde não existem e constantemente, porém é muito difícil, penoso mesmo, por mais que eu tente muitas vezes não consigo reagir. O sentimento de incapacidade é terrível, fico me agarrando a uma linha tênue de vida, um fio de cabelo que parece romper a qualquer segundo. Cerro minhas mãos com força, muita força mesmo, como se isto me trouxesse de volta à vida, chega a doer, e muito levemente sinto uma pequena reação em meu organismo, um sopro de vida retoma, sem que as forças voltem, mas muito lentamente consigo mais uma chance de recuperar.
Rezo muito, peço a Deus e Maria que me ajudem me façam recuperar, mesmo com a benevolência Deles não consigo melhorar. Neste momento bate o desespero, você vê sua luta constante, porém sem resultados.
É claro que os resultados são aqueles que Deus quer e não o que nós queremos, assim preciso ser perseverante e acreditar na piedade divina, assim vou levando acreditando em Deus e Maria, lutando, me agarrando a este fio de cabelo sopro de vida que aos poucos será fortalecido e sonhar com a recuperação total.
Lembro os versos da nossa poetisa paranaense Helena Kolody em Sonhar;

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

Helena Kolody
(1912-2004)

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