segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A melhora invisível


Uma das grandes dificuldades na batalha contra o câncer é visualizar a melhora.
O corpo, obviamente, fica cada vez mais abatido a cada quimioterapia.
Cansado, fraco, mais magro.
A cada sessão estes efeitos vão se intensificando.
O médico nos alertava sobre isso.
- Olhe, ele vai conseguir trabalhar somente até depois do primeiro ciclo. Após este período o corpo vai pedir repouso, tudo vai ficar mais difícil.
A gente foi percebendo estas mudanças aos poucos.
Dificuldade de respirar, falar, voz cada dia mais fraca, emagrecimento.
Subir 13 degraus curtos é um esforço imenso.
E a cada sessão os efeitos se intensificam. SIM, É NATURAL.
É natural, mas obviamente causa angústia.
A quimioterapia é danada porque visivelmente, no que a gente pode sentir, o corpo só piora.
Parece que nada está adiantando.
SÓ QUE, assim como o corpo, o câncer também está sofrendo. Está sendo massacrado, reduzido, exterminado, pulverizado.
O problema é que isso a gente não vê.
O que fazer?
Lá vem novamente a palavra que meu pai me ensinou:
Temos que ser RESILIENTES.



Aceitar as mudanças do corpo como parte da cura e perseverar, com paciência e fé.
Nós SABEMOS que o câncer está sofrendo também. A diferença é que ele não sabe ser resiliente e se entrega. Nós não.
O câncer vai morrer, vai se entregar, vai acabar.
O pai não. Porque meu pai saberá conduzir seu processo de cura com paciência, graça, fé e amor.
Aceitar as mudanças do corpo, compreender o corpo, conversar com o corpo e principalmente, FAZER O QUE ELE PEDE.
Ele pede paz, daremos a ele paz.
Ele pede alimento. Daremos a ele alimento - PARA ISSO MEU PAI TERÁ QUE SE ESFORÇAR MAIS.
Ele pede DESCANSO. E talvez aí seja necessária uma mudança. O pai ainda está trabalhando. Não seria a hora de ser mais resiliente e aceitar a necessidade de descanso. Dormir o quanto for necessário. Ficar em casa sem fazer nada - sem mercado, sem chácara, sem dirigir, sem nada. Será, paizinho?
Vamos dar ao corpo o que ele pede?
Lições de resiliência do bambu: "Curvar-se, mas sem quebrar.
Uma das coisas mais impressionantes sobre o bambu é como ele se balança com a brisa. Este movimento, o balanço suave, é um símbolo de humildade.
A fundação do bambu é sólida, mas se move e balança harmoniosamente com o vento, nunca luta contra ele. Até o vento mais forte, o bambu ainda permanece firme e na altura.
Essa atitude, “curvar-mas-sem-quebrar” ou ” ir no fluxo natural”, é um dos segredos para o sucesso, ou apenas para lidar com os caprichos da vida cotidiana."

A gente curva, mas não quebra.
Já o câncer, ah esse VAI quebrar, para honra e glória de Deus.


Um comentário: