segunda-feira, 2 de março de 2015

Testando meus limites


Há cerca de três meses a Bellinha recebeu um convite de uma amiga para a formatura desta em Pelotas RS. São cerca de 1.000km de Curitiba, e ela manifestou o desejo de participar da festa.
Pensei bastante, sabia que teria que fazer as radioterapias e as quimioterapias, porém o tratamento encerraria uma semana antes da formatura.
De fato a última sessão de radioterapia ocorreu na segunda e viajamos na sexta feira seguinte.
Decidi por ir a Pelotas, primeiro para que a Bellinha encontrasse sua amiga com quem fez o curso de italiano em Camerino, e segundo para testar a minha capacidade de recuperação, de superação.
Pelotas e uma cidade ao sul do Estado do Rio Grande do Sul, com cerca de 350.000 habitantes, de colonização portuguesa, assim tem muitos casarões estilo colonial, além das “charqueadas” espécie de museus contando a história dos tropeiros e viajantes do sul, a costa “doce” uma praia a beira da Lagoa dos Patos.
Passagens compradas, viagem com expectativa de ser longa principalmente pelos horários de vôo e conexões.
Na sexta feira nosso vôo saiu às 7:15 assim deveríamos estar no aeroporto às 6:15, lá fomos nós, levantamos às 5:30, pegamos a mala e “picamos a mula”.
Chegamos em Porto Alegre no horário e para embarcar para Pelotas foram três horas e meia de espera.
Vôo tranquilo até Pelotas, chegamos e fomos direto ao hotel. Ao chegarmos recebemos a notícia que a Luisse, amiga da Bellinha estava no aeroporto nos aguardando, desencontro ocorrido, mas logo nos veríamos.
Almoçamos e fomos descansar um pouco no hotel, que não era muito bom, mas a cama king size bem confortavel.
Na nossa chegada ao aeroporto vimos uma grande movimentação, exército, aeronáutica, polícia federal, e muitas autoridades locais, uma hora depois de chegarmos a Presidente estaria chegando para a inauguração de um parque eólico em uma cidade próxima.
Faixas de desagravo na saída do aeroporto, e logicamente a Presidente foi ao compromisso de helicóptero. Ao sairmos do aeroporto o mesmo foi fechado para recebê-la.
No caminho do hotel vimos o problema de desabastecimento na cidade, filas imensas nos postos de combustíveis, segundo o taxista, falta de muitos produtos nos supermercados, e mesmo com a proximidade de um pólo petroquimico (em Rio Grande RS) os combustíveis estavam em falta.
Na cidade percebe-se um desleixo das autoridades com a cidade, ruas esburacadas, mal cuidadas, sujeira espalhada pelas ruas, um aspecto de cidade mal cuidada mesmo.
À tarde saímos para conhecer os famosos doces de Pelotas, realmente uma delícia, comi uma torta na “Confeitaria do Otto”, a Bellinha provou doces e depois de um breve passeio pelo calçadão, voltamos ao hotel.
A noite a Luisse e sua família vieram ao hotel onde jantamos, e conversamos muito.
No dia seguinte levantamos, tomamos café e fomos conhecer a cidade, queria muito ir a catedral, um dos pontos turisticos da cidade, porem após alguns passos no calçadão perdi as forças, a fadiga me pegou e tivemos que retornar ao hotel, onde passamos o resto da manhã, eu deitado descansando e a Bellinha no whats up, facebook, etc.
Por volta de 13:00hs me senti revigorado e fomos almoçar. Como nosso compromisso era no final da tarde resolvemos ficar no hotel, descansando novamente.
No meio da tarde novo passeio pelas “docerias” comemos mais doces pelotenses e compramos alguns para levar aos “filhinhos”.
Estava tudo correndo bem , me sentia forte, brincava com a Bellinha, ela tirou um “selfie” e eu dei uma de papagaio de pirata aparecendo ao fundo da foto.
Fomos ao teatro para a formatura.
Para uma pessoa “normal” passar duas horas assistindo a solenidade, é algo simples, mas ali já comecei a sentir os efeitos do cansaço.
Após a formatura fomos à recepção em um salão de eventos, mas já passava das 21:30hs quando chegamos. Salão bonito, muito bem decorado, ar condicionado gelado, e começaram a servir os canapés. E da-lhe canapé, e obviamente eu tomando água, e mais canapé e o tempo passando, ficamos em uma mesa com um casal de tios da Luisse, e ai começaram meus problemas, o gentil cavalheiro ao meu lado falava e cuspia ao mesmo tempo, dali a pouco saiu para fumar e ao voltar alem do hálito de cigarro sentia as “chuveiradas” em meu rosto.
Aquilo foi me incomodando cada vez mais, e da-lhe canapé, mini bauru, quiche de calabresa, bolinho de frango, bolinho de queijo, camarão à milanesa, quibe, sanduichinho com uma pimenta dedo de moca no topo, enfim muitas guloseimas.
Mas o tempo passava e nada da formanda aparecer, já passava de 22:30 quando ela surgiu, e foi cumprimentar a todos em suas mesas, e obviamente pela Lei de Murphy a nossa mesa, apesar de estar na frente do palco seria uma das últimas a recebe-la.
Nesta altura eu já estava “acabado” sem forças, mas tentando me manter ali para poder participar  da festa e superar meus limites, porém por volta de 23:00hs não aguentei mais e pedi a Bellinha para irmos embora.
Voltamos ao hotel e caí na cama exausto.
Pela manhã nosso vôo saía às 9:30 assim pudemos descansar bastante.
Na volta dormi a viagem toda, mesmo sendo curta (40 minutos), chegamos a Porto Alegre e daqui a pouco embarcamos a Curitiba.
Esta viagem foi um teste de resistência, uma prova para eu mesmo saber como estou e até que ponto posso chegar.
Para uma pessoa saudável um evento como este é algo cansativo mas suportável, eu ainda tenho dificuldade de resistir, mas continuo lutando bravamente para a plena recuperação, o que com a graca de Deus e Maria irá acontecer em breve.
A cada dia que passa me sinto mais forte, mas ainda a digamos 80%, e chegando a 100%, muito em breve.

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