segunda-feira, 30 de março de 2015

Vivendo e aprendendo

Sou um ser ansioso. De nascença, não tenho nem vergonha de dizer. Assumidamente morro na véspera, sou pior que peru. Antes de algo começar eu já visualizo, como um filme, todas as possibilidades inventadas pela minha mente meio maluca.
Isso não é bom, óbvio. Pior ainda é quando você já tem este defeito de fábrica e passa por uma situação como a nossa.
Desde o início do tratamento do pai eu fico vislumbrando mil e uma possibilidades e sofrendo na véspera a cada exame, cada consulta, cada resultado.
Confesso que tem sido cada vez mais difícil controlar minha ansiedade.
Quando o pai estava na UTI, depois da hemorragia, eu ficava sobressaltada com cada piii da maquininha. Fiquei tonta, enjoada, tinha dor na pele de tanto nervoso.
E pior que aquele treco apita pacas. Sério.
Acho que o desespero que passamos com aquela hemorragia levou um parafuso meu para sempre. Nunca mais achei.
Eu vejo o Dr. Marciano, e tumtumtum, coração aos saltos.
O pai tem exame, tumtumtum, coração pulando pela boca.
Entro num consultório qualquer, tenho crises de ansiedade. Minha cabeça gira, o sangue some da cabeça, fico gelada, tremo.
Semana passada recebemos um resultado complicado. O tal marcador tumoral subiu de novo.
E lá vou eu passear nas mil histórias que minha cabeça inventa.
E se isso? E se aquilo??
A consulta após o exame me deixou ainda mais nervosa.
Passei um final de semana de cão.
Nada me fez sossegar. Fechava os olhos e tudo voltava. Cirurgia. Hemorragia.
A única coisa que eu devia fazer, eu não fiz. Segurar firme nas mãos de Deus e confiar.
Ontem eu fiquei quietinha, sozinha na sala, fechei os olhos e apenas confiei.
Seja como for, eu iria lutar ao lado dele. Sempre.
Hoje Deus me deu a prova do seu amor e compaixão. Sim, meu pai ainda tem tratamento pela frente. Mas ele não tem nenhuma lesão.
Vamos em frente, juntos, confiantes, de cabeça erguida.
De mãos dadas com Deus, que nos conduzirá sempre pelo melhor caminho.

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