quarta-feira, 25 de março de 2015

A pancada que me fez desabar


Após a radioterapia consegui voltar quase que normalmente à vida profissional, assumindo novos desafios, me sentindo bem fisicamente, às vezes com um pouco de cansaco a famosa fadiga, às vezes o desarranjo intestinal, mas nada que preocupasse.
Estava preparando aulas, trabalhando no material que enviaria aos alunos e queria terminar aquela tarefa ainda pela manhã.
Aguardava ansiosamente o resultado dos exames de sangue, uma vez que a tomografia apontava pontos da doença no pulmão, porém estes pontos já estavam ali após a cirurgia e o laudo apontava que estes pontos não haviam aumentado desde a última avaliacao.
Porem, bomba..... os resultados dos exames de sangue eu nem li, estava preocupado com o indice CA, que deve estar no máximo em 30, e estava em 1060.
Antes de abrir os exames rezei, pedi a Deus e Maria que o resultado fosse aquilo que eu gostaria, porém ao ver o numero literalmente desabei, estava em meu escritório, a Bellinha no andar de baixo, e eu comecei a chorar, chorei muito deixando ela assustada, mas foi sem querer.
Não conseguia pensar, o chão sumiu de meus pés, a sensação foi muito pior do que quando vi o tumor na ressonância isto em abril do ano passado.
Não sabia o que pensar, não tive reação a não ser de profunda tristeza, desânimo, um torpor no corpo, não conseguia me mexer, pedi a Bellinha que me deixasse sozinho, tambem não sei o porque deste pedido, mas senti que precisava ficar só para me refazer do tremendo impacto da notícia ou melhor da constatação.
Parei de escrever, não conseguia pensar em mais nada, estava estático triste e desanimado.
Talvez esperava que o resultado fosse abaixo de 30, e estava em 70 no início da radioterapia, mas 1.060 era demais. Eu tinha a certeza da cura total, e talvez isto me fez pensar que o índice seria baixo, porém Deus me mostrou que eu ainda tenho uma jornada pela frente.
Depois de algum tempo o estado de letargia foi passando, levantei fui tomar banho, fiz a barba, rezei e pedi a Deus e Maria forças para enfrentar o que vai vir pela frente, neste meio tempo a Bellinha conversou com o Dr. Marciano e ele esperava uma recidiva no fígado, o que segundo ele seria muito grave, mas no pulmão a situacao é menos pior.
Vamos à consulta amanhã já sabendo que iremos enfrentar novas sessões de quimioterapia, novas provações, novas dificuldades, mas com o amor dos filhos, que falaram comigo assim que souberam da notícia, o amor da Bellinha e dos amigos, e principalmente com fé em Deus e Maria sei que minhas chances são muito grandes, já enfrentei o pior que foram as cirurgias, a hemorragia, a quimioterapia, assim tenho a certeza de enfrentar de cabeça erguida mais este desafio.
Semana passada um grande amigo me pediu que dissesse em três palavras o segredo da luta contra o câncer e eu disse a ele que as palavras são;
Fé, persistência e resiliência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário