quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Resultados do Pet Scan

Hoje é um dia muito feliz para nós. 
Com os resultados do Pet Scan nas mãos, a Dra. Mônica concluiu que meu pai não tem mais células cancerígenas em seu pâncreas.
O exame apontou que a massa que ainda lá existe não possui mais malignidade.
Sim, é um milagre!
Deus está nos devolvendo a vida do meu pai Sergio Centa. Graças a Deus e às orações dos nossos amigos queridos nós podemos começar a respirar de novo.
Respirar a certeza de que Deus é bom e misericordioso e que Ele tocou o corpo do mais maravilhoso dos homens, aquele que mais merecia este momento feliz de cura e libertação.
Este é um ano especial que misturou momentos de extrema felicidade com a mais profunda agonia. Foi um ano de libertação e cura interior. Momento de conhecer o real significado do amor, da fé, da vontade de viver.
Este ano foi difícil, a ponto de eu não ter certeza se eu queria acordar no dia seguinte de manhã. E daí eu olhava para o lado e via meu pai, fraco, dolorido, mas sem nunca se entregar e pensava: se ele luta, não é você que vai cair.
Foram transformações profundas. Nunca imaginei que eu iria aprender a amar minha dor. Mas ela dói tanto que chega uma hora em que você precisa fazer as pazes com ela, olhar com carinho e se permitir sofrer.
A dor me trouxe algumas bênçãos.
Eu sabia que amava meu pai. Ele sempre foi meu grande e melhor amigo, companheiro de aventuras. Desde o escorrebunda, passando pelos shows da adolescência, jogos do Coxa e passeios. Vivemos muitas alegrias juntos.
Sim eu o amava muito.
Ingênua eu, que nunca soube antes o que era amor.
Minha família se uniu na dor.
Minha mãe, que sempre foi afobada e meio dengosa, se mostrou uma mulher tão forte! Ela cresceu na minha frente numa mesa da cafeteria do hospital. Eu me senti um neném manhoso na frente daquela mulher decidida, forte e cheia de atitude.
Meu marido passou por tudo isso sendo o mais maravilhoso dos companheiros, e ali tive a certeza de ter feito a escolha certa.
Recém-casados, com menos de 2 anos de relacionamento, aprendemos a nos conhecer e nos apoiar neste momento sofrido. Nos momentos mais difíceis ele estava ali, quietinho, deixando eu chorar, me acarinhando. E sofreu também, pois nestes dois anos ele também já havia construído grande admiração e amor pelo pai. Ele esteve comigo a cada Cerco de Jericó, a cada oração, nos acompanhou a hospitais, exames, tudo o que foi preciso. Nos aproximamos ainda mais em oração e fé.
O câncer me reaproximou de meu irmão. Me fez perceber o tamanho do amor que minha cunhada tem por nós.
E o amor de Deus!
Nunca imaginei que eu iria sentir os olhos de Jesus me olhando com carinho e compaixão. Eu não tinha a menor ideia do que era fé.
A cada cerco de Jericó, a cada Ave Maria, a cada Pai Nosso, eu pude sentir a energia maravilhosa de Deus tocando nossas vidas.
Meu pai será um testemunho deste amor. A minha fé desde a adolescência em Santa Paulina, a protetora dos cancerosos, estava me preparando para esta batalha tendo minha Santa como guia.
Deus sabia que precisava de algo grandioso para fazer meu pai repensar sua vida, rever valores e valorizar sua saúde. Ele sempre cuidou de tudo e de todos mas não se permitia ser cuidado.
Foi um susto. Ainda falta uma parte da batalha.
Nossa história vai virar um livro e vamos glorificar o amor divino eternamente.
Nunca mais nossa vida será igual.
Depois daquele diagnóstico nosso mundo parou. Depois de um tempo ele volta a girar, mas nunca no mesmo eixo, nunca no mesmo ritmo.
Que Deus permita que esta experiência tão profunda faça de nós pessoas mais amorosas e altruístas.
Muito obrigada Senhor.
Este presente é o melhor que eu poderia ter.

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