quinta-feira, 23 de outubro de 2014

As perspectivas e os planos para o futuro

Fomos à consulta com nosso médico clínico oncologista, Dr Esdras, o primeiro que nos atendeu no inicio do tratamento. A consulta foi “seca” ele viu os resultados dos exames, não fez grandes considerações, apenas discutiu a possibilidade de a cirurgia ser feita em São Paulo. Ponderou que lá ele conhece toda a equipe, que os médicos operam dezenas de casos como o meu por mês, assim tem uma condição “técnica” melhor do que a do cirurgião de Curitiba. Nos passou os dados do hospital, valores aproximados e sugeriu que a cirurgia fosse feita em São Paulo. Francamente me assustei e bastante, não percebi nele o entusiasmo pela evolução do processo, a queda nos indicadores, a falta de metabolismo no tumor, enfim, uma batalha que a mim parecia ganha acabou sendo uma batalha próxima do empate. Durante a semana ainda tive outra notícia que me chocou, o medico cirurgião chamou a Maria Ângela após a cirurgia (aquela primeira, em maio) dizendo a ela que eu teria mais seis meses de vida, porem a fé inabalável dela, junto com as orações e apoio de todos nos proporcionou o milagre da cura, pelo menos parcial até aqui. Mas meus sentidos ficaram abalados de fato, não conseguimos vender os terrenos ainda, e se eu não sobreviver, como fica a Bellinha? Como devo proceder com a sobrevivência dela? Pensei e tenho um plano “B” que estou executando, porem não foi apenas esta situação que me preocupou, e sim a possibilidade de não sobreviver à cirurgia. Minha fé foi testada neste momento, parei e pedi muito a Deus e Maria que me dessem a oportunidade de envelhecer ao lado da minha amada, que eu tenha a possibilidade de ver meus netos crescerem, de poder ver meus filhos ficarem maduros, mas depende Dele assim deixei nas mãos de Deus e Maria este meu pedido. Aos poucos fui absorvendo o impacto de toda a situação e me refortalecendo na fé, agarrado na possibilidade de continuar vivendo, e tenho fé em Deus e Maria que irei seguir adiante ao lado das pessoas queridas. Confesso que fiquei abalado por alguns dias, a fadiga veio com forca novamente, talvez até pela parte psicológica me senti fraco e perdido alguns dias, sem comentar com ninguém pois esta situação depende apenas de mim, em acreditar e me fortalecer. Durante a semana fiz a ressonância, dopado uma vez que tenho claustrofobia, e o jejum de 8 horas acabou me debilitando, perdi dois quilos naquele dia, tinha muita sede, e ao voltar para casa a noite estava sem apetite. Na noite seguinte tive muitas cólicas e um pouco de diarréia, porém recuperei o peso, mesmo ingerindo alimentos sem gosto nenhum, mas fazia as refeições pensando na melhora e na fortificação para mais esta etapa que será a segunda cirurgia. Amanhã vamos ao medico cirurgião para a consulta na qual iremos decidir pela cirurgia aqui ou em São Paulo, porém estou com meus planos prontos para 2015, no dia anterior participei de três reuniões, definindo a estratégia de trabalho para o próximo ano, acertei duas consultorias e a continuidade na empresa onde estou hoje, também já havia aceitado o convite para a primeira turma de pós graduação para 2015, e estabeleci uma meta de trabalho e de vida para o ano que vem. Claro que a fadiga veio muito mais forte à noite e no dia seguinte, resultado do esforço feito no dia anterior, coisa que eu sabia que iria acontecer, mas assim mesmo fiz questão de preparar o ano de 2015, na esperança que venha e seja desta forma. Que Deus e Maria me permitam continuar fazendo meu trabalho, dividindo o pouco conhecimento que tenho nas aulas, nas consultorias e no meu trabalho, e me permitam viver com minha amada família. Amém.

P.S: mamãe cabeçuda, ele REALMENTE não precisava saber daquele prognóstico de tempos atrás. Mas graças a Deus este prognóstico é PASSADO!

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