terça-feira, 28 de outubro de 2014

A DECISÃO

Após todas as idas e vindas fomos ao médico cirurgião para definirmos a cirurgia. Comitiva esperança pronta lá fomos nós Bellinha, Carol e eu. São três médicos que estão cuidando do meu caso, o Dr. Esdras oncologista clínico e cirurgião gastro, a Dra. Mônica, oncologista clínica responsável pela quimioterapia e o Dr. Marciano, o cirurgião. O Dr. Esdras e a Dra. Monica sugeriram fortemente que a cirurgia seja feita em São Paulo. Argumenta o Dr que lá os médicos operam este tipo de problema constantemente, assim possíveis intercorrências seriam superadas pela experiência dos médicos. A Dra. Mônica não entrou muito em detalhes, pedindo que falássemos com o Dr. Esdras. O Dr. Esdras apresentou seus argumentos e fomos discutir o caso com o Dr. Marciano, que já foi responsável pela minha primeira cirurgia. No início da conversa Dr. Marciano falou que a cirurgia poderia ser feita em São Paulo, porém la a “grife” do Sírio Libanês, por exemplo não significa que não teríamos problemas na cirurgia, e em havendo os procedimentos seriam os mesmos adotados aqui. Citou o exemplo de um paciente que fez a cirurgia em São Paulo teve problemas e ficou na UTI por 30 dias e a conta foi de R$ 250.000,00. Assim uma cirurgia feita em São Paulo, Nova York, Londres ou outro lugar do mundo não isentaria o paciente de eventuais problemas e as soluções a serem adotadas serão as mesmas adotadas aqui. Demonstrou estar chateado com os colegas que insistem na condição de irmos a São Paulo para a cirurgia. Argumentei com ele que desde o inicio eu tive muita empatia por ele e principalmente, muita confiança na condução da primeira cirurgia quando ele não conseguiu acesso ao tumor já que o mesmo estava entre uma veia e uma artéria. Perguntei a ele sobre a cirurgia, como será feita, os riscos as conseqüências etc. O procedimento é o seguinte; aberto o abdômen será feita uma avaliação do possível enraizamento do tumor, caso esteja enraizado no estômago, intestino na cirurgia serão retiradas partes destes órgãos, caso o tumor esteja apenas na veia (que é o que esperamos), será feito um corte em duas partes da veia, onde o tumor está localizado, e a veia será religada. Se possível após o corte ligam-se as pontas soltas e fecha-se o abdômen. Não sendo possível ligar as pontas soltas pela distância será retirada parte de uma veia do fêmur ou jugular para a ligação. Primeira pergunta a veia traz sangue bombeado pelo coração, quanto tempo pode ficar sem esta irrigação nos organismo? De acordo com o médico até 15 minutos. Qual o risco de morte na cirurgia? Segundo medico, mínimo, e após a cirurgia? Pode haver intercorrências, hemorragias, se for colocada uma prótese a rejeição, o deslocamento da prótese, infecções entre outros. Impossível prever as chances de problemas, porém podem ocorrer. Discutimos ainda a situação interna entre os médicos e o Dr. Marciano irá falar com os demais para acertar estas diferenças entre eles sem a nossa participação. A mim pareceu um certo ciúme entre os médicos porque meu caso parece ser algo a ser estudado, um paciente que iniciou o tratamento com um índice CA de 1500 e passar a 0,85 acima do máximo possível ou seja 33,85 é um caso raro e neste momento todos querem a glória de ter “curado” um paciente que estava literalmente condenado. Não estou completamente curado, sei disto, preciso da cirurgia, mas tenho muita fé que tudo correrá bem e sairei desta com vida e saúde. Meu maior temor era de não sair da mesa de cirurgia vivo, e estas palavras do médico me confortaram e acalmaram. Após quase uma hora de consulta decidimos por fazer em Curitiba, e saí de lá mais tranquilo e calmo. Confiante sim sempre, confio em Deus e Maria, agradeço todos os dias pela saúde que tenho, mesmo debilitado, não tive problemas como os demais pacientes que vejo saindo da quimioterapia, abalados, acabados, e eu tive uma vida praticamente normal após a primeira sessão de quimioterapia. Como diz o Marco Antonio, graças a herança genética “highlander” já que meu pai e meu avô tiveram saúde dentro de uma certa razoabilidade após os 80 anos, esta herança genética é que me possibilitou enfrentar e superar a agressão das sessões de quimioterapia. Sinto-me pronto para enfrentar a cirurgia com muita fé que volto dela para superar mais desafios sendo o principal VIVER.

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