terça-feira, 17 de junho de 2014

Cirurgia - meu queixo caiu

Chegava o Natal mas não chegava o dia da cirurgia.
Finalmente, é hoje.
21 de maio de 2014
A cirurgia começaria às 7 da manhã.
5 e meia chegamos ao hospital.
O pai e a mãe já estavam lá internados.
Claro que ele não demonstrava, mas nosso guerreiro vivenciava um sentimento que lhe era bastante estranho e incomum: medo.
Bastante emotivo, o pai estava nervoso, agitado, intranquilo.
Rezamos juntos.
A hora não passava.
Perto das 7 horas fizemos mais uma oração. A mãe disse:
-Pai, quando você chegar no centro cirúrgico, convide Jesus e Maria para estarem lá contigo. Peça que eles entrem com você.
E lá foi o pai.
Foram 5 horas de angústia.
A cada vez que alguém abria a porta nosso coração ia até a boca.
Senti de tudo. Fiquei durante todo este tempo me sentindo numa montanha russa.
Tive enjôo, dor de barriga, dor de cabeça. TUDO.
Depois de 4 horas, lembro que meu irmão falou:
-Bom, se eles não voltaram até agora, sinal que conseguiram tirar o tumor né? Ninguém fica 4 horas num centro cirúrgico para somente abrir e fechar um paciente.
Concordei. Tinha lógica.
Sabíamos que naquele momento a chance de cura total dependia da retirada do tumor.
A demora, então, era bom sinal.
A hora não passava...
O nervosismo aumentava.
Eis que surge o médico.
Abatido.
Gelei.
Começou com infelizmente. Não lembro o resto. Não ouvi mais.
O mundo havia desabado.
Mentira, só podia ser mentira.
Derivação, bile, dissecação.
Ele falava e minha cabeça girava. O coração doía. Eu só queria acordar daquele pesadelo.
Fomos informados que o pai logo chegaria.
Ele sabia que, se acordasse no quarto, era sinal de que não havia sido retirado o tumor. Era mau sinal.
Sofremos ao pensar no que ele sentiria.
Fizemos o possível para nos recompor.
As portas do quarto abriram. Era ele!
Eu estava esperando uma reação passional, revoltada, intempestiva.
Será que os 32 anos ao lado deste homem magnífico não me ensinaram nada?
Ele chegou sereno, com uma fé absurda na vida.
Meio sonolento, explicou que ele estava com muito medo da cirurgia e que ele mesmo achava que não sobreviveria ao procedimento.
Era agressivo, brutal. A recuperação, fraco como ele estava, seria muito difícil.
Nos explicou que a não retirada daquele tumor foi um milagre e que agora ele teria tempo de se fortalecer e lutar.
O termo é antigo e tosco, mas... poker face.
Meu queixo caiu. Minha admiração por meu pai só fez crescer.
A BATALHA IRIA COMEÇAR.

3 comentários:

  1. Minha filha tu tens que escrever um livro, beijo

    ResponderExcluir
  2. PARABENIZO seu texto pela dor do momento sofrida e pelas palavras expressas que chegam ao nosso coração e nos faz ,mergulhar num oceano de lagrima de EMOÇÃO...

    É nessa BATALHA que todos nós somos soldados do seu coração , em forma de ORAÇÕES...

    AVANTE NA COMOÇÃO!!!

    Bjns.

    ResponderExcluir
  3. Que batalha não!Mas acredite, a gente tira força e coragem pra estar ao lado, e sabe-se lá como, parece que cada vez com mais amor!!!!!

    ResponderExcluir