terça-feira, 17 de junho de 2014

E agora?

A notícia de uma doença grave envolvendo alguém da família é absurdamente devastadora. Fosse quem fosse.
Mas devastadora não é a palavra para descrever esta notícia. Não é alguém da família simplesmente. É "o" alguém.
É aquele eixo fundamental sem o qual tudo desanda.
Meu pai é o mais especial dos pais. Aquele que dedicou todo o tempo que tinha (e também o que não tinha) na complicada missão que ele mesmo escolheu: formar GENTE.
Gente, pessoas decentes, com valores.
Ele começou sua missão sendo pai. Nisto ele é SENSACIONAL.
Não satisfeito com o baita trabalhão que 2 crianças cheias de personalidade já dão, ele decidiu ser professor.
O que ele ensina não é matemática financeira, gestão de recursos, análise disso ou daquilo. Ele ensina HUMANIDADE.
GENTE.
A maior paixão do meu pai sempre foi desenvolver pessoas, inspirá-las.
E ele recebeu esta notícia bomba como era de se esperar. Sereno, confiante. Sem se desesperar, inspirando a gente a ser mais positivo.
Mas a notícia é dolorida. Foram momentos de muita dor emocional. Choro, desespero.
De forma absolutamente impressionante, esta fase também passa. Como passará este câncer.
A gente gasta o estoque de lágrimas.
Não dorme uns bons dias.
Sofre.
E daí surge a fé!
Ninguém pode viver em sofrimento e lamúria.
A dor só fica ali pelo tempo necessário para a gente acordar e ir à luta.
Não tem volta. Agora é encarar de frente.
Foi o que fizemos.
Com a ajuda de nossos familiares queridos definimos a equipe médica que atenderia o pai.
Foram semanas de exames e incertezas. Os médicos não afirmam nada, não determinam nada.
É como estar em um tiroteio no escuro. Você ouve os tiros, os gritos, o desespero, mas não acha um esconderijo, não faz idéia de onde esteja.
E o pai piorando. Ficando mais fraco, mais amarelo.
Sentimento de impotência, de não poder controlar nada, acelerar nada.
E o pai piorando.
Piorando.
..........
A piora era preocupante.
Foram quase 20 kg a menos no período curto de 3 semanas.
Fora o amarelão que só piorava.
Some-se a isso uma dificuldade de respirar, faltando ainda 10 dias para a cirurgia.
Graças a Deus nosso médico foi realmente enviado por Deus.
Preocupado com a dificuldade de respiração, ele decidiu pela cirurgia em caráter emergencial.
Seria dia 21 de maio.
Seria a cura.
Uma cirurgia absurdamente invasiva, que obriga o cirurgião a retirar pedaços de 5 órgãos e reconstruir o aparelho digestivo do paciente.
Nosso gigante de 1,90 estava abatido demais, fraco, cansado.
A cirurgia era preocupante.
E agora?

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