terça-feira, 17 de junho de 2014

Bomba!

PÁSCOA! Oba, festa em Luzerna.
Viajamos os 4 companheiros, eu, meu marido e meus pais.
Festa pra lá, festa pra cá, e minha mãe comunicou que meu pai se internaria para fazer alguns exames.
Achei estranho, ele nunca vai no médico, nunca reclama.
-Ok, é só uma indisposição no estômago.
Na volta da viagem, a internação. Exames de rotina, todos normais, com uma pequena alteração na função hepática. Continuo achando que é uma indisposição. Bobagem. Passa.
A médica manda fazer uma tomografia, só por desencargo de consciência.
E bum! Cai um baita abacaxi no colo da plantonista.
Uma massa no pâncreas.
Ela, totalmente sem reação, informa que "não gostou do resultado" e nos encaminha para um gastro, que pediu mais um montão de exames.
-Médico não gosta de muita coisa, assim como todo mundo. É só uma indisposição. Bobagem. Passa.
Eis que chegam os resultados dos exames. Como todo mundo, fomos digitando aquele monte de termos escritos em linguagem desconhecida no google.
-CA 19-9 - super alterado. O que raios é isso?
-Digita aí.
.........
Silêncio mortal...
.........
-er... é... um... bom... marcador tumoral.
-Tumor? Tumor tipo câncer? Claro que não! Era só uma indisposição!
Google de novo.
-Não não, pode ser uma pancratite. Peraí, pancreatite é uma infecção. Teria febre, não?
-Câncer não é.
Liga para um monte de médicos amigos. Coitados. Queria que eles falassem o que?
Todos tentam mudar o foco. Pancreatite. Qualquer ite. Tudo menos câncer.
-Tá, que tal ligar para o médico dele?
O telefone pega fogo. Ninguém quer pegar na mão.
Todo mundo já sabe a resposta, mas nosso coração não quer acreditar no que a mente racionaliza.
-Sim, Maria Ângela. É isso mesmo que você está pensando. Câncer.
Câncer... de pâncreas...
Digita no Google.
...................
...................
Não. Não.
Fecha o Google.
-Isso não está acontecendo. É mentira.
A primeira pergunta que vem na cabeça é: porque com ele?
Uma pessoa maravilhosa, generosa, marido dos sonhos de qualquer mulher, o melhor pai do mundo. PORQUE?
Carma? Não, ele não merece.
Escolha? Quem raios faria esta escolha?
Certa vez vi uma reportagem de uma pessoa contando sua experiência com o câncer. A personagem dizia que no início, no auge de sua revolta e negação, ela se perguntava: "porque eu?"
Depois de um tempo de luta a pergunta mudou de foco. "Porque NÃO eu?"
Ela tem razão. Tanta gente maravilhosa passa por adversidades. Tanta gente muito melhor que eu sofre, sente dor, fome, sede.
Confesso que é difícil, mas fiz um grande esforço para tirar a tal pergunta da minha cabeça. Era egoísta, infantil e idiota.
Foi com ele, é com ele. É a NOSSA guerra.
Aquela que ninguém escolheu, mas que aí está.
A guerra que vamos travar juntos, em família.
Por amor ao mais amoroso e extraordinário de todos os homens.
Por absoluto amor ao meu pai.

Um comentário:

  1. Filha, foi realmente um sovo de uma tonelada no nosso estômago, mas e isto mesmo, porque não ele? Falei no dia que preferia que fosse comigo, mas e com ele. E nós estamos juntos e lutando com amor e vamos vencer

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