quarta-feira, 18 de junho de 2014

E depois...

Respira... chora... respira de novo... acalma....
A vida vira de cabeça para baixo. A gente fica sem chão, sem teto, sem parede, sem nada, sentindo a vida no vazio das incertezas.
O dia da cirurgia foi marcante. O carinho dos amigos, solidários ao nosso pesar. A fé que move as pessoas à nossa volta. Sentimos tanto amor por parte das pessoas que meu pai conquistou durante a vida que era possível enxergar a energia que delas emanava.
Tantas mensagens carinhosas. Tanta fé, tanta amizade, carinho e amor.
Mas em meio a tanto carinho havia o sofrimento e a dor do homem das nossas vidas.
Primeiro a sonolência quase tranquila, que deu lugar a acessos de enjôo. Ausência de apetite. Fraqueza.
A mãe ao lado dele como a fiel escudeira, se recusou a ceder seu posto a qualquer outro soldado.
Visitas. Muitas visitas. Era lindo ver como o pai era querido.
Mas seu estado preocupava. Urina cor de terra. Muito enjôo.
Ele não comia nada. Pouco bebia. Estava muito amarelo, fraco.
Os primeiros dias após a cirurgia foram duros. Em um dado momento, ele mesmo chegou a perguntar:
-Mãe, será que eu aguento?
Será?
Era de se duvidar.
Como não foi possível AINDA retirar o câncer, o procedimento cirúrgico criou uma pequena ponte que liga o fígado direto no intestino. Isto porque o tumor entupiu o canal pancreático e isso fez com que a bile ficasse acumulada e não pudesse cumprir sua função.
Assim meu pai teve uma grave icterícia. Eu achava que isso era doença de criança e que não fazia tanto mal assim. Fato é que a icterícia causa uma fraqueza profunda, dificuldade de digestão, falta de apetite, etc.
Falta não, apetite zero!
Tudo enjoava, tudo doia.
O procedimento iria livrar meu pai desse mal estar, mas, sabidamente, os dias que viriam após o procedimento seriam muito difíceis. E FORAM!
Os dias se arrastaram e a melhora foi lenta.
Os olhos um pouco menos amarelos. Menos enjôo, menos mal estar. Apetite começando a aparecer.
Retomada da capacidade de concentração. Vontade de trabalhar.
Diminuição do sono.
Com o passar dos dias pudemos notar pequenos esboços de sorriso. A vida voltando aos eixos. O pai estava ganhando força, cor, vida.
O primeiro dia de trabalho foi maravilhoso.
Ele dirigiu, teve reuniões, voltou a fazer o que gosta. Chegou em casa com cara de criança que ganhou pirulito do dentista. Tipo, dói, é chato e incomoda, mas ganhei presente.
Cada dia uma conquista, cada dia um pequeno avanço.
Lá se foram 30 kg.
O gigante está fisicamente menor, mas na alma carrega a força de Davi.
Jesus está lutando no nosso lugar.
Temos a certeza da vitória.

Um comentário:

  1. Suas palavras me emocionam, Carol! A familia de vocês é um exército de guerreiros lindos e merecedores desses milagres! :) Beijo

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