Os dias após a última internação passaram devagar, com muita ansiedade, e em muitos momentos desânimo pois as forcas pareciam não voltar.
Mas com fé em Deus e em Maria consegui aos poucos ir recuperando as energias, gracas à luta árdua da Bellinha e o apoio dos filhos.
Passamos o Natal e o ano novo, sem muita movimentação, e ansiosos pelo início do tratamento de radioterapia.
Fomos à consulta com o Dr Marciano, que me deu “alta” do tratamento pós cirurgia, e pediu o retorno a cada 30 dias.
Consultamos a Dra Mônica que indicou a clínica de radioterapia, onde fomos agendar a consulta inicial com o Dr Henrique. O tratamento inclui quimioterapia e radioterapia, sendo que a quimioterapia por infusão, ou seja ficarei com a bolsa de infusão durante uma semana e a radioterapia ocorre diariamente em 25 sessões. A quimioterapia ocorrerá na primeira e na última semanas, assim o desconforto não será muito grande.
Na consulta com o Dr Henrique, ele nos colocou que a radioterapia é um procedimento que “esteriliza” o local onde foi feita a cirurgia, sendo que a quimioterapia complementa o tratamento, mas a radioterapia não é obrigatória, depende do desejo do paciente. Irá causar desconforto, e não necessariamente deve ser feita, mesmo que o paciente inicie o tratamento o mesmo pode ser interrompido ao longo das aplicações, dependendo da vontade do paciente.
Decidimos por fazer a radioterapia para termos a certeza dos resultados.
Para se fazer a radioterapia é necessário fazer uma tomografia, para delimitar o local das aplicações, e são feitas marcas a caneta no corpo para que o paciente fique posicionado sempre no mesmo local para que a máquina possa emitir os raios nos locais certos.
Para este posicionamento o paciente e colocado na maca, onde serão feitas as aplicações, em um “colchão” com materiais que parecem bolinhas de isopor, este material reage quimicamente após o posicionamento do paciente e o “colchão” fica rígido. Assim sempre que for fazer as aplicacoes vou utilizar este colchão.
Fiz as marcações, a tomografia e ficamos no aguardo da data do início das sessões. Como estavamos na época de final de ano, só conseguimos comecar o tratamento no dia 12-01.
Assim fomos passar uns dias na praia, na companhia de nossa “neta adotada” Antônia, seus pais Taísa e Antônio, a Nei minha cunhada, minha Carol e seu marido Marcos.
O início do tratamento
Primeira sessão “che paura” curiosidade, ansiedade, o novo sempre traz preocupações, mas lá fomos nós.
Fui colocado no tal colchão, foram feitas radiografias e iniciaram-se as aplicações. Cerca de 5 minutos depois fui liberado, pensei comigo é isto? E só isto?
Pela manha fomos colocar a quimioterapia e após a radio voltamos para casa.
A semana correu sem transtornos, sem reações, apenas o incômodo da bolsa de infusão, e na sexta feira novidades não muito boas, a tal bolsa de infusao não injetava o remédio, fomos à clínica e os enfermeiros tentaram ajustar para o funcionamento.
No sábado percebemos que a bolsa não funcionava mesmo, assim passei o final de semana carregando a tal “pochete” todo o final de semana.
Porém tivemos um fato desagradavel na sexta feira, pegamos os resultados dos exames, e o indice de CA estava em 70, sendo que na ultima aferição estava em 10 e o normal é até 30.
A Bellinha foi falar com a médica, e a mesma apenas passou uma informação pela secretária que precisava falar com a Bellinha, “sozinha” mas apenas na segunda feira.
A Bellinha entrou em desespero, eu não me preocupei, assumindo que esta alteração poderia ser em função da radioterapia.
Na sexta feira à tarde fomos fazer a radioterapia e encontramos o Dr Henrique que nos tranquilizou em relação ao resultado, segundo ele este valor foi “insignificante” uma vez que a radioterapia ao emitir os raios no corpo altera muitas células, e mascara os resultados dos exames.
A Bellinha passou o final de semana angustiada mesmo com as palavras do Dr Henrique.
Na segunda feira voltamos à clínica da quimioterapia e a Bellinha foi falar com a Dra. Mônica enquanto eu fazia a aplicação da quimioterapia restante na bolsa de infusão pelo catéter.
A conversa não foi amena, e não trouxe nada animador, pois segundo a Dra. Mônica havia surgido um ponto, o que ela não falou ou não sabia é que este ponto havia sido retirado na cirurgia.
Informação confirmada pelo Dr. Marciano na consulta naquela semana.
Isto tranquilizou a Bellinha e confirmou minha tranquilidade em relação a tudo.
Voltamos à radioterapia;
Continuamos com as sessões diárias, e as reações comecaram a surgir, na segunda semana muita fadiga, desânimo, náuseas, dores no abdômen, que passarm ao longo dos dias.
Após a décima sessão os sintomas continuam de fadiga, dessaranjo intestinal, mas felizmente o apetite voltou, o sabor dos alimentos é perceptível, me alimento bem, porém em função da radioteraopia perdi peso, e não estou recuperando. Estou mantendo o peso em torno de 92 kg, ou seja 12 quilos a menos do que antes da cirurgia.
Estamos quase na metade das aplicações e com fé e coragem vamos vencer mais esta etapa.
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