Com os resultados dos exames onde o índice de CA havia caído para 157, (era 360+-) e com o resultado de que o líquido na pleura não é maligno, fomos consultar nossa médica, com a esperança renovada, uma sensação de otimismo e tranquilidade que há muito tempo não tinha.
A médica examinou os resultados dos exames, reanalisou, olhou-me com uma cara pensativa e disse;
“Estudei muito seu caso, procurei na literatura casos como o seu para tomar algumas decisões, porém não existe uma literatura com uma situação como a sua”
Existem dois lados desta moeda, o lado positivo é que este é um caso raro na medicina, um verdadeiro sobrevivente, pois na grande maioria dos casos o resultado é o óbito.
A doença se instala no pâncreas e ao longo do tempo as famosas reincidivas ocorrem, a doença se instala nos pulmões, no fígado, no intestino, ou em outros órgãos e que levam à morte.
O lado negativo é que a grande maioria dos pacientes com este tipo de doença não conseguem superá-la, e acabam indo a óbito.
Ficamos discutindo as possibilidades, se reiniciávamos a quimioterapia, e se fosse o caso, que tipo de quimioterapia, uma vez que não existem sinais de doença instalada, ou aguardaríamos um período para ver a evolução dos índices e do líquido na pleura.
Tomei a iniciativa e pedi à médica que me poupasse de novas sessões de quimioterapia, pois me sinto muito debilitado, cansado fisicamente e mentalmente, passei o Natal com extrema fadiga, e mesmo depois de um mês ainda sinto e muito o efeitos da agressão medicamentosa da quimio.
Felizmente ela concordou e vamos aguardar até o inicio de fevereiro para tomar novas decisões, neste meio tempo vamos fazer exames de imagem e sangue para acompanhar a evolução ou a esperada involução do índice de CA e do líquido na pleura.
Mais uma vez ou talvez como sempre sigo confiante, em paz e tranquilo, não necessariamente considerando a cura total, sendo esta a esperança maior, mas principalmente em paz pelo que há de vir, seja o que for, sei que será pelo melhor.
Sinto-me menos cansado, mais fortalecido física e espiritualmente, principalmente em paz sendo acompanhado de perto pela família e principalmente pela Bellinha que cuida de mim diuturnamente, mas tenho conseguido escapar deixando ela no litoral e vindo trabalhar durante a semana. Esta é uma forma de me manter ativo e independente, preciso dela e de todos sim, com certeza, mas preciso também me ajudar, me recuperar, agir e me manter ativo, ou ainda “positivo e operante”.
Assim seguimos até a próxima consulta com os novos resultados, com fé e esperança sempre.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
A nova consulta
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