E que ano!
O ano mais intenso da minha vida. Não há nada que se compare à descoberta do amor. Em todos os sentidos.
Quando descobrimos a doença que acometIA meu pai eu estava na fase mais feliz da minha vida. Recém casada, planejando o casamento religioso, brincando de dona de casa, vivendo uma comunhão com meus pais perfeitos que sempre fizeram parte dois nossos dias... Tudo OK. Maravilha!
E daí veio a notícia. Meu pai? Meses de vida? Não. Inadmissível.
Não dava para imaginar.
Meu grande amigo, companheiro, colega de trabalho, mestre, professor, o MEU pai...
Como pensar viver aquela felicidade imensa neste turbilhão?
Vivi meu luto...
De verdade.
Uma semana de choro constante, desespero. Meu Deus, todo mundo menos ele, eu pensava. Mas era com ele...
E agora?
Ahhh aquele mundo cor de rosa... Onde estava mesmo?
A saudade que eu sentia dele doía. Algumas horas longe dele eram sufocantes. São até hoje.
Tomei uma decisão da qual nunca vou me arrepender.
Vou viver para eles.
Meu pai, minha mãe, meu marido.
Nada mais importava.
O Marcos foi um grande companheiro, me apoiou nesta decisão.
Não pensei em trabalho, dinheiro, festas, nada. O que movia meus dias era meu pai.
Minha escolha consciente mudou minha vida e a do meu marido.
Fiz uma promessa. Nada de chocolate nem refrigerante por um ano.
Eu sonhava com coca zero. Babava ao ouvir o tlec daquela latinha (que hoje chamo carinhosamente de latrina).
Comia mal, detestava salada, adorava cozinhar mas comia muito fast food.
E os dias foram passando. O luto se transformou em esperança.
Meu pai melhorava e eu também.
Me tornei uma pessoa mais altruísta. Mesmo no meio do desespero eu rezava pelos pais, mães, maridos e filhos das grandes famílias que se formam na internet entre pacientes e cuidadores de pacientes oncológicos.
Rezei por tantos. Sonhei com vários. Pensei em milhares.
Aprendi com estas pessoas que minhas dores são tão insignificantes.... Assisti minha fraqueza como se fosse um filme. Patético. Revi valores. Repensei.
Minha família se solidificou. Meus pais adotaram meu marido como filho. Ele os aceitou como entes queridos.
Amei-os ainda mais.
Mudei minha alimentação. Escolhi melhor minhas batalhas. Revi o que eu mesma fazia com meu próprio corpo.
Essa luta me trouxe muita dor. Mas trouxe tanto amor que não cabe no papel.
É amor que sai do peito.
Amei mais e sem distinção.
Sinto que amo mais meus tios, primos, amigos, colegas. Amo mais a vida, a cidade, o bom dia sincero que hoje distribuo com frequência sem igual.
Amo mais a Deus. Acredito, tenho fé, anda de mãos dadas com Ele onde for.
Este foi o maior presente. Fé na vida. Fé em Deus. Fé em nós.
Fé e amor que não acabam e me trazem absoluta felicidade, mesmo em meio à adversidade.
Te amo meu pai.
Sempre te amei.
E hoje amo de todo coração o pai de todos, nosso Deus criador, que tudo pode. Aquele que me prometeu sua cura. E vai cumprir!
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Meu ano
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